Viracopos mantém mesmo movimento, mas salta 28% em faturamento em 2022

Para este especial, o Portal LogNews buscou também dados atualizados sobre os números da carga aérea em Viracopos: o fechamento de 2022.

Na movimentação geral de carga – importação, exportação, courrier e carga nacional – embora tenha ocorrido a oscilação negativa no peso de -2%, houve um crescimento de 28% no faturamento do Terminal de Carga em 2022, comparados com 2021. Foram 356.789 toneladas em 2022, contra 364.367 toneladas em 2021 (quando na época atingiu a significativa marca pós pandemia de quase 40% de crescimento).

Já no comportamento da importação, no fechamento de 2022, Viracopos viu seu peso movimentado em cargas procedentes do exterior cair apenas 1,66%. Todavia, o faturamento cresceu na casa de 30%, em função da eficiência, do aumento do dólar e a movimentação de produtos de alto valor agregado, como os medicamentos e vacinas.

Foram movimentadas neste segmento 150.850 toneladas em 2022, contra 153.402 toneladas em 2021.

Já a exportação, cresceu 0,34% em 2022, mas também se destacou no aumento do faturamento de aproximadamente 15% no ano, pelos mesmos motivos da importação. Para um gigante cargueiro esta é uma variável considerável, haja vista, ainda, que de 2021 para 2020, o aumento foi bastante expressivo de 45%.

Com destino ao exterior foram 112.189 toneladas de carga de janeiro a dezembro de 2022, contra 111.808 em 2021.

Novos serviços e desafios para 2023

Viracopos trouxe boas novidades em 2022 aos usuários da carga aérea.

Uma delas foi que se destacou como o primeiro aeroporto do Brasil a disponibilizar o novo serviço de destruição, em solo brasileiro, de embalagens e suportes de madeira (paletes) que acompanham cargas importadas e que não possuem carimbo ou atestado válido de tratamento fitossanitário. Com isso, as empresas importadoras terão os processos mais agilizados e terão os custos reduzidos em até 50%, facilitando o trânsito para o comércio exterior a partir do TECA (Terminal de Carga) de Viracopos.

Além dos ganhos de tempo e da redução de custos, os resíduos das madeiras destruídas serão enviados para algumas indústrias para a utilização como biomassa em fornos industriais. A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, administradora do aeroporto, também espera atrair mais clientes importadores por causa da nova solução, que vai simplificar a operação das empresas

 

Unitização na Exportação – Outra frente foi a unitização de cargas de exportação para calçados e tecidos, este último produto alavancado pela cidade vizinha ao aeroporto de Campinas: Americana, cidade das grandes indústrias fabris.

Mais um novo produto, Viracopos implantou um programa que ofereceu atendimento prioritário para as empresas aéreas cargueiras que forneçam, com antecedência, informações precisas e corretas dos seus voos: o FAST LANE. O objetivo é o de reduzir em até 50% o tempo de desembarque e embarque de cargas internacionais pelo Terminal de Carga.

O Programa Fast Lane oferece um atendimento diferenciado às empresas aéreas cargueiras, premiando sua assiduidade e previsibilidade por meio do processamento prioritário dos voos. Ou seja, as empresas que informarem com antecedência e precisão os dados de voos terão benefícios de atendimento diferenciado.

 

Desafios e Perspectivas 2023 – Mota definiu como dois desafios para o ano que se inicia. A Capacidade x Sistema de Gestão WMS nos armazéns e a melhoria no sistema de tarifação.

 “Além de todas as suas premiações regulares em diversas áreas avaliadas, Viracopos seguirá também com sua vocação no atendimento a grandes projetos. Os exemplos se repetem ano a ano, como as operações da Fórmula 1, Grandes Shows e o grande case de sucesso que foi o tratamento diferenciado na chegada de mais 240 milhões de doses de vacina da Covid, desde o início da pandemia”, avaliou Mota.

Foram investidos R$ 15 milhões em 2022. “Para 2023, a expectativa é a de seguir com aportes na casa de R$ 20 milhões de reais, destinados, nesta oportunidade futura, para as pistas de pouso e taxiway”, explicou Mota.

 Ainda para 2023, Mota não crê em crescimento significativo e Viracopos. “As operações devem se normalizar com a recuperação do setor marítimo e a retomada da capacidade de porão das aeronaves de passageiros para o transporte de carga aérea”, prevê Mota.

Em 2023, não ocorrerão mudanças sobre o processo de relicitação em curso. O Governo Federal adiou o processo de Viracopos para julho de 2024.

