CNI defende revogação do acordo marítimo Brasil e Chile

O acordo de reserva de carga estabelece que somente armadores brasileiros e chilenos podem transportar cargas marítimas na rota 

Em entrevista à Agencia CNI de Notícias, o grente-executivo  de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria CNI), Wagner Cardoso, defende a revogação do acordo marítimo assinado pelo Brasil e Chile há 41 anos por considerar que o documento “prejudica o comércio entre os dois países” e “presta um desserviço à sociedade brasileira”. Na opinião dele, com o acordo “perdem os exportadores e os importadores, e a sociedade em geral, que perde emprego, renda e atividade econômica”.

O acordo de reserva de carga estabelece que somente armadores brasileiros e chilenos podem transportar cargas marítimas na rota Brasil-Chile e segundo o diretor da CNI “a prática tem demonstrado que o que faz reduzir os preços do frere e aumentar o nível de eficiência do serviço é a competição”.

As normas do acordo impedem, por exemplo, que um navio que sai de um terceiro país e passa pelo Brasil antes de chegar ao Chile possa levar mercadorias brasileiras para o país vizinho, conforme destaca Wagner Cardoso: “apenas os navios de bandeira brasileira e chilena podem fazer esse tipo de transporte. O monopólio torna o transporte mais caro. Na prática, um navio da China com destino ao porto de Valparaiso (Chile) não pode levar mercadorias brasileiras para o porto chileno mesmo que passe antes pelo Porto de Santos”.

Na entrevista, Wagner Cardoso fez um balanço sobre a nova Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), classificando a norma como positiva para o setor portuário. Ele observa que, em três anos, houve avanços significativos em relação aos Terminais de Uso Privado (TUPs), mas pondera que o governo deve priorizar a privatização de administrações portuárias. O gerente também defende a revogação do acordo marítimo de reserva de carga entre Brasil e Chile, que, há 41 anos, impõe um monopólio ao frete entre os dois países sul-americanos. Confira a entrevista:

Agência CNI de Notícias – O Brasil investe pouco em infraestrutura, apenas 2% do PIB. Quanto o país deveria investir?

Wagner Cardoso – O Brasil está investindo hoje cerca de R$ 120 bilhões por ano em infraestrutura, mas tem que pular para cerca de R$ 300 bilhões para chegar a 5% do PIB. O único caminho para conseguir isso é aumentando a participação do setor privado nos investimentos, na gestão e no financiamento da infraestrutura. A ampliação do investimento em infraestrutura é um dos caminhos para atenuar a crise que o país enfrenta atualmente.

Agência CNI de Notícias – Quais medidas o senhor sugere para destravar a infraestrutura do Brasil?

Wagner Cardoso – De forma geral, não precisamos de mais leis. As leis são boas, os marcos regulatórios são bons. O que é preciso é que o Poder Executivo melhore a sua gestão e avance com editais de privatização de melhor qualidade. É preciso também reestruturar o Ministério dos Transportes, para que faça realmente um planejamento de longo prazo para o setor, e investir em concessões de rodovias e aeroportos, e na privatização de administrações portuárias.

Agência CNI de Notícias – Qual a expectativa da CNI em relação ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal?

Wagner Cardoso – Há uma boa expectativa em relação ao PPI. Trata-se de uma concepção moderna, mas que ainda está sendo estruturada. Estamos ansiosos para ver o que vão lançar no mercado e, ao mesmo tempo, otimistas pelos contatos que fizemos até agora.

Agência CNI de Notícias – Em relação ao setor portuário, o que avançou desde a edição da nova Lei de Portos (Lei 12.815/2013)?

Wagner Cardoso – O balanço é bastante positivo. Foram autorizados 40 novos terminais privados. Para se ter ideia, antes da lei, era autorizado em média um terminal a cada três anos. Em relação aos terminais arrendados, houve também avanço significativo, porque a nova lei permite a antecipação da prorrogação do contrato do terminal, possibilidade que não existia antes. Desde a aprovação da lei, nove terminais foram prorrogados. Isso é interessante para que o empresariado portuário faça investimentos. Portanto, tivemos avanços nos TUPs (Terminais de Uso Privado) e nas áreas dos portos. Isso, não tenho dúvida, vai aumentar a competição no sistema portuário.

Agência CNI de Notícias – O que falta ser feito no setor portuário?

Wagner Cardoso – A principal reivindicação da CNI é a privatização das administrações portuárias. É preciso também melhorar as condições de acesso marítimo aos portos. Outra questão importante é definir logo o decreto das poligonais – atualmente, o único porto grande que tem sua poligonal definida é o de Paranaguá. A lei de 2013 deu um ano para que o governo definisse todas as poligonais. Só vão existir mais terminais privados se o governo definir com clareza essa questão, essencial para a construção desses empreendimentos e primordial para dar maior segurança jurídica ao investidor privado. Basta publicar um decreto, pois a lei já está bem clara quanto a isso.

