Suprema Corte dos EUA redefine limites tarifários: análise técnica e lições para o comércio global

Por Marcelo de Castro*

Introdução

Quando os tribunais mais altos se pronunciam sobre questões que moldam os preços relativos e as rotas logísticas do comércio internacional, o efeito se espalha muito além das páginas dos diários oficiais. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o Presidente a impor tarifas de importação — um golpe direto em tarifas amplas decretadas pela Casa Branca e um gesto de reafirmação da separação de poderes. O acórdão, adotado por maioria de seis votos a três, delimita a possibilidade de usar decretos de emergência para remodelar o sistema tarifário norte‑americano. Na opinião da Corte, basear‑se em duas palavras — “regulate” e “importation” — separadas por 16 outras no texto do IEEPA para justificar um poder tarifário ilimitado é implausível: “o Presidente afirma o poder independente de impor tarifas sobre importações de qualquer país, de qualquer produto, em qualquer taxa, por qualquer tempo. Essas palavras não podem suportar tal peso”.

O objetivo deste artigo é apresentar essa decisão com a clareza narrativa típica de grandes veículos internacionais. Partindo de uma retrospectiva cronológica do processo, avançamos pela composição da votação e chegamos aos impactos para o comércio internacional e para o trabalho diário de despachantes aduaneiros, operadores e economistas. Um breve aparte sobre tecnologia de governança mostra como ferramentas digitais tornam‑se peça indispensável no tabuleiro aduaneiro.

O caso e a disputa

Logo após assumir o cargo, o então presidente Donald Trump declarou emergências nacionais para combater o tráfico de drogas procedente do Canadá, do México e da China e para reduzir déficits comerciais considerados “persistentes”. Invocando o IEEPA, determinou tarifas de 25 % sobre a maioria das importações do Canadá e do México e de 10 % sobre produtos chineses. Pouco depois, instituiu tarifas “recíprocas” de pelo menos 10 % sobre todas as importações e elevou alíquotas para dezenas de países. Essas medidas, desvinculadas de listas específicas de produtos ou de investigações formais, foram contestadas por empresas e por doze estados norte‑americanos. As ações foram ajuizadas no Tribunal Distrital de Columbia e no Tribunal de Comércio Internacional, que decidiram contra o governo.

O governo apelou, mas o Circuito Federal, em sessão plenária, manteve a conclusão de que o IEEPA não conferia poder para impor tarifas “ilimitadas em escopo, valor e duração”. Diante do dissenso entre tribunais, os recursos chegaram à Suprema Corte, que consolidou os casos e ouviu as partes em novembro de 2025.

Cronologia resumida do processo

Data (2025–26) Marco processual
17 jun 2025 Petição para concessão de certiorari antes de julgamento apresentada pelos demandantes (Learning Resources, Inc. e outras empresas). No mesmo dia, os advogados pediram urgência na análise .
20 jun 2025 Resposta do governo e amici curiae; pedido de tramitação acelerada negado.  
5 ago 2025 Réplicas dos demandantes; processo distribuído para conferência de 29 de setembro.  
9 set 2025 Suprema Corte concede certiorari nos casos 24‑1287 e 25‑250, consolidando‑os e marcando audiência para novembro.  
5 nov 2025 Sessão oral em Washington, com participação de advogados do governo federal, das empresas e dos estados.
20 fev 2026 Julgamento publicado: a Suprema Corte vaca o acórdão no processo 24‑1287 por falta de jurisdição e afirma, por maioria, a decisão que declarou ilegais as tarifas baseadas no IEEPA.  

A linha do tempo mostra que, em poucos meses, um litígio iniciado em tribunais especializados chegou ao Supremo e teve desfecho rápido em termos históricos. Isso se explica pela magnitude econômica das tarifas — estimadas em mais de 160 bilhões de dólares arrecadados de importadores — e pelo seu impacto sobre a cadeia de suprimentos global.

