CMA CGM compra 48% da Santos Brasil

A CMA CGM, empresa global de navegação e logística, anunciou a aquisição de aproximadamente 48% da Santos Brasil por meio da compra das ações detidas por fundos e entidades geridas por empresas gestoras Opportunity, que estão entre as maiores gestoras de recursos do país. A conclusão da transação, que ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias competentes, é esperada para o primeiro trimestre de 2025. Finalizada esta etapa, a CMA CGM lançará uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) a todos os acionistas da Companhia, visando a aquisição de 100% das ações em circulação, no mesmo preço e condições pactuadas com o Opportunity.

Para a CMA CGM, o investimento é estratégico, pois expande sua presença no Brasil e reforça a sua posição de liderança com um operador global de terminal portuário multiuso. Já o Opportunity encerra uma trajetória de sucesso à frente da Santos Brasil, onde deixa um legado de grande geração de valor, criada a partir do investimento na aquisição do Tecon Santos em 1997.

Quando concluída, a transação marcará o início de um novo capítulo na história da Santos Brasil, que passará a fazer parte de um dos maiores grupos mundiais de navegação e logística. Potencializará também a capacidade de crescimento e investimento na infraestrutura nacional, reforçando o compromisso da Companhia com a ampliação de seus terminais, o aprimoramento de sua excelência operacional, a evolução profissional de seus funcionários, a geração de emprego e o crescimento do Brasil.

A Santos Brasil continuará a trabalhar para o desenvolvimento do Porto de Santos, bem como para o dos demais portos onde atua, acelerando os investimentos para atender à demanda crescente. A empresa se manterá sob a gestão da atual diretoria e os seus ativos continuarão a operar como terminais multiusuário, ampliando a qualidade e a gama de serviços e atendendo aos mais diversos clientes.

Com ação proativa nos principais temas que afetam a sociedade moderna, CMA CGM e a Santos Brasil compartilham dos mesmos valores, com foco na experiência do cliente, busca contínua por eficiência, produtividade e inovação, alinhadas às melhores práticas ESG (Environmental, Social and Governance). A busca pela descarbonização é um objetivo comum às duas organizações e o plano de ação iniciado pela Santos Brasil neste sentido deve ser mantido e reforçado.

Essa convergência de valores favorecerá um processo de integração sustentável, equilibrado e de continuidade dos projetos e iniciativas existentes, com transparência e comprometimento com todos os stakeholders da empresa.

Sobre a Santos Brasil – A Santos Brasil é referência em operações portuárias e logísticas. Há 27 anos opera o Tecon Santos (SP), o maior terminal de contêineres da América do Sul e o mais eficiente do País. Neste período, já investiu mais de R$ 9 bilhões (em termos reais), dos quais aproximadamente R$ 6 bilhões somente no Tecon Santos, em aquisições, expansões, novos equipamentos e tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Atua nacionalmente por meio de oito terminais estrategicamente localizados – sendo três de contêineres (Tecon Santos em SP, Tecon Imbituba em SC e Tecon Vila do Conde no PA), um de veículos em Santos, um de carga geral em Imbituba e três de granéis líquidos em Itaqui (MA). Através da Santos Brasil Logística, que opera de maneira integrada aos terminais, oferece soluções completas do porto ao e-commerce aos seus mais de 9.400 clientes.

É listada no Novo Mercado da B3, o mais elevado padrão de governança corporativa, e signatária do Pacto Global, da ONU, que mobiliza empresas para o avanço relacionado à sustentabilidade. Faz parte do IBOV ESPA, do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 e do índice S&P/B3 ESG. É certificada pelo GPTW, como uma das melhores empresas para se trabalhar, pelo sexto ano consecutivo.

Com início em outubro, duas indústrias são instaladas no interior de SP

A planta industrial da FanTR Technology Resources e Evapco Brasil, fabricantes de sistemas de ventilação subterrânea e torres de resfriamento, deve iniciar suas operações em Sorocaba dentro de um mês. Em março deste ano, as empresas informaram o investimento de R$ 200 milhões e a criação de 400 empregos, inicialmente, contribuindo para o mercado de trabalho local e reforçando Sorocaba como um polo industrial estratégico. As empresas ocupam, em parceria, as instalações que pertenciam à Wobben Windpower Indústria e Comércio Ltda. — produtora de pás eólicas e geradores de energia — na avenida Fernando Stecca, 100, (FOTO) que encerrou as atividades em setembro de 2019.

