Lei trabalhista na cabotagem causa divisão no governo

Em mais um ponto de divergência com o Ministério da Infraestrutura na elaboração do projeto da “BR do Mar”, o Ministério da Economia quer que os trabalhadores do serviço de cabotagem sigam as normas brasileiras. “Não é possível ter um navio operando no Brasil, com trabalhadores brasileiros, seguindo normas de outro país”, disse ao Valor o secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, César Mattos.

O Ministério da Infraestrutura é simpático à ideia de aplicar regras da bandeira original da embarcação. Essa regra faz parte de uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Brasil é signatário, mas o acordo não foi internalizado na legislação brasileira. Em entrevista publicada pelo Valor na terça-feira, o secretário de Portos, Diogo Piloni, disse ser essa sua preferência, mas ressalvou que a ideia ainda estava em análise na área jurídica.

Mattos esclareceu que, diferente do publicado no Valor na edição de ontem, a equipe do ministro Paulo Guedes não defende uma liberalização total do mercado de cabotagem no Brasil. A abertura ficaria restrita ao afretamento de embarcações. “Queremos liberar o afretamento”, informou. “Mas o navio operaria com bandeira brasileira.”

Ou seja, no desenho proposto pela Economia as empresas poderiam operar navios, próprios ou de terceiros. Mas sempre sob a bandeira brasileira.

É um formato diferente do defendido pela equipe da Infraestrutura, que prevê a manutenção de um “lastro”. As empresas poderiam ampliar sua frota, com aquisição ou aluguel, mas de maneira proporcional à quantidade de embarcações próprias que possuam.

Segundo Piloni, hoje a legislação já permite a uma empresa que tenha, por exemplo, quatro navios próprios, possa afretar mais 50%, ou seja, mais dois. Essas, mesmo sendo estrangeiras, precisam operar com bandeira brasileira. Mas também é permitido a ela afretar outras embarcações, sem limite de quantidade e com bandeira estrangeira, caso queira operar uma rota e não haja no Brasil navios disponíveis para o serviço.

“Queremos estabelecer como regra do jogo o afretamento de embarcação estrangeira”, disse o secretário de Portos. A proposta é que essa empresa que tenha quatro navios próprios e dois afretados com bandeira brasileira possa ter mais três (50% do total) afretados com bandeira estrangeira.

Na visão de Mattos, é um desenho que beneficia empresas grandes que já operam no Brasil e dificulta a concorrência. Para Piloni, é uma forma que garante uma abertura “vigorosa” do mercado, mas preserva um “lastro” de embarcações nacionais.

Os dois lados afirmam que as divergências já foram maiores e que um acordo está em construção.

Fonte: Valor Econômico

1º hackathon do Porto de Santos acontece em dezembro

A Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) promove, entre os dias 6 a 8 de dezembro de 2019, o 1º Hackathon do Porto de Santos. O evento, comum no universo de inovação e tecnologia, é uma “maratona” na qual equipes multidisciplinares participam de uma competição para o enfrentamento de desafios que vão resultar em soluções tecnológicas e de inovação.

O 1º hackthon do Porto de Santos integra as ações comemorativas dos 30 anos de atuação da ABTRA e será realizado no Comfort Hotel, durante três dias e três noites, com organização da empresa Zero Treze Innovation Space. O apoio institucional é da Alfândega da Receita Federal do Porto de Santos, da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e do Ministério da Agricultura (MAPA)/Vigiagro Santos.

“Queremos com esse evento contribuir para elevar a transformação digital do Porto de Santos a um novo patamar”, afirmou o presidente da entidade, Bayard Umbuzeiro Filho. Segundo o diretor-executivo da ABTRA, Angelino Caputo, a ideia é mobilizar toda a comunidade portuária e envolver os associados e parceiros, inclusive para atuar no hackathon como mentores, dando suporte técnico às equipes no desenvolvimento das soluções.

Os vencedores receberão prêmios em dinheiro, sendo R$ 60 mil para a 1ª equipe colocada – o maior prêmio em dinheiro já oferecido nesse tipo de competição no Brasil! – e R$ 12 mil para a segunda colocada. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 06/11/2019 no site: portohacksantos.com.br .

Viracopos: Aeroporto registra queda no número de importações e exportações

De acordo com dados divulgados pela Aeroportos Brasil, a movimentação de importações e exportações em Viracopos registrou queda no acumulado dos nove meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2018.

O balanço, de janeiro a setembro de 2019, apontou que o Terminal de Cargas exportou 47,1 mil toneladas. No mesmo período do ano passado, a movimentação para fora do Brasil foi de 64,7 mil toneladas. Uma redução de 27,1%. Já nas importações, a queda foi de 14,4%. Ainda segundo a concessionária, o valor consolidado das remessas expressas também caiu 11,6% e passou de 4,5 mil para 4 mil toneladas em um ano.

A concessionária informou que a diminuição do volume de cargas está diretamente ligada à queda do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e regional. Além disso, a redução no potencial de investimento das indústrias, que gerou o maior número de demissões dos últimos sete anos em agosto na região de Campinas, também contribuiu para a mudança.

Carga Rodoviária: Volvo avalia produzir modelo de caminhão elétrico no Brasil

O caminhão FL da Volvo, modelo 100% elétrico e que já é vendido pela montadora na Europa, pode passar a ser produzido no Brasil, segundo maior mercado da marca sueca, atrás apenas dos EUA.

O presidente mundial do Grupo Volvo, Martin Lundstedt, afirmou durante visita à Fenatran (Salão do Transporte Rodoviário de Carga), que o produto será o mesmo da Europa, mas com desenvolvimento local para atender particularidades do mercado brasileiro. Lundstedt também afirmou estar otimista com a recuperação das vendas no País, o que colocou a subsidiária brasileira novamente na segunda posição entre os maiores mercados da marca. No pior momento da crise econômica, entre 2016 e 2017, o Brasil ficou em sexto lugar. “Vamos intensificar as vendas do elétrico (na Europa) em 2020 e, quando acharmos que é o momento, vamos ter produção local”, disse.

O caminhão elétrico da Volvo para o transporte de carga tem capacidade para até 16 toneladas de carga e a FE para até 27 toneladas para uso na distribuição de produtos e coleta de lixo.

Infraestrutura: Investimento para transporte em 2020 será o menor em 16 anos

O orçamento previsto pelo governo federal para investimento em infraestrutura de transporte em 2020 será o menor em 16 anos. Estão estimados pelo Ministério da Infraestrutura R$ 5,29 bilhões, de acordo com o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) do próximo ano, em todas as modalidades de transporte.

O cenário de retração já ocorre desde 2010, com queda de 57,3% nesse período. Desde 2004, quando o valor foi R$ 4,75 bilhões, a área de infraestrutura não havia recebido tão baixo investimento.

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) é responsável por alocar cerca de 85% dos investimentos do Ministério da Infraestrutura e a maior parte desses recursos é destinada para as rodovias.

O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, destaca que “o baixo orçamento prejudica o setor, pois eleva o custo do transporte e reduz a nossa competitividade”. O último Plano CNT de Transporte e Logística, de 2018, estima que, somente para o modal rodoviário, o Brasil precisa investir R$ 496 bilhões em 981 projetos estruturantes. São necessários R$ 1,7 trilhão em mais de 2.600 intervenções para todos os modais (rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo).