“O que faz hoje tem que influenciar o futuro”

O soteropolitano Marcelo Mota, diretor de Operações da ABV (Aeroportos Brasil Viracopos), concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), parece possuir o gingado nesta sua origem. Uma já tradicional “sambadinha”, ao subir no palco para saudar os presentes na entrega do anual Troféu Eficiência Logística (agora batizado VCPEx), é uma das marcas registradas do executivo que comanda as operações de carga aérea no maior centro cargueiro do Brasil.

Formado na Universidade Federal da Bahia e com MBA na University of Warwick – Warwick Business School, do Reino Unido, Mota foi o nosso entrevistado para uma matéria especial sobre o balanço do Aeroporto de Viracopos e as perspectivas para 2023 no setor de carga aérea.

Ao abrir o bate papo com o Portal LogNews, uma frase de efeito já direciona os esforços da ABV para Viracopos, que seriam, defendidos por ele, como os dois principais pilares contratuais, cumpridos com excelência pela empresa: a melhoria da infraestrutura e a atendimento ao usuário. “O que faz hoje tem que influenciar no futuro”, cravou Mota,

O diretor de Operações da ABV lembrou um histórico recente do comportamento da carga com reflexos em Viracopos durante a pandemia, que migrou dos porões de aviões de passageiros em sua maioria em Guarulhos (que diminuíram seus voos) para os chamados aviões “cargueiros puros”, regulares no terminal aéreo campineiro.

O aeroporto de Campinas saltou de 9 posições de estacionamento por dia para um pico de quase 25 aeronaves. “Possuímos a liderança na carga aérea no Brasil com 40% de movimento na importação. E, com essa migração, a exportação também cresceu consideravelmente”, avaliou Mota.

Outros fatores impactantes, foram as faltas de navios e de contêineres no mercado marítimo, fatos que até de forma inesperada (em função principalmente de custos), também incidiram em mudança de perfil de embarque do marítimo para o aéreo, neste período turbulento.

Força do Brasil – “Estamos localizados no chamado “triângulo dourado brasileiro”, composto por três cidades – São Paulo, Campinas e Sorocaba – que possuem mais de 50 mil empresas de destaque”, enalteceu Mota. Neste ponto reside uma das variáveis de sucesso de Viracopos.

Além de todos os impactos no ano, não se pode deixar de mencionar que o Aeroporto de Viracopos conviveu durante um tempo (dezembro de 2021 ao mesmo mês de 2022) um ano completo e difícil, não só pelo ambiente externo ligado à recuperação da Pandemia e guerra na Europa, mas também pelo movimento “Operação Padrão da Receita Federal”, que durou exatamente este período.

Somente agora, os índices chegaram a prazos médios aceitáveis de antes da pandemia e em 2023 os tempos de desembaraço iniciarão o ano de volta aos patamares normais, esta última informação em previsão anunciada ainda em dezembro pela RFB, em um evento do setor.