Especializadas em soluções de ventilação e resfriamento, as duas empresas atendem a setores de mineração, túneis rodoviários, sistemas de metrô, além de instalações industriais e comerciais. De acordo com a FanTR, a tecnologia de ventilação subterrânea que desenvolve “tem um papel crucial na segurança e eficiência em ambientes como minas e túneis, onde a circulação adequada de ar é essencial para a saúde e segurança dos trabalhadores”. Já a Evapco Brasil se destaca na produção de torres de resfriamento, que são fundamentais para regular a temperatura em grandes processos industriais e comerciais.

“O grupo denominado Evapco tem duas empresas no Brasil, a FanTR, que estava em Itu, e a Evapco Brasil, que funcionava em Indaiatuba. A FanTR, que pertencia a outro grupo, foi adquirida em 2013. A Evapco também pertencia a outra empresa, sendo adquirida em 2014 e recebendo investimentos. As duas empresas cresceram muito. Por exemplo, a FanTR cresceu mais de cinco vezes desde a sua fundação oficial”, explicou o gestor de marketing da FanTR, Marcelo Carvalho.

Com o início das operações, a expectativa é de que a planta em Sorocaba se torne um centro produtivo de ponta, impulsionando a competitividade das empresas no cenário nacional e internacional. A chegada da FanTR e da Evapco Brasil também fortalece a indústria local, que já conta com diversos segmentos de tecnologia avançada em automação.

“Em Sorocaba nós vamos juntar as duas empresas no mesmo local. Vão continuar sendo empresas separadas, mas vão compartilhar o local. Vamos ter muita contratação de pessoas e ampliação. Eu diria que a gente só está começando”, completa Carvalho.

Investimentos – A planta da FanTR Technology Resources e da Evapco Brasil não apenas marca o início de suas atividades na cidade, mas também traz planos ambiciosos para o futuro. Segundo Marcelo Carvalho, existe a intenção de expandir as operações em Sorocaba, aumentando a capacidade produtiva e diversificando ainda mais os produtos e serviços oferecidos. A expansão pode implicar na abertura de novos postos de trabalho, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento econômico da região. “A inauguração da planta será em 22 de outubro”, avisa Marcelo.

De acordo com o economista Marcos Canhada, essa movimentação pode ter efeitos amplamente positivos para Sorocaba. “A cidade, há algumas décadas, estabeleceu uma vocação industrial. Essa vocação foi impulsionada pelo deslocamento de grandes empresas, anteriormente locadas na cidade de São Paulo, que buscavam fugir de aspectos que atrapalhavam o crescimento e a gestão. Neste contexto, a cidade de Sorocaba, que possuía fatores atrativos, como bom escoamento logístico, escolas de ensino médio e superior de boa qualidade, foi uma das eleitas para receber indústrias neste período”, ressalta Canhada.

A continuidade destas características, segundo Marcos, se dá pela ampliação da rede de formação técnica e tecnológica, “a criação do parque tecnológico, dentre outros fatores, permitiu a continuidade do processo virtuoso, que continua atraindo empresas, que percebem aqui possibilidades de infraestrutura e mão de obra qualificada para otimizar objetivos empresariais”, finaliza o economista.

Previsão para Sorocaba – A previsão é de que a nova planta, que ocupará as instalações recém-adquiridas da empresa Wobben, na zona industrial da cidade, comece a operar já no mês de outubro.

Deverão ser gerados cerca de 400 postos de trabalho ao longo de três anos, e mais 400 a partir da transferência de profissionais de Itu e Indaiatuba, cidades onde as empresas já atuam.

De acordo com o presidente fundador da FanTR, Carlos Celmin, Sorocaba será sede tanto da unidade fabril como de negócios. “Os atrativos da cidade para investimentos são muitos”, disse Celmin, ao final da reunião com a equipe da Prefeitura de Sorocaba, para a qual detalhou os planos das empresas. “Para começar, é a sede de uma rica região metropolitana, o que já é um grande diferencial”.