Agência CNI de Notícias – Os portos não têm funcionado bem sob a gestão do setor público?

Wagner Cardoso – Costumo comparar a administração portuária com um shopping. O síndico do shopping é a administração portuária, enquanto as lojas são os terminais portuários. Esses últimos estão com a produtividade alta, são todos privados. Falta privatizar a administração do shopping, que hoje é ineficiente e não está preparada para dar o salto de qualidade que os portos brasileiros precisam.

Agência CNI de Notícias – Há 41 anos um acordo marítimo de reserva de carga entre Brasil-Chile está em vigor. Qual a sua avaliação? 

Wagner Cardoso – A ideia, na década de 1970, quando foi concebida, não era ruim. No entanto, era para o acordo durar três ou quatro anos, mas já está aí há 41 anos. O principal problema dessa reserva é o forte poder que coloca nas mãos dos armadores para a negociação de frete. Pelo acordo de reserva de carga, somente armadores brasileiros e chilenos podem transportar cargas marítimas no tráfego Brasil-Chile. A prática tem demonstrado que o que faz reduzir os preços do frete e aumentar o nível de eficiência do serviço é a competição. Essa reserva está prejudicando o comércio bilateral entre Brasil e Chile. O acordo está prestando um desserviço à sociedade brasileira. Perdem os exportadores e os importadores, e a sociedade em geral, que perde emprego, renda e atividade econômica.

Agência CNI de Notícias – Como funciona essa reserva? Um navio que sai de outro país e passa pelo Brasil antes de chegar ao Chile não pode levar mercadorias brasileiras para terras chilenas?

Wagner Cardoso
 – Não pode, só se for de bandeira brasileira ou chilena. O monopólio torna o transporte mais caro. Na prática, um navio da China com destino ao porto de Valparaiso (Chile) não pode levar mercadorias brasileiras para o porto chileno mesmo que passe antes pelo Porto de Santos.

Fonte: CNI

Brasil e Argentina assinam acordo que reduz em 35% custo de certificados de origem

Certificado de Origem Digital vai diminuir tempo para obtenção do documento de até três dias para cerca de 30 minutos

Brasil e Argentina firmaram, nesta terça-feira (2), Declaração Conjunta orientando as áreas técnicas dos países a dar prosseguimento ao Projeto Piloto do Certificado de Origem Digital (COD).

A inovação deve gerar economia de tempo: atualmente, a obtenção do certificado leva até 24 horas, podendo chegar a três dias quando a entidade emissora não se localiza na cidade da empresa solicitante. A expectativa é de que a emissão eletrônica do COD reduza esse prazo para 30 minutos.

O acordo foi assinado pelos ministros Marcos Pereira e Francisco Cabrera, representando o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil (MDIC) e o Ministério da Produção da Argentina. Na avaliação de Pereira, o certificado de origem digital representa economia de custos de pelo menos 35% na emissão do documento, uma vez que reduz gastos com logística.

De janeiro a julho de 2016, a corrente de comércio entre Brasil e Argentina registrou US$ 12,5 bilhões. O país vizinho figura como o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Para o ministro Francisco Cabrera, a simplificação dos trâmites contribui para fortalecer o potencial de comércio das empresas argentinas. Ele destaca também o interesse em avançar para construir uma agenda conjunta entre Brasil e Argentina.

“O plano produtivo do governo para a geração de emprego tem entre seus pilares a simplificação da burocracia e a inserção inteligente no mundo. Este processo com o Brasil está em linha com ambos os objetivos”, disse Cabrera.

O secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, e o secretário de Comércio da Argentina, Miguel Braun, assinaram Memorando de Entendimento Técnico que vai permitir a aceitação de assinaturas eletrônicas entre os governos.

O certificado de origem digital é o documento eletrônico que atesta a origem da mercadoria, assinado digitalmente pelo exportador e pelo funcionário habilitado da entidade emissora autorizada pelo Mdic. O COD atende a rígidos padrões de segurança, dando maior confiabilidade à transação comercial. Brasil e Argentina serão os primeiros países a adotar o mecanismo. 

Acordo de Cooperação – Os ministros também assinaram o Acordo de Cooperação em Facilitação de Comércio entre Brasil, Argentina e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O acordo prevê a troca de informações técnicas e de experiências no desenvolvimento do comércio exterior, na harmonização e simplificação de processos e exigências de dados, na coordenação das ações de agentes intervenientes no comércio exterior e na promoção da transparência nas relações comerciais bilaterais. 

Comércio bilateral – Neste ano, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 1,8% em relação aos primeiros sete meses de 2015, passando de US$ 7,6 bilhões para US$ 7,5 bilhões. A participação da Argentina nas exportações brasileiras em 2016 é de 7%.