A votação e os votos

A maioria da Corte foi composta pelo chefe de justiça John Roberts e pelas ministras Sonia Sotomayor, Elena Kagan, Amy Coney Barrett, Ketanji Brown Jackson e pelo ministro Neil Gorsuch. Esses seis magistrados concordaram que o IEEPA não delega ao Presidente o poder de impor tarifas de importação. Roberts escreveu a opinião da Corte para as partes I, II‑A‑1 e II‑B do acórdão, com adesão integral das colegas; para os trechos II‑A‑2 e III, que discutiram a doutrina das “grandes questões” (major questions doctrine), apenas Gorsuch e Barrett o acompanharam.

O ministro Gorsuch e a ministra Barrett apresentaram opiniões concorrentes, realçando a necessidade de deferência limitada ao Executivo em temas econômicos sensíveis. A ministra Kagan, acompanhada por Sotomayor e Jackson, concordou em parte e no resultado, mas defendeu apoio à decisão com base em métodos interpretativos diferentes. Jackson redigiu ainda uma breve concordância, enfatizando o papel da história legislativa.

A dissidência reuniu os ministros Clarence Thomas, Brett Kavanaugh e Samuel Alito. Em votos separados, Thomas e Kavanaugh acusaram a maioria de restringir indevidamente a capacidade do Executivo de reagir a emergências internacionais, chamando atenção para precedentes que, em sua visão, permitiriam maior latitude. Alito aderiu à divergência de Kavanaugh.

Em resumo, o placar de 6‑3 reflete um corte transversal das correntes interpretativas no tribunal e demonstra convergência entre liberais e alguns conservadores quanto à necessidade de preservar a competência tarifária do Congresso .

Fundamentação constitucional e citação de trechos‑chave

Para sustentar a conclusão, o chefe de justiça John Roberts regressou ao texto constitucional e à história fiscal dos Estados Unidos. No voto da Corte, ele frisou que o artigo I da Constituição concede ao Congresso o poder de “levantar e arrecadar impostos, direitos, impostos de importação e outras contribuições” e que esse poder é o mais importante das autoridades conferidas à União. Roberts lembrou que a imposição de tarifas é uma expressão do poder tributário: “o poder de impor tarifas é muito claramente um ramo do poder de tributar. ‘Uma tarifa’, afinal, ‘é um imposto sobre bens e serviços importados’”.

O voto majoritário também resgatou a lógica dos Federalistas: após a revolução que lutou contra a “tributação sem representação”, os Framers deram ao Congresso “acesso exclusivo aos bolsos do povo” e exigiram que todas as leis de receita tivessem origem na Câmara dos Representantes. Assim, reforçou‑se que nenhuma parte do poder de taxação foi investida no Executivo. Na audiência oral, o governo reconheceu essa realidade: “o Presidente não possui autoridade inerente para impor tarifas durante tempos de paz”.

Roberts rebateu o argumento de que as palavras “regulate” e “importation” no IEEPA concederiam uma delegação ampla: o Governo interpreta esses termos como se autorizassem o Presidente a impor tarifas de valor e duração ilimitados sobre qualquer produto, de qualquer país, mas — insistiu a Corte — “essas palavras não podem suportar tal peso”.

O que muda e o que permanece

A decisão da Suprema Corte retira uma peça de grande poder do tabuleiro do Executivo, mas não encerra a partida. As tarifas impostas sob o IEEPA deixaram de ter amparo legal, e a Corte remeteu o tema ao Tribunal de Comércio Internacional para tratar de devoluções e procedimentos de ressarcimento. Contudo, instrumentos tarifários tradicionais — como as investigações antidumping e compensatórias, as medidas de segurança nacional da Section 232 e as retaliações por práticas discriminatórias da Section 301 — continuam disponíveis e estão fora do alcance da decisão .

Na prática, isso significa que o risco comercial não desaparece; ele se desloca para canais mais estruturados. As empresas deverão redobrar atenção aos códigos tarifários, à comprovação de origem e às descrições técnicas de mercadorias, pois medidas cirúrgicas, baseadas em listas e investigações, tendem a ganhar espaço. Além disso, há expectativa de litígios para reaver valores pagos e de discussões sobre eventuais substituições de tarifas derrubadas por novas exações baseadas em outras leis .