O executivo também citou as boas condições de mobilidade urbana do município, a política de logística planejada e bem integrada e a infraestrutura de água, saneamento básico, energia, gás natural e conexão em fibra óptica, além da mão de obra qualificada.

 

Com informações e Fonte: https://www.jornalcruzeiro.com.br

SINDASP participa da primeira reunião da “CONFAC Nacional” com presença do setor privado

A migração das operações de importação para o Portal Único do Comércio Exterior foi um dos principais temas da 8ª Reunião do Subcomitê de Cooperação do Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (Confac), realizada na última segunda-feira (16/9), em Brasília (DF). O processo, que será implementado de forma gradual, de acordo com os modais de transporte e tipos de regimes tributários, começa em 1º de outubro de 2024 e seguirá até o final de 2025.

Este encontro marcou um importante avanço no diálogo com o setor privado, que participou ativamente por meio de dez entidades representativas, entre elas, o SINDASP, que fez sua “estreia” na CONFAC, após assumir assento no Subcomitê, representada pelo seu Presidente Elson Isayama (FOTO). No início de setembro a Entidade foi oficialmente selecionada para integrar e assumiu uma cadeira no Subcomitê de Cooperação do Comitê Nacional de Facilitação de Comércio (CONFAC). A nomeação foi formalizada por meio da publicação da Resolução no Diário Oficial da União, na terça-feira (2/9). O SINDASP, juntamente com outras instituições representativas do setor privado, atuará como convidado permanente, conforme os termos da Resolução Gecex nº 567, de 19 de fevereiro de 2024.

“Esse é um fator chave para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes. A participação desses representantes não apenas facilita a identificação de desafios enfrentados pelos operadores de comércio exterior, mas também ajuda a garantir que as soluções propostas reflitam as necessidades práticas do mercado”, destacou Tatiana Prazeres, Secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex-MDIC).

Na reunião o Subcomitê também discutiu a adesão ao Portal Único pelos chamados órgãos anuentes, que são responsáveis pela emissão de licenças e autorizações no comércio exterior, como agências reguladoras e institutos, incluindo Ibama e Inmetro. A migração envolve a revisão de normas e processos, além da integração dos sistemas desses órgãos ao Portal Único Siscomex. Entre os benefícios para os operadores está a introdução da Licença Flex, que permite múltiplas operações com uma única autorização.

Desburocratização – Outro ponto discutido foi o Plano de Trabalho do Confac, que visa simplificar e desburocratizar as operações de comércio exterior, reduzindo exigências, promovendo maior transparência, adotando tecnologias digitais e melhorando a gestão coordenada de fronteiras. O progresso do plano será monitorado trimestralmente pelos órgãos anuentes, permitindo uma gestão eficiente e contínua das ações.

Durante a reunião, a Receita Federal apresentou a nova versão da ferramenta Classif, utilizada para consultas sobre a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), tratamento tributário e administrativo. O sistema utiliza inteligência artificial, visando padronizar a classificação de produtos, determinar alíquotas de tributos e garantir conformidade legal, promovendo transparência e rastreabilidade nas operações comerciais.

Além disso, foram apresentados os resultados do estudo sobre “gestão coordenada de fronteiras”, conduzido pelo Procomex com apoio do Banco Mundial. O estudo analisou os principais pontos de controle aduaneiro entre o Brasil e os países do Mercosul, identificando gargalos e propondo melhorias para aumentar a eficiência e segurança nas fronteiras brasileiras. As discussões também envolveram agências de controle da Argentina, Paraguai e Uruguai, buscando maior agilidade no fluxo de mercadorias e na coordenação entre os países.

Confac – O Confac é um órgão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), presidido e secretariado pela Secex-MDIC e pela Secretaria Especial da Receita Federal, do Ministério da Fazenda. Entre suas atribuições estão orientar e apoiar a elaboração de normas para facilitar o comércio exterior, além de supervisionar a implementação de programas de simplificação e racionalização.

Para atender demanda global e local, Hitachi Energy anuncia investimento de mais de R$ 1,2 bilhão no Brasil

A Hitachi Energy está comemorando o 70º aniversário de sua presença no Brasil e anuncia um investimento de mais de R$ 1,2 bilhão (aproximadamente US$ 200 milhões), o maior investimento único das últimas décadas no país. O aporte está focado na expansão da fábrica de transformadores da empresa em Guarulhos (São Paulo) e na construção de uma nova fábrica “greenfield”, com conclusão prevista para 2028. Este investimento visa aumentar significativamente a capacidade de produção no Brasil para melhor atender aos mercados doméstico e de exportação

O investimento faz parte dos US$ 1,5 bilhão anunciados anteriormente para aumentar a produção global de transformadores.

