O que esperar de um mundo pós Covid-19

É fato que a pandemia já causou alterações nas relações humanas, no mundo do trabalho, na educação e na maneira da sociedade enxergar o universo ao seu redor. É possível ser otimista?

Uma pandemia se alastra pelo mundo. O número de contaminados aumenta dia a dia, deixando a sociedade assustada. O principal instrumento para barrar o alto índice de contágio é o isolamento social. Apesar do cenário de incerteza, algo pode ser afirmado: uma doença mudou a maneira das pessoas se relacionarem e enxergarem o mundo.

A descrição acima pode ser facilmente identificada com os tempos que vivemos hoje. Porém, ela também se encaixa perfeitamente em outro contexto histórico: a pandemia da peste bubônica, conhecida como Peste Negra, na Europa do século XIV.

A comparação história permite a reflexão sobre o momento que vive a humanidade. Olhar para o passado é uma maneira de expandir a consciência histórica e notar quais são as rupturas e as permanências entre contextos do passado e situações do presente.

 

Bons ventos – Em entrevista à CNN Brasil o filósofo e historiador Leandro Karnal previu um período “de grande alegria e felicidade” para a humanidade logo após a pandemia do novo coronavírus.

Segundo ele na tradição histórica, depois de um período de recolhimento e morte, há uma grande explosão de vida. “É o caso do Renascimento após a Peste Negra. Depois da Revolução Francesa, a moda em Paris se tornou muito extravagante e internacionalmente famosa. Haverá uma tendência a uma explosão de sociabilidade em um primeiro momento”, analisou.

Para Karnal três fatores aceleram a história: guerra, revolução e epidemia. “O primeiro fator de uma epidemia, guerra ou revolução é acelerar processos que já estavam em curso. Essa é uma mudança irreversível”, afirmou.

 

Otimismo e dados – Florian Hagenbuch, CEO da Loft – empresa de TI que está reinventando o processo de compra e venda de imóveis no Brasil – também em artigo publicado Medium fez uma análise otimista sobre a pandemia, apontando que “saíremos dessa crise mais rápido que imaginamos”.

Ele compartilha uma série de dados e análises para justificar seu otimismo mais no que diz respeito à crise e, principalmente, no que diz respeito ao Brasil.

O autor acredita que “a taxa de ocupação dos hospitais aparenta estar sob controle”, “a taxa de mortalidade aparenta estar abaixo da expectativa inicial”, “o isolamento social achatou a curva no Brasil”, entre outros pontos. Cada argumento é justificado com um dado positivo sobre a situação brasileira.

 

O que já mudou? – A humanidade ainda deverá ter um longo caminho a trilhar até o final definitivo pandemia do novo coronavírus, em nível local, regional ou global. Porém, já são sentidas diversas mudanças, como por exemplo no mundo do trabalho. Boa parte dos profissionais estão trabalhando remotamente e possivelmente deve ser um modelo que continue sendo replicado no mundo pós-pandemia em vários setores.

Na educação, as aulas on-line também já são uma realidade. É evidente que os impactos dessa medida (reforçando a importância do ensino presencial, especialmente na educação básica), são tão grandes que esta já é uma alternativa que pode continuar sendo explorada no futuro.

Outro ponto que se pode destacar é o aumento da confiança da sociedade nas instituições e na ciência. A pandemia pode ampliar o combate às fake news e novas ferramentas de validação de informação podem surgir.

A Inteligência Artificial também tem sido utilizada nos diagnósticos e também para realizar projeções sobre a disseminação do vírus, a realização de consultas tem sido possível com a telemedicina. São estratégias que podem ser ampliadas em um mundo pós-pandemia.

Espera-se que a experiência com a pandemia seja transformadora para toda a humanidade. Nota-se novos comportamentos em relação ao trabalho e ao mundo da educação, assim como novos sentimentos em relação às instituições tradicionais da sociedade. Além disso, as relações com as pessoas, família e amigos, também passaram a ter um novo sentido.

 

Oportunidades para o Brasil – Artigo publicado pelo portal de negócios InfoMoney aponta oportunidades para o país no pós-pandemia, com a saída de multinacionais da China. Para o autor, “neste exato momento, seja em função da pandemia global, ou da guerra comercial, uma oportunidade imensa se coloca diante de nós”.

Ele explica que há dezenas de grandes empresas globais buscando maneiras de não depender da China em sua cadeia de produção. “Apenas em 2019, foram nada menos do que 50 grandes empresas americanas saindo do gigante asiático…Para o Brasil, essa oportunidade deveria ser um ótimo sinal”, analisou.