No acumulado do ano, o Brasil registra superávit de US$ 2,5 bilhões. As exportações brasileiras para a Argentina apresentam a seguinte composição: 93,5% de manufaturados, 3,2% de produtos básicos e 3% de semimanufaturados. A composição das importações, por outro lado, foi de 75% de manufaturados, 21,6% de produtos básicos e 3,4% de semimanufaturados.

Em 2015, a corrente de comércio entre o Brasil e a Argentina atingiu US$ 23 bilhões, com exportações de US$ 12,8 bilhões e importações de US$ 10,2 bilhões, o que resultou num superávit para o Brasil de US$ 2,5 bilhões.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Indústria,

Comércio Exterior e Serviços

Dica da Semana – Riyad – Esfiha de Avelã

Um sabor sem comparação. Esta é a descrição da “dica da semana” do Portal GPA LogNews para a comunidade de comércio exterior e logística de Campinas e Região que visitar o Restaurante da Cozinha Árabe: Riyad. A Esfiha de Avelã é um pedido que recomendamos para os amantes da culinária árabe.

Esta é a “dica da semana” do Portal GPA LogNews para a comunidade de comércio exterior e logística de Campinas e Região para conhecer o Restaurante da Cozinha Árabe: Riyad.

O endereço é Rua Antonio Lapa 382 (esquina com Barreto Leme) – Campinas (SP). O telefone é (19) 3254-3458.

O Riyad possui também Espaço Kids, Espaço para eventos e Delivery. Confira!

Movimat 2016 receberá 14º Happy Comex

expo center norteEntre as novidades, traslados executivos saindo e chegando do CIESP Campinas garantirão conforto e a presença de embarcadores do interior de São Paulo, que poderão visitar a Movimat e participar da 14ª edição do Happy Comex. Evento inédito no Expo Center Norte retornará para Campinas em 2017.

Traslados executivos saindo e chegando do CIESP Campinas garantirão conforto e a presença de embarcadores do interior de São Paulo, que poderão visitar a Movimat e participar da 14ª edição do Happy Comex.

Este e outros diferenciais marcarão mais uma edição do melhor clube de networking de comércio exterior e logística do Brasil, que de forma inédita será realizado em São Paulo, no dia 21 de setembro, em evento paralelo à Feira Movimat, um dos maiores e mais importantes encontros do setor na América Latina, este último promovido pela Reed Exibithions.

Atendendo um convite da Reed Exibithions, para realização do Happy Comex no ambiente reservado desta importante Feira, foi formalizada uma aliança ajustada por representantes da Reed e da GPA+, em apoio mútuo nos esforços de comunicação dos eventos.

O Salão Vip do Pavilhão Branco do Expo Center Norte sediará de forma inédita o Clube de Networking, em evento paralelo à Feira Movimat, no dia 21/09, com a presença de importadores e exportadores do Interior e também da Grande São Paulo.

A mudança também possibilitará que os importadores e exportadores de São Paulo conheçam o happy hour que vem atraindo participantes do mercado do interior paulista e que se encontra na 14ª edição.

Em março de 2017 o encontro semestral Happy Comex retorna ao seu palco original em Campinas, no interior de São Paulo.

Abertas as cotas de patrocínio, a ELOG e a Haganá já garantiram presença no evento.

FichaTécnica

14º Happy Comex
Local: Evento Paralelo da Movimat 2016 – Salão Vip do Expo Center Norte (Pavilhão Branco)
Dia 21 de setembro 2016
18h às 22h
Informações: (19) 3383-3555 ou (19) 9 9299-1987

Roda Viva – Mudanças nas cadeiras do COMEX e da Logística. Veja os ajustes nas carreiras de Wilmar Gomes, Hélio Dapena, Eliane Assis e Adam Cunha.

roda em altaSempre aqui na coluna “Roda Viva”, divulgaremos as mudanças no dinâmico mercado de comércio exterior e logística.

Nesta edição trazemos algumas mudanças recentes de empresa ou de cargo, pelas quais passaram alguns profissionais conhecidos e reconhecidos pelo mercado.

Wilmar Gomes – Experiente profissional com passagens na UTI e na Schenker, assumiu como Executive Director/Partner na Gluck Recursos Humanos – Headhunter Comex / Logistica / Supply Chain.

Hélio Dapena – Deixou a ABV e assumiu como BGS Sales Executive Manager na Brink’s Brazil.

Adam Cunha – Permanece na ABV, agora na função de Gerente Comercial de Cargas da Aeroportos Brasil Viracopos S.A. Anteriormente ocupava a função de assessor da presidência para assuntos de logística de carga.

Eliane Assis – Assumiu na ABV (Aeroportos Brasil Viracopos) como Commercial Consultant.

Fonte: Linkedin