Com a expansão em Guarulhos e a nova instalação, a empresa pretende criar 3.000 novos empregos, diretos e indiretos.

“O fato de nossa empresa estar no país há tanto tempo é um reflexo da confiança de nossos clientes em nossa competência técnica e operacional”, afirma Glauco Freitas, Country Managing Director da Hitachi Energy no Brasil. “Esse grande investimento demonstra nosso compromisso para apoiar o Brasil em seus esforços para acelerar a transição energética”, completa.

“Sem dúvida, este investimento recorde é uma demonstração da nossa sólida experiência na fabricação de transformadores, construída ao longo de décadas.”, afirma Alexandre Malveiro, Latin America Regional Manager, Business Unit Transformers da Hitachi Energy. “As instalações em Guarulhos e Blumenau fornecem transformadores de energia e distribuição, reatores de derivação e componentes e equipamentos críticos para sistemas elétricos para as Américas, Europa e Oriente Médio. Com a expansão de nossas capacidades de produção, estaremos ainda mais preparados para apoiar a transição para energia limpa.”

Sete décadas de história – A Hitachi Energy (e suas empresas predecessoras) atua no Brasil desde 1954, quando inaugurou sua fábrica em Guarulhos. Desde então, montou outra planta no Brasil em Blumenau, Santa Catarina, e passou a desempenhar um papel fundamental em projetos críticos do país, como o fornecimento do sistema HVDC para Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo, e o sistema HVDC para o projeto Rio Madeira, um dos maiores elos de transmissão do planeta, com 2.375 quilômetros.

Além de contribuir para o desenvolvimento do setor de energia, a Hitachi Energy também vem dinamizando a educação na comunidade de Guarulhos, como principal patrocinadora do Instituto Amanhecer, organização sem fins lucrativos que atende, desde 1998, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade com educação complementar e já impactou mais de 2000 pessoas em sua história.

Com 1.500 funcionários, a Hitachi Energy no Brasil possui atualmente a maior base instalada de transformadores e equipamentos de alta tensão e está presente em mais da metade dos parques solares e eólicos do país.

A Transformação das Aduanas Globais: a Tecnologia como Pilar da Sustentabilidade, Inclusão e Modernização

Por Nelson Brens, Presidente da ASAPRA – Asociación
Internacional de Agentes Profesionales de Aduanas

No cenário contemporâneo do comércio internacional, os despachantes aduaneiros desempenham um papel fundamental na facilitação do fluxo seguro e eficiente de mercadorias através das fronteiras. Esses profissionais asseguram a conformidade regulatória, garantindo que o comércio global funcione de maneira organizada e previsível. À medida que o comércio internacional se torna cada vez mais digital e interconectado, surge a necessidade premente de modernizar as operações aduaneiras, e a tecnologia emerge como o principal motor dessa transformação.

Como Presidente da ASAPRA (Asociación Internacional de Agentes Profesionales de Aduanas), tenho observado de perto como as administrações aduaneiras ao redor do mundo estão se adaptando, com diferentes níveis de êxito, às novas realidades tecnológicas que marcam o século XXI. Estamos vivendo uma era em que a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas uma força motriz que redefine a eficiência, a transparência e a sustentabilidade das operações aduaneiras.

Os despachantes aduaneiros, reconhecidos pelo Acordo sobre Facilitação do Comércio (AFC) da Organização Mundial do Comércio (OMC), não são apenas intermediários no comércio, mas também agentes de mudança que podem influenciar e acelerar a adoção de inovações tecnológicas. Para que as aduanas mantenham sua relevância e eficácia no cenário global, é essencial que esses profissionais estejam atentos às novas tendências tecnológicas e prontos para colaborar com as administrações na modernização dos processos aduaneiros.