Levantamento mostra farmacêuticas com maior capacidade de investimento

Uma análise de mercado da Klooks, startup especializada em inteligência financeira, elencou as dez indústrias farmacêuticas com maior capacidade de investimento no País. Segundo o CEO Alexandre Abu-Jamra, com base nos demonstrativos financeiros das empresas, Hypera Pharma (R$ 2,24 bilhões), Eurofarma (R$ 399 milhões), Sanofi (R$ 324 milhões), EMS (R$ 252 milhões) e Aché (R$ 245 milhões) compõem o top five das empresas com mais fôlego.
“Elas operam com níveis de capitalização altos e dinheiro em caixa significativo, que totaliza em torno de R$ 3,46 bilhões. Apresentam boa capacidade de endividamento, sem contar eventuais linhas específicas do governo que podem vir a surgir para este fim”, explica.
As duas primeiras colocadas do ranking, inclusive, têm em comum o fato de serem genuinamente brasileiras e apostarem na inovação como pilar para manter os níveis de crescimento. A Hypera Pharma investirá cerca de R$ 200 milhões em um programa de fomento a startups com foco em soluções disruptivas de saúde e para o varejo. A companhia também começou 2020 fortalecida pela compra de ativos da Boehringer Ingelheim por R$ 1,3 bilhão, o que incluiu marcas líderes de mercado como o Buscopan.
Já a Eurofarma lançou, no fim do ano passado, o fundo Axon Ventures. A proposta é buscar uma participação minoritária em projetos de tecnologia focados na saúde e que estejam em estágio inicial. O aporte previsto é de R$ 45 milhões. Outros R$ 155 milhões foram destinados para um prédio exclusivamente voltado a pesquisa e desenvolvimento, que deverá ser inaugurado ainda este ano em Itapevi, na Grande São Paulo.


Receita líquida – A startup também listou os dez laboratórios com maior receita líquida no país. A Bayer lidera com R$ 7,84 bilhões, seguida por Eurofarma (R$ 4,82 bi), Sanofi (R$ 4,28 bi), EMS (R$ 3,62 bi) e Hypera Pharma (R$ 3,29 bi). Motivada por esse resultado, a companhia alemã transferiu para a cidade de São Paulo o escritório da divisão farmacêutica na América Latina. O Brasil já é o segundo mercado global da indústria, que planeja agora direcionar investimentos para atender governos e operadoras por meio de medicamentos de alta complexidade. Essa categoria representa 20% do faturamento.

 

Menores resultados operacionais
Quando o assunto é a margem operacional (Ebitda), a Biomm alcançou o pior resultado – com índice negativo de 536,61%. Cellera (-29,16%), Vital Brazil (-21,73%), Pharlab (-6,44%) e Bahiafarma (-2,02%) completam a lista dos que obtiveram desempenho inferior a 0%.
No caso da Bioom, esse Ebitda negativo pode ter sido impactado pelos vultosos recursos direcionados para o Afrezza®. A empresa anunciou, em janeiro, o início da comercialização da inédita insulina humana inalável em pó.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

FMI enfatiza que está pronto para mitigar impacto da covid-19 na economia global

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou em comunicado que uma série de autoridades de organismos multilaterais realizaram videoconferência nesta terça-feira, 21, a fim de tratar dos esforços adotados para lidar com os impactos da covid-19 na economia global.

A reunião contou com vários diretores de entidades que administram financiamentos em nível regional, como o colombiano José Darío Uribe, presidente executivo do Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR), e também com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.

Na nota, o FMI diz que as autoridades ressaltaram a necessidade de esforços combinados e multilaterais para enfrentar esta “crise extraordinária humana e econômica causada pela pandemia”.

“O FMI e os arranjos de financiamento regionais do mundo seguem unidos para lidar com os desafios globais relacionados à pandemia de coronavírus”, afirma o comunicado, que também diz já haver um compromisso dos envolvidos nessas “circunstâncias sem precedentes”, ressaltando ainda a importância de uma resposta abrangente aos problemas.

De olho no pós-pandemia, Governo lança programa para retomada da economia

O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, apresentou nesta quarta-feira (22/4) um programa do governo federal que visa reduzir os impactos do novo coronavírus nas áreas social e econômica. A iniciativa, que deve ter início somente após o fim da pandemia no Brasil, foi intitulada Pró-Brasil, e terá como foco a criação de postos de emprego mediante investimentos em obras públicas e parcerias com o setor privado.