Aparte: tecnologia e governança aduaneira

Em um cenário em que as decisões de política comercial migram de instrumentos amplos para medidas pontuais e altamente técnicas, tecnologia deixou de ser acessório e tornou‑se elemento central de governança. Plataformas de monitoramento tarifário, classificação automatizada e análise de risco — como as apresentadas na WCO Technology Conference em Abu Dhabi — permitem acompanhar alterações de alíquotas, identificar inconsistências entre descrição e código tarifário e antecipar investigações. Para despachantes aduaneiros e operadores logísticos, a adoção de sistemas que integrem classificação, origem e valoração em tempo real reduz a exposição a multas e a interrupções na cadeia de suprimentos.

Essa sinergia entre tecnologia e conformidade também beneficia as autoridades aduaneiras, que podem direcionar fiscalização para operações de maior risco e, ao mesmo tempo, facilitar o despacho de empresas com histórico e documentação sólidos. Em outras palavras, ao lado da separação de poderes reafirmada pela Suprema Corte, cresce a demanda por governança digital que transforme volatilidade em gestão.

Conclusões

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o uso do IEEPA para impor tarifas é um movimento que reposiciona o jogo, mas não encerra a partida. Ao reafirmar que o poder de criar tarifas pertence ao Congresso, a Corte limita a margem de manobra do Executivo para usar emergências como atalho tributário. Roberts e a maioria lembram que a Constituição entrega ao Legislativo o poder de arrecadar e que a imposição de tarifas é “um imposto sobre bens e serviços importados”. Na visão da Corte, ler as palavras “regulate” e “importation” como autorização para “tarifas ilimitadas” seria uma delegação extraordinária de poder que o texto e a história não sustentam.

Para a comunidade global de comércio exterior, isso se traduz em um ambiente menos sujeito a sobressaltos amplos e mais dependente de processos formais, listas específicas e investigações. O risco tarifário permanece, porém assume forma distinta: mais técnica, mais setorial e, potencialmente, mais previsível. Nesse contexto, operadores brasileiros e de outros países que investirem em conformidade aduaneira, governança de dados e tecnologia sairão na frente.

A lição final é que a segurança jurídica não elimina a volatilidade; ela a desloca para onde há melhor capacidade de gestão. Em um mundo de cadeias globais altamente integradas, essa distinção faz toda a diferença.

 

*Marcelo de Castro é Despachante Aduaneiro e Economista, com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Diretor de Marketing Institucional do SINDASP – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo.

Referências bibliográficas (ABNT)

SUPREME COURT OF THE UNITED STATES. Learning Resources, Inc., et al. v. Trump, President of the United States, et al. Nos. 24‑1287 e 25‑250. Slip opinion. Washington, D.C.: Supreme Court, 20 fev. 2026. Disponível em: https://www.supremecourt.gov/opinions/25pdf/24-1287_4gcj.pdf. Acesso em: 21 fev. 2026.

SUPREME COURT OF THE UNITED STATES. Docket for 24‑1287 – Learning Resources, Inc. v. Trump. Washington, D.C., 2025–2026. Disponível em: https://www.supremecourt.gov/search.aspx?filename=/docket/docketfiles/html/public/24-1287.html. Acesso em: 21 fev. 2026 .

SUPREME COURT OF THE UNITED STATES. Docket for 25‑250 – Trump, President of the United States, et al. v. V.O.S. Selections, Inc., et al. Washington, D.C., 2025–2026. Disponível em: https://www.supremecourt.gov/docket/docketfiles/html/public/25-250.html. Acesso em: 21 fev. 2026 .

TAX FOUNDATION. Supreme Court Strikes Down President Trump’s Tariffs. Tax Policy Blog, 20 fev. 2026. Disponível em: https://taxfoundation.org/blog/supreme-court-trump-tariffs-ruling/. Acesso em: 21 fev. 2026 .

Falta um mês para o 31º Gourmet Comex, em novo espaço no SMEAT

Faltam exatos 30 dias para a 31ª edição do Almoço de Conteúdo e Networking Gourmet Comex, consolidado como um dos encontros mais relevantes e prestigiados do calendário do comércio exterior brasileiro.

A sua 31ª edição reunirá no próximo dia 20 de março, autoridades, lideranças institucionais e executivos que atuam diretamente na dinâmica das operações internacionais. O Espaço SMEAT Gastrobar, no charmoso bairro Gramado, é a nova casa do Evento, em Campinas, no forte interior de SP.