Big Data e Análise de Dados – O Big Data é uma das tecnologias mais promissoras para transformar as operações aduaneiras. Permite a análise de grandes volumes de dados, otimizando processos críticos como auditorias, fiscalização e previsão de riscos. No entanto, a adoção dessa tecnologia ainda é desigual em todo o mundo. De acordo com o relatório da Organização Mundial das Aduanas (OMA), enquanto 33% das administrações na Ásia/Pacífico e 31% na Europa já implementaram o Big Data, nas Américas e Caribe a taxa de adoção ainda é de apenas 24%.

Essa disparidade na adoção tecnológica é preocupante, especialmente considerando o potencial impacto do Big Data nas operações aduaneiras. Estudos sugerem que o uso efetivo do Big Data pode aumentar a eficiência das auditorias em até 35%, enquanto a capacidade de prever e mitigar riscos pode ser ampliada em 40%. Essas melhorias representam uma transformação fundamental na forma como as aduanas operam, reduzindo ineficiências e aprimorando a conformidade regulatória.

A ASAPRA monitora ativamente os avanços na adoção do Big Data por parte das administrações aduaneiras e incentiva o diálogo contínuo sobre como essa tecnologia pode ser mais bem aproveitada. No entanto, a adoção do Big Data não depende apenas da disponibilidade da tecnologia, mas também de uma mudança cultural dentro das administrações aduaneiras. A capacidade de usar dados para tomar decisões informadas e preditivas exige uma mentalidade aberta à inovação e adaptação, um desafio que ainda persiste em muitas regiões, especialmente nas Américas e Caribe.

Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina – Enquanto o Big Data permite a coleta e análise de grandes volumes de informação, a Inteligência Artificial (IA) e o Aprendizado de Máquina (ML) oferecem a possibilidade de automatizar processos e fornecer previsões baseadas em padrões complexos de dados. Essas tecnologias têm o potencial de revolucionar as operações aduaneiras, desde a automação de processos rotineiros até a análise preditiva que pode antecipar riscos e fraudes com precisão sem precedentes.

Apesar de seu potencial, a adoção de IA e ML nas aduanas ainda é limitada. A região do Leste e Sul da África (ESA) lidera a adoção de IA, com 29% das administrações já integrando essas tecnologias, seguida pela Europa (28%) e Ásia/Pacífico (29%). Em contraste, apenas 19% das administrações nas Américas e Caribe implementaram IA, refletindo desafios significativos na integração de sistemas legados com novas tecnologias.

A baixa adoção de IA nas Américas e Caribe não é apenas um problema tecnológico, mas também uma questão de competitividade global. Em um mundo cada vez mais automatizado, as administrações que não adotarem rapidamente a IA correm o risco de se tornarem irrelevantes. Relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a implementação de IA nas aduanas pode aumentar a precisão das operações em até 45%, além de reduzir o tempo de processamento de mercadorias em até 30%.

A ASAPRA acompanha de perto a implementação dessas tecnologias em diversas regiões, promovendo o intercâmbio de melhores práticas e incentivando as administrações a explorarem as possibilidades oferecidas pela IA e ML. Contudo, é evidente que os desafios de infraestrutura e treinamento de pessoal precisam ser superados para que essas tecnologias possam ser plenamente integradas nas operações aduaneiras.

Blockchain – O Blockchain é frequentemente mencionado como uma solução para os problemas de transparência e segurança nas cadeias de suprimentos. A tecnologia permite a criação de registros imutáveis que garantem a rastreabilidade das mercadorias desde a origem até o destino, proporcionando maior confiança no processo aduaneiro e reduzindo o risco de contrabando.

No entanto, a adoção global do Blockchain ainda é lenta. Embora 24% das administrações nas Américas e Caribe tenham implementado Blockchain, outras regiões, como Ásia/Pacífico e Europa, apresentam taxas de adoção de 18% e 17%, respectivamente. Apesar das claras vantagens, como a redução de até 25% nas atividades de contrabando e o aumento de 30% na transparência das operações, muitos desafios persistem.

A implementação do Blockchain nas aduanas enfrenta obstáculos consideráveis, incluindo a falta de padrões internacionais harmonizados e a necessidade de investimentos substanciais em infraestrutura. A ASAPRA observa essas tendências e incentiva discussões sobre como superar as barreiras para a adoção do Blockchain, reconhecendo que o avanço dessa tecnologia depende de uma coordenação global mais ampla e de esforços conjuntos para estabelecer diretrizes que possam ser aplicadas de maneira consistente em diferentes regiões.