“O programa é estratégico e visa integrar e aprimorar ações para a retomada do crescimento socioeconômico em resposta aos impactos que o país sofreu do coronavírus, dessa pandemia”, comentou Braga Netto, em coletiva no Palácio do Planalto que marcou o anúncio do Pró-Brasil

Presente à cerimônia, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, comentou que ao menos R$ 30 bilhões sejam disponibilizados por meio de investimentos públicos e outros R$ 250 bilhões possam ser utilizados via contratos de concessões e privatizações. Ele garantiu que o Executivo federal não quer dar nenhuma “pirueta fiscal” e pretende, ainda, gerar mais de 1 milhão de postos de emprego com o Pró-Brasil.

“Vamos dar continuidade ao que já estava funcionando, como o vigoroso programa de concessões. Vamos trabalhar no ambiente de negócios para trazer investimentos em concessão, de R$ 250 bilhões. Também estimamos valor de R$ 30 bilhões para investimentos públicos. Não vamos dar nenhuma pirueta fiscal, nenhuma cambalhota”, comentou o ministro.

De acordo com a Casa Civil, o programa atuará com ênfase em dois eixos: ordem e progresso. No eixo ordem encontram-se as medidas estruturantes como o aprimoramento do arcabouço normativo; atração de investimentos privados; maior segurança jurídica e produtividade; melhoria do ambiente de negócios; e mitigação dos impactos socioeconômicos. E, no eixo progresso, estão previstos investimentos com a realização de obras públicas e de parcerias com o setor privado.

A pasta ainda apresentou um cronograma do Pró-Brasil, sendo que o programa deve ser estruturado de maio a julho. Entre agosto e setembro, os projetos serão detalhados, e a partir de outubro, haverá a implementação em larga escala. Após isso, o governo vai acompanhar a efetividade dos projetos.

Nesta manhã, Braga Netto apresentou o programa em encontro com o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros. Segundo ele, “todos os ministros foram favoráveis” á proposta e na próxima sexta-feira (24/4) será feita a reunião inaugural do Pró-Brasil. “Não é um programa só de governo, é de Estado. A nossa previsão de trabalho deste programa está em um universo temporal de dez anos, até 2030. Estamos pensando a longo prazo”, destacou.

De acordo com o ministro, o programa não é um espelho do Plano Marshall, usado pelos Estados Unidos para recuperar a economia de países aliados após a Segunda Guerra Mundial. “O que existe é o Plano BRasil. Isso aqui não é um programa de recuperação econômica, ele é de crescimento socioeconômico, é para toda a infraestrutura que foi abarcada ou atingida pelo coronavírus”, disse Braga Netto.

Receita Federal dilata prazo para apresentação de Certificado de Origem nas importações

Instrução Normativa também amplia rol de produtos com desembaraço prioritário.

Foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União a Instrução Normativa nº 1.936/2020, que permite a apresentação do Certificado de Origem até 60 dias após o registro da Declaração de Importação. O Certificado de Origem é um documento que atesta a origem da mercadoria comercializada entre países que possuem acordos comerciais, o que resulta em benefícios tarifários para o importador.

A ampliação do prazo para a apresentação do documento deve-se à dificuldade encontrada pelos importadores brasileiros para obter o documento junto aos órgãos oficiais de países que estão em quarentena por conta da pandemia do coronavírus. Para obter o benefício tarifário, a transação deverá vir amparada por uma declaração do próprio exportador, bem como um termo de responsabilidade do importador consignando os benefícios tributários recebidos.

A IN 1.936/2020 também ampliou o rol de produtos que terão seu despacho de importação realizado de maneira prioritária para auxiliar no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus. Dentre os produtos incluídos estão equipamentos e matérias-primas para produção de máscaras de proteção e respiradores, além de medicamentos como o paracetamol. Estes produtos terão maior celeridade no trâmite aduaneiro, sendo permitida a entrega da mercadoria ao importador antes da conclusão da conferência aduaneira. Além disso, as declarações de importação envolvendo estas mercadorias deverão ter tratamento prioritário, tanto pelas unidades da Receita Federal, quanto pelo depositário responsável por sua custódia.

Com a nova norma, a Receita Federal busca manter um fluxo rápido de abastecimento de bens, mercadorias e matérias-primas destinadas ao combate da epidemia, e evitar gargalos nos recintos aduaneiros ao agilizar a entrega da carga e permitir sua utilização econômica para reforçar o combate ao vírus.