Reconhecido por proporcionar um ambiente qualificado de relacionamento e integração, o evento reforça seu papel como ponto de convergência entre carca de 150 convidados, com representantes do setor público, lideranças do setor privado, especialistas e tomadores de decisão, fortalecendo o diálogo e a construção de soluções estratégicas para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

CONFIRMADOS E VINHO DV CATENA – Pra se ter ideia da robustez do Encontro, logo após ter seu novo local divulgado (o SMEAT, no charmosos Bairro Gramado), o evento já anunciou as primeiras adesões de apoiadores e marcas de valor: CIESP Campinas, Intermodal, Sindasp, ABV (Viracopos), Hellmman Logistics; Bwin Tech; Rodo Import, Unicca e Scan Global Logistics e West Cargo estão no Encontro. O Marca Argentina DV Catena assinará o vinho servido no evento.

A presença confirmada de importantes autoridades do setor, somada à participação ativa de importadores, exportadores e representantes da cadeia logística e aduaneira, eleva ainda mais a relevância do encontro.

O evento se consolida como um espaço privilegiado para networking de alto nível, geração de oportunidades comerciais e troca de experiências práticas, promovendo a aproximação entre os diversos elos do mercado e contribuindo para o fortalecimento institucional e operacional do Comex nacional.

Informações para participação: mkt@gpamais.com.br ou 19 99299-1987.

CIESP Campinas anuncia posse solene e festiva da nova Diretoria e Conselho. Confira como participar.

Cerimônia marcada para 27/03, no Rancho Aveiro, reunirá lideranças industriais, empresários e autoridades da região.  Prato “Porco No Rolete” será uma das atrações.

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) – Regional Campinas promove, no dia 27 de março de 2026, a cerimônia de posse da nova Diretoria e Conselho. O evento marca o início de um novo ciclo de trabalho e representatividade da entidade, que atua em 19 municípios e é uma das regionais mais influentes do estado.

A solenidade desta vez terá um momento festivo e descontraído, ao ser realizada com um almoço, a partir das 12h, no Rancho Aveiro, em Campinas (SP). O tradicional Porco no Rolete, reforçando o caráter de celebração e integração do setor industrial, será servido no evento.

Mais do que um ato formal, a posse representa um momento estratégico de conexão entre empresários, executivos, dirigentes industriais e autoridades públicas. Em um cenário de transformações tecnológicas, reconfiguração das cadeias produtivas e desafios econômicos, a nova gestão assume com o compromisso de fortalecer a competitividade regional, estimular a inovação e ampliar o diálogo institucional.

Integração e networking qualificado – o encontro proporcionará Integração do setor industrial em um ambiente de relacionamento e fortalecimento institucional; Networking qualificado entre associados, parceiros e lideranças empresariais da Região Metropolitana de Campinas; e Celebração de um novo ciclo de representatividade e atuação estratégica do CIESP Campinas.

Serviço – COMO PARTICIPAR CONVITES E PATROCÍNIOS

Data: 27 de março de 2026 – sexta-feira
Horário: A partir das 12h
Local: Rancho Aveiro – Estrada Municipal dos Aveiros – Campinas/SP

  • CONVITES
  • Associado/Parceiro CIESP Campinas: 01 convite gratuito por empresa; convites adicionais a R$ 150,00 por pessoa;
  • Não associado: R$ 300,00 por convite.

Informações e reservas: larissa.mattos@ciesp.com.br – (19) 9.9368-3679 (WhatsApp)

  • PATROCINADORES INTERESSADOS

Falar com Eduardo Brandão – contato@gpamais.com.br ou 19 98842-1680

As vagas são limitadas. A organização recomenda confirmação prévia para garantir participação neste momento especial para a indústria regional.

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“Recertificação CEIV Pharma” e “Smart Pharma” reforçam liderança de Viracopos em logística farmacêutica

Reconhecido como um dos principais Terminais de Carga da América Latina, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), conquistou a recertificação CEIV Pharma, concedida pela IATA (International Air Transport Association), com validade até 31 de dezembro de 2028.