Portais Únicos e a Necessidade de Colaboração Tecnológica – O Portal Único é um exemplo de como a tecnologia pode simplificar e acelerar os processos aduaneiros, centralizando todas as informações e documentos necessários para a liberação de mercadorias em um único ponto de entrada. Isso resulta em uma redução de 25% nos tempos de processamento e de 20% nos custos administrativos. Países como Brasil e México que implementaram o Portal Único relataram aumentos significativos na eficiência e transparência das operações.

Apesar do sucesso em alguns países, a implementação do Portal Único ainda enfrenta desafios significativos em regiões com infraestrutura digital limitada. A ASAPRA monitora essas implementações e promove o intercâmbio de melhores práticas entre as administrações aduaneiras, incentivando uma colaboração regional que possa superar os obstáculos à adoção dessa tecnologia.

A efetividade do Portal Único depende da integração eficiente com outras agências governamentais e do apoio técnico para garantir que todas as partes envolvidas possam operar de maneira harmoniosa dentro do sistema. Sem uma cooperação internacional mais sólida e um suporte técnico adequado, muitas dessas iniciativas correm o risco de não alcançar todo o seu potencial.

Sustentabilidade e Inclusão: A Tecnologia como Ferramenta de Transformação – A transição para Aduanas Verdes e a inclusão de mulheres e jovens no setor aduaneiro são objetivos fundamentais para a construção de um futuro mais sustentável e inclusivo. A adoção de tecnologias avançadas desempenha um papel vital na realização desses objetivos.

O uso de Big Data e Blockchain pode garantir a conformidade ambiental ao longo de toda a cadeia de suprimentos, monitorando o impacto ambiental das operações e assegurando que as práticas comerciais respeitem os padrões ecológicos. Segundo a OCDE, a implementação dessas tecnologias pode reduzir as emissões de carbono nas operações aduaneiras em até 20%.

Desafios e Oportunidades Futuras – A modernização das aduanas por meio da tecnologia oferece imensas oportunidades, mas enfrenta desafios consideráveis. A resistência à mudança, a falta de infraestrutura tecnológica e questões de soberania são obstáculos significativos que devem ser superados para que as administrações aduaneiras possam aproveitar plenamente as inovações tecnológicas.

Esses desafios, embora expressivos, não são intransponíveis. As administrações aduaneiras que adotarem uma abordagem proativa em relação à modernização tecnológica, trabalhando em parceria com o setor privado e organismos internacionais, têm uma oportunidade única de se posicionarem como líderes no comércio global.

Reflexões Finais – Estamos em um momento decisivo. A tecnologia tem o poder de transformar as aduanas em instituições mais eficientes, transparentes e justas. No entanto, para que isso ocorra, é necessário um compromisso coletivo com a inovação, tanto por parte das administrações aduaneiras quanto dos líderes globais. A ASAPRA permanece atenta a essas mudanças e monitora ativamente os avanços tecnológicos, reconhecendo seu impacto potencial nas operações aduaneiras e no comércio internacional.

 

Bibliografia

 

  1. Organização Mundial de Aduanas. “Results of the WCO Smart Customs Survey,” julho de 2024.
  2. Organização Mundial do Comércio (OMC). “Trade Facilitation Agreement,” 2020.
  3. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Digitalisation in Customs and Trade Facilitation,” 2023.
  4. Banco Mundial. “Single Window Systems: What Lessons Can We Learn?” 2022.
  5. Fórum Econômico Mundial. “The Future of Customs in the Digital Economy,” 2023.
  6. McKinsey & Company. “Global Supply Chains: How Disruptive Technologies are Changing Trade,” 2022.
  7. Deloitte. “Customs and Global Trade 2030: The Impact of Technology and Data on Customs Compliance,” 2023.
  8. Harvard Business Review. “Ethical Implications of AI and Big Data in Business and Government Operations,” 2023.
  9. UNCTAD. “Digitalization in Customs and Trade Facilitation: The Role of Single Windows,” 2023.
  10. Organização Mundial das Aduanas. “Advancing Gender Equality in Customs: Strategies and Best Practices,” 2022.
  11. OCDE. “Empowering Youth in Trade and Customs through Technology,” 2023.