Relicitação em 2024?

No final de dezembro de 2022, o TCU retomou o processo de relicitação de Viracopos, ao determinar à Seinfra Rodovia Aviação que desse início às análises de relicitação do Aeroporto Internacional de Viracopos – Campinas/SP (“Viracopos”), conduzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nos termos da Lei 13.448/2017, com as alterações da Lei 14.368/2022, e do Decreto 9.957/2019, iniciando-se a contagem do prazo de análise aplicável.

No início de 2023, em sua posse, Márcio França, que assumiu o novo Ministério dos Portos e Aeroportos, criado agora no Governo Federal, disse que iria conversar com o Presidente Lula, “pois a prioridade é administrar essa situação dos aeroportos que estão sendo devolvidos. Porque as empresas que ganharam as concessões não querem e aí nós temos um problema porque a Infraero também não sabe como gerenciar isso”, avaliou França.

 Após o Governo Federal prorrogar o prazo do processo de relicitação por 24 meses (passando para julho de 2024) a ABV avaliou à época que é importante para que o processo de Arbitragem, em curso desde novembro de 2021, entre a ABV e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), possa chegar aos termos e valores justos de indenização dos atuais acionistas antes do novo leilão. Dessa forma, os cronogramas de Relicitação e de Arbitragem podem se compatibilizar de forma adequada.

A conclusão do processo de Arbitragem antes da realização do leilão vai possibilitar o cumprimento do direito inequívoco de o atual concessionário (ABV) receber toda a indenização antes de deixar o ativo. Aliás, essa garantia foi fundamental e decisiva para que a concessionária pudesse aderir ao processo de relicitação, segundo a ABV.

Importante destacar que a concessionária está cumprindo com todas as suas obrigações estipuladas no Termo Aditivo ao processo de relicitação, sejam elas informacionais, operacionais e regulatórias. O novo prazo também possibilitará que o CPPI (Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos) possa emitir sua opinião com relação à conveniência e à vantajosidade da relicitação pretendida.

“Até o momento não ocorreram mudanças. A Relicitação vai acontecer. Ponto. Independente do processo em curso, seguiremos investindo em infraestrutura e melhorias constantes dos serviços”, finalizou Marcelo Mota, Diretor de Operações da ABV.

O players e o  próprio mercado seguem atentos, principalmente às questões de segurança jurídica no caminho do processo, visando garantir investimentos e planejamento de suas operações.

Aeroporto de Viracopos conquista recertificação CEIV-Pharma até o final de 2025

Consolidado como um dos maiores terminais de carga da América Latina, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), conquistou a revalidação de seu certificado CEIV-Pharma, com validade de 31 de dezembro de 2022 até 30 de dezembro de 2025. Com isso, o terminal se credencia como um dos principais aeroportos do Brasil na importação e na exportação de produtos da indústria farmacêutica.

A certificação é fornecida pela IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos) e tem por objetivo a garantia da padronização do elo logístico para atendimento às “Boas Práticas de Manuseio de Produtos Farmacêuticos”.

O processo de revalidação da certificação começou no mês de outubro de 2022, sendo auditados aproximadamente 285 itens do checklist IATA, possuindo como escopo os processos de importação e exportação das cargas da chamada “Linha Saúde”. Viracopos conquistou a certificação pela primeira vez em 2019.

Além dos processos da recepção da carga Linha Saúde, também são verificados itens de gestão da qualidade, como planejamento de mudanças e análise de riscos e oportunidades, manutenção das câmaras frias e sua limpeza, dentre outras atividades que compõem, direta ou indiretamente, a cadeia logística farmacêutica no aeroporto.

“Com a confirmação do certificado, a concessionária Aeroportos Brasil  Viracopos mantém seu reconhecimento como relevante operador global de cargas de produtos farmacêuticos, sendo acreditado internacionalmente como parte integrante de uma cadeia segura, evidenciando a reconhecida qualidade e confiabilidade de seus serviços para as empresas do ramo farmacêutico e favorecendo o crescimento de novos negócios neste setor para o aeroporto e, principalmente, para o Brasil”, disse o diretor de Operações de Viracopos, Marcelo Mota.

Ao término da auditoria, Viracopos foi novamente certificado pela IATA por mais três anos, não sendo apontada nenhuma não conformidade durante a verificação das áreas visitadas, demonstrando mais uma vez o quão robusto e eficaz é o processo para gestão da carga linha saúde, fornecendo aos clientes e parceiros a garantia dos cuidados para um atendimento de excelência.