O reconhecimento internacional atesta que o Terminal de Carga de Viracopos cumpre rigorosamente os mais elevados padrões globais de qualidade, segurança e controle na movimentação de cargas farmacêuticas, assegurando a integridade dos produtos ao longo de toda a cadeia logística.

A certificação contempla as categorias Cargo Handling Facility e Ground Handling Service Provider, consolidando Viracopos como um dos principais hubs especializados em cargas farmacêuticas da América Latina.

 Smart Pharma: diferencial estratégico – Outro projetos é dos principais diferenciais do aeroporto é o serviço Smart Pharma, solução integrada desenvolvida para oferecer atendimento personalizado e especializado às cargas farmacêuticas.

O Smart Pharma reúne:  monitoramento ativo de temperatura; acompanhamento dedicado por equipe especializada, priorização operacional, gestão inteligente de ocorrências, e interface tecnológica para acompanhamento em tempo real. A iniciativa eleva o padrão de controle e visibilidade das operações, proporcionando maior transparência e segurança para embarcadores, agentes de carga e indústrias farmacêuticas.

Posicionamento estratégico – Para a gerente Comercial de Cargas, Marina Giffu, a conquista fortalece a imagem de Viracopos como parceiro estratégico da indústria farmacêutica. “A recertificação CEIV Pharma até 2028 consolida Viracopos como referência internacional em logística farmacêutica. Associada ao Smart Pharma, nossa proposta de valor vai além da infraestrutura: entregamos inteligência operacional, controle e confiabilidade, fatores decisivos para o setor”.

Viracopos se destaca pela infraestrutura moderna e dedicada ao segmento farmacêutico, com áreas climatizadas, controle de temperatura, monitoramento contínuo, processos padronizados e equipe treinada segundo as melhores práticas internacionais.

O Terminal de Carga opera com Sistema de Gestão da Qualidade estruturado, gestão de riscos, rastreabilidade completa e integração tecnológica entre sistemas operacionais, assegurando conformidade regulatória, agilidade e previsibilidade nos fluxos de importação e exportação.

Já o gerente de Operações de Cargas, Ricardo Luize, destaca o esforço técnico e o compromisso contínuo com a excelência. “Manter a certificação exige disciplina operacional, treinamento constante e monitoramento rigoroso da cadeia fria. O Smart Pharma reforça esse compromisso ao agregar tecnologia, gestão de risco e acompanhamento especializado às operações”.

Compromisso com a integridade do produto e com o paciente – Mais do que um reconhecimento institucional, a recertificação CEIV Pharma reafirma o papel estratégico de Viracopos na cadeia logística da saúde, garantindo que medicamentos e insumos sensíveis cheguem ao destino com qualidade preservada, contribuindo diretamente para a segurança do paciente.

Com validade até 2028, a recertificação reforça a posição de Viracopos como gateway estratégico para cargas farmacêuticas no Brasil, alinhado às melhores práticas globais e preparado para sustentar o crescimento do setor com excelência, inovação e responsabilidade.

Desde o início da concessão, Viracopos vem investindo na ampliação e melhorias no complexo frigorífico, de forma que atualmente conta com 11 câmaras frias e uma antecâmara com temperaturas controladas que ficam entre -18°C e 22°C. Para o atendimento das cargas farmacêuticas, Viracopos conta com câmaras com temperaturas flexíveis que podem ter seu ‘set point’ alterado, modificando a temperatura do local quando necessário.

Exportações na Região de Campinas têm segundo melhor resultado em 14 anos. Empresas investem para ampliar vendas para o exterior.

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano com alta de 8,01% nas exportações, que chegaram a US$ 390,58 milhões (R$ 2,02 bilhões), contra US$ 361,60 milhões (R$ 1,87 bilhão) de janeiro de 2025. Foi o segundo melhor resultado para o mês em 14 anos, de acordo com a Comex Stat, plataforma da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, abaixo apenas dos US$ 431,68 (R$ 2,23 bilhões) de 2023. “O resultado mostra que a região continua com um bom desempenho nas vendas para o exterior, mantendo o ritmo de 2025, apesar da manutenção do tarifaço dos Estados Unidos para os produtos industriais”, afirmou o economista Felipe Brandão.

As exportações da Grande Campinas foram de US$ 5,45 bilhões (R$ 29,25 bilhões) em 2025, aumento de 11,22% em comparação com os US$ 4,9 bilhões (R$ 26,39 bilhões) do ano anterior. A Comex apontou aumento nas vendas principalmente para América Latina e Europa. A Argentina, um dos principais parceiros econômicos do Brasil, elevou em torno de 21% as importações de produtos da região, enquanto o crescimento para a Colômbia foi de 27% e para o Paraguai, 6,8%. Outros países que também tiveram alta foram a Alemanha, 43%, e a Holanda, 23%.

Nessa busca por ampliar as exportações, uma multinacional de produtos farmacêuticos e hospitalares instalada em Americana acaba de inaugurar um novo centro de distribuição de Santa Bárbara d´Oeste, no qual investiu R$ 100 milhões.

A empresa, de origem austríaca, produz tubos de coleta de sangue a vácuo, sistemas de coleta de amostras de sangue e urina de pessoas e animais, sistemas digitais para préanálise, cânulas de segurança e outros produtos. “Esta ampliação será mais um marco para indústria, que, em 2003, instalou sua primeira fábrica em Americana e vêm apresentando crescentes resultados positivos”, afirmou o diretor-geral da Greiner Bio-One para a América Latina, Haroldo Graci.

AMPLIAÇÃO – A multinacional exporta para 16 países latino-americanos e o objetivo é aumentar a presença nesse mercado e ampliar o número dos países para os quais exporta com o novo centro de distribuição, que está em operação e modernizou e ampliou o sistema de logística da companhia, que emprega cerca de 400 funcionários nas unidades de Americana e Santa Bárbara d´Oeste. Ele está localizado no Distrito Industrial, nas proximidades das rodovias dos Bandeirantes e Luiz de Queiroz.

De acordo com a empresa, a localização é estratégica, perto do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, de São Paulo e das rodovias Anhanguera, Bandeirantes e do Rodoanel, o que garante fácil acesso também aos aeroportos de Congonhas e Cumbica e ao Porto de Santos.

No mês passado, as importações da Região Metropolitana somaram US$ 1,24 bilhão (R$ 6,43 bilhões), queda de 8,15% em comparação com o US$ 1,35 bilhão (R$ 7 bilhões) 2025, recorde para janeiro desde o início da série histórica em 2012. Mesmo assim, o valor deste ano está entre os quatro maiores do período, inferior também ao US$ 1,29 bilhão (R$ 6,69) de 2023 e no mesmo patamar de 2024.

Com isso, o saldo negativo da balança comercial da RMC no mês passado ficou em US$ 854,73 (R$ 4,43 bilhões), redução de 13,86% em relação aos US$ 992,20 milhões (R$ 4,78 bilhões) de janeiro de 2025. O déficit foi o menor dos últimos quatro anos. Anteriormente, havia sido em 2021, quando ficou em US$ 784,81 milhões (R$ 4,07 bilhões).

Para o economista Felipe Brandão, a queda do dólar ainda não afetou o comércio exterior. “A moeda norteamericana está relativamente desvalorizado, com os produtos brasileiros ficando mais barato no exterior e não chega a prejudicar as exportações a curto prazo. Porém, depende de três fatores: estrutura de custos, tipo de produto exportado e cenário internacional”, afirmou.

As indústrias automotivas e eletrônicas, explicou ele, podem ver parte do ganho cambial neutralizado em virtude de dependem de muitos insumos importados. Isso ocorre em função de necessitaram um valor maior em reais para fazer cobrir as compras feitas em dólar. “Esses são dois dos maiores setores exportadores da região”, acrescentou o economista.

Os seis itens mais importados pelas empresas da Região Metropolitana de Campinas são produtos usados na fabricação de produtos para abastecer o mercado interno e exportar. Eles são o inseticida, herbicida, compostos heterocíclicos com nitrogênio (usados nas indústrias farmacêutica, química, têxtil, corantes e outras). circuitos integrados eletrônicos, aparelhos para telefonia ou comunicação, soros e vacina.

Com informações: Correio Popular

Foto: Headquarter Greiner Bio-One