Esta conquista é mais um resultado de uma série de investimentos e reengenharia de processos realizados pela concessionária Aeroporto Brasil Viracopos no TECA (Terminal de Carga) desde o início da concessão. “A concessionária vem investindo seguidamente na modernização do Terminal de Carga e na oferta de novos serviços que promovam redução de custos para os agentes do comércio exterior com o Brasil. Em 2023, estas ações serão ampliadas”, completou o diretor de Operações da concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, Marcelo Mota.

A recertificação garante à indústria farmacêutica que o transporte e o armazenamento dos produtos deste segmento estejam em conformidade com as melhores práticas mundiais. Com a garantia de qualidade e confiabilidade nos processos logísticos, Viracopos está pronto para processar ainda mais importações e exportações das principais empresas farmacêuticas do mundo.

Atualmente, Viracopos já atende a algumas das principais indústrias farmacêuticas mundiais. Com a ampliação de suas câmaras frias realizada nos últimos anos, o TECA está preparado para o aumento de demanda do setor farmacêutico. Em 2021 e 2022, por exemplo, Viracopos se tornou uma das principais portas de entrada de vacinas contra a Covid-19, além de receber insumos e matérias-primas de toda a cadeia logística da indústria farmacêutica.

Desde o início da concessão, Viracopos vem investindo na ampliação e melhorias no complexo frigorífico, de forma que atualmente conta com 11 câmaras frias e uma antecâmara com temperaturas controladas que ficam entre -18°C e 22°C. Para o atendimento das cargas farmacêuticas, Viracopos conta com câmaras com temperaturas flexíveis que podem ter seu ‘set point’ alterado, modificando o range de temperatura do local quando necessário.

Novo Ministro quer fortalecer Infraero e descarta privatização do Porto de Santos

O ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB), indicado para a comandar o recém-criado Ministério de Portos e Aeroportos, afirmou na última quinta-feira(22) que o novo governo pretende fortalecer o papel da Infraero no setor de aeroportos e afirmou ainda que a privatização do Porto de Santos, com edital a ser lançado, está descartada.

“É um novo governo. Acho que todo mundo entendeu que é uma vitória de um pensamento político. A gente não tem reservas a nada que seja privado, mas não tem como regra que tem que privatizar tudo”, afirmou França. O Ministério do Porto e Aeroportos será recriado a partir da cisão da atual pasta da Infraestrutura, que conta com também com as áreas de rodovias e ferrovias.

Em conversa com jornalistas, logo após o anúncio de sua indicação como titular da pasta, o futuro ministro sinalizou que as concessões de grandes terminais, como Santos Dumont e Galeão, que estão programadas para o próximo ano, serão revistas e podem não acontecer. “Para fazer uma concessão para o privado, tem que ser em um grau de vantagem especialmente com novos investimentos”, afirmou.

Conforme planejado pelo atual governo, Santos Dumont deveria ser concedido em 2023 junto com Galeão – este tem em avaliação um processo de relicitação, após problemas na modelagem do contrato. A concessionária RioGaleão, com participação operadora de Singapura, Changi, pede ressarcimento por investimentos não remunerados. Outros dois aeroportos enfrentam dificuldades semelhantes: São Gonçalo do Amarante, em Natal, e Viracopos, em Campinas (SP).

Sem mencionar que a Infraero deverá assumir estes ativos, França afirmou que a estatal é “lucrativa”. “A Infraero é uma empresa de muito histórico, num país de dimensões gigantes e que de verdade chegou até aqui fazendo muitas coisas”, ressaltou. Como meta para o setor, ele afirmou que o país pode retomar a movimentação de passageiros alcançada em períodos anteriores e investir mais na aviação regional, com mais pistas de pouso e decolagem de aeronaves de diversos portes.

Sobre o Porto de Santos, o ex-governador afirmou que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, já tem um posicionamento claro. “Prossegue como está [estatal da União]. Estava prevista uma concorrência agora, nesses dias, e nós pedimos que eles adiassem tudo para frente para que o presidente pudesse opinar”.

Segundo ele, as demais companhias Docas, que administram os portos organizados, vão “continuar estatal”. A única privatização de porto organizado feita até agora, pelo atual governo, foi a da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Neste caso, o contrato será respeitado. “Com certeza em relação às autoridades portuárias, ele [Lula] já disse que não quer fazer concessão e, então, não vai ter concessão de autoridade portuária, nem em Santos”.

De acordo com o novo ministro, o programa de arrendamento de áreas para a iniciativa privada dentro dos portos organizados deve seguir, após avaliação do novo governo.

Com informações: https://valor.globo.com