Abimaq: importações de máquinas e equipamentos crescem 26,8% em relação ao mês anterior

Comparado ao mesmo mês do ano passado, aumento foi ainda maior: 40,5%. Mas greve dos caminhoneiros em 2018 pode ter influenciado índice.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos cresceu 15,1% em maio em relação ao ano anterior e 4,7% na comparação com abril, totalizando R$ 7,2 bilhões de receita líquida total. O dado foi divulgado nesta semana pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo a Abimaq, o crescimento em maio é influenciado principalmente pelo mercado doméstico, que cresceu 12%. No acumulado entre janeiro e maio, o setor cresceu 7,5%. “É um crescimento robusto, mas estamos olhando para maio do ano passado, quando teve a greve dos caminhoneiros. Estamos também trabalhando com uma base muito ruim. Para se ter ideia, de 2012 para 2015 o mercado caiu 50%. Estamos falando de 7,5% sobre 50% menos”, falou o presidente da entidade, João Carlos Marchesan.

Importações – O balanço comercial do setor teve um saldo negativo de US$ 812,3 milhões em maio, o que representou recuo de 38% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Mas as exportações cresceram, atingindo US$ 740,92 milhões, incremento de 43,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora tenha ocorrido uma queda de 6,1% em relação a abril. As importações também cresceram em maio, 26,8% em relação a abril e 40,5% em relação a maio do ano passado. Segundo a Abimaq, a comparação com maio do ano passado demonstra um crescimento acima do padrão porque é uma comparação com um mês baixo no ano passado, quando o setor foi afetado pela greve dos caminhoneiros.

Para a Abimaq, os números do setor estão acima dos observados no primeiro semestre de 2018, período muito afetado pela greve dos caminhoneiros. Mas o setor tem dúvidas de que esta melhora será mantida ao longo dos próximos meses.

Segundo o presidente da entidade, João Carlos Marchesan, a expectativa de crescimento para este ano é 5%. “O setor de máquinas agrícolas está trabalhando com crescimento de 10%, com expectativa de crescimento em torno de 5% este ano. É um crescimento sobre uma base ruim, mas já começa a crescer. As máquinas hoje como um todo tem idade média de 10 ou 15 anos. É muito antiga e precisa ser renovada. E muitas empresas não estão tendo condições de trabalhar. Então precisa, de uma maneira ou de outra, de trocar essas máquinas. E isso já começou a acontecer”.

Reforma da previdência – O setor está otimista com a aprovação da reforma da previdência este ano. “A reforma da previdência será aprovada e, no nosso entendimento, será a mais robusta possível. Se for em torno de R$ 1 trilhão, isso já está de bom tamanho”, disse o presidente da entidade, que também citou a reforma tributária como essencial. “Mas não é só isso que fará o Brasil crescer. É preciso que haja demanda, é preciso que haja investimentos do próprio governo e também que se trabalhe em uma agenda no dia seguinte. Aprovada as reformas, elas farão efeito a longo prazo e nós precisamos fazer a economia crescer já ”, disse o presidente da Abimaq.

Emprego – O balanço divulgado hoje pela Abimaq demonstra a retomada do emprego. Em 2019, até o mês de maio, houve a criação de 8 mil postos de trabalho, o que representou crescimento de 4,4% em relação ao mesmo mês de 2018. Segundo a Abimaq, o ciclo de emprego deve continuar crescendo no decorrer do ano. Mas será um crescimento gradual e lento.

Setor têxtil e de vestuário irá crescer nos próximos anos no país

Em cinco anos estima-se a expansão de 13,6% (2,6% ao ano) no setor têxtil e de vestuário, que deverá alcançar o maior volume já registrado até então com quase 7 bilhões de peças vendidas, em 2023, no Brasil. O principal grupo consumidor de moda é a classe B/C1 (segmento que recebe de 4 a 20 salários mínimos), também líder da retomada do mercado. As informações foram trazidas por Marcelo Prado, diretor titular adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, durante reunião plenária do Comitê, na terça-feira (25/6), na sede da entidade. Prado também é especialista em mercado e dirigente do IEMI, Instituto de Estudos e Marketing Industrial.

O cenário de crescimento, que pode até ser considerado modesto, é resultado da crise vivida no país há alguns anos. De acordo com Prado, em 2018, foram consumidos R$ 220,6 bilhões em vestuário, o que representa R$ 1.061 per capita ano. “O consumo de roupa é universal e não está ameaçado. Há no Brasil 146 mil pontos de venda. A compra no setor de vestuário só perde para alimentos, que gerou R$ 560,8 bilhões em vendas. O terceiro lugar vem com o comércio de material de construção, que movimentou R$ 209,9 bilhões, no mesmo período”, explica.

O diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad, agradeceu os dados apresentados e reforçou a importância de o empresário do setor têxtil e de vestuário focar na solução e não em um problema que emperre seu crescimento. “As empresas precisam ressignificar seus antigos conceitos, procurar os caminhos para crescer na crise e não entrar na zona de conforto. Focar na oportunidade e não olhar para trás. Procurar inovação, tecnologia além de um ótimo produto. É primordial gerar valor à marca”, conclui.

Governo diz que até 2021 venderá 44 aeroportos

Essa foi a informação do ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Segundo ele, o Brasil está na mira dos investidores estrangeiros e a abertura do setor de aviação para o capital estrangeiro, já aprovada pelo Congresso, vai ajudar a fazer crescer o setor.

“Já fizemos 12 leilões de aeroportos. Houve interesse da iniciativa privada. Em outubro, vamos leiloar 22 aeroportos. E depois outro leilão de mais 22 aeroportos, incluindo Santos Dumont e Congonhas. Será até o fim de 2021, ou no mais tardar no início de 2022. Mas a ideia é passar tudo para a iniciativa privada até 2021”, disse Freitas em evento promovido pela Lide, Conselho de Líderes Empresariais, no Rio de Janeiro.

O ministro avaliou que a abertura do mercado de aviação para empresas estrangeiras ajuda a criar concorrência também para os aeroportos. “Tivemos uma vitória que vai impulsionar o mercado de aviação que é o capital estrangeiro. Depois da Air Europa, tem mais três ou quatro empresas estrangeiras interessadas em vir para o Brasil”, afirmou o ministro, explicando que a Infraero passará a se dedicar aos voos regionais.

A maior dificuldade apontada pelos investidores, segundo Freitas é o ambiente regulatório brasileiro, altamente complexo, e o preço do combustível, “o mais caro do mundo”, disse em referência ao querosene de aviação.

Discursando para empresários, Freitas defendeu a manutenção da Empresa de Planejamento Logístico (EPL), criada no governo Dilma do qual fez parte, argumentando que “lá dentro não existe mais trem-bala”, referindo-se ao projeto do governo petista para ligar Rio a São Paulo, mas que nunca saiu do papel. Segundo ele, a EPL está se tornando uma estruturadora de projetos e será fundamental para os planos do governo na infraestrutura, que conta ainda com o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal.

Os bancos públicos serão parceiros também no processo de privatização de todas as docas que administram os portos do País. A primeira será a do Espírito Santo, a mais saudável (poucos passivos e conflitos trabalhistas), segundo o ministro, e em seguida a Docas de São Sebastião, em São Paulo.

As ferrovias também estão na lista do ministro, que pretende mudar o marco regulatório para permitir autorizações para a construção das malhas, sem necessidade de leilão. Outra aposta são as negociações que estão sendo feitas com as empresas que adquiriram concessões ferroviárias na década de 90 e que agora estão se encerrando, como ocorreu na semana passada com a Vale. A mineradora renovou as concessões das ferrovias de Carajás e Vitória-Minas por mais 30 anos. Em troca, ainda dependendo de autorização do Tribunal de Contas da União (TCU), vai construir a ferrovia de integração Centro-Oeste (Fico). Depois de finalizada, a ferrovia passará a ser da União e vendida. Outro trecho, de Cariacica e Anchieta, no Espírito Santo, também está sendo negociado com a mineradora, informou Freitas.

TCP bate recorde de produtividade em maio

A TCP – empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá registrou um novo recorde de produtividade no mês de maio. De acordo com dados do Terminal, a empresa atingiu a marca de 32,2 MPH (movimentos por hora) por guindaste no período.

Rodrigo Paupitz, superintendente de Operações, destaca que o número aproxima ainda mais a TCP dos terminais mais produtivos do mundo. “O Terminal de Contêineres de Paranaguá vem de uma série de recordes que refletem o empenho da equipe em entregar o melhor serviço possível para importadores e exportadores”, diz.

Para isso, a empresa realiza uma série de investimentos em sistemas integrados, modernização e equipamentos, que permitirem melhor gestão de pátio e automação de processos. “A ideia é que todas as ações do Terminal estejam o mais integradas possível, para diminuir o tempo das operações de entrega e recebimento para o usuário sem diminuir a qualidade do serviço que prestamos”, enfatiza.

Pensando na demanda crescente por navios cada vez maiores e para garantir serviços ainda mais qualificados, a TCP está ampliando também sua estrutura física, com a expansão do cais de atracação e retroárea. “As obras começaram em fevereiro e vão ampliar a capacidade do Terminal de 1,5 milhão de TEUs/ano para 2,5 milhões de TEUs/ano. Com isso, o Terminal poderá atender a demanda do comércio exterior pelos próximos 30 anos”, finaliza.

Toyota Europa se interessa por híbrido flex brasileiro a ser produzido em Indaiatuba (SP)

A subsidiária da Toyota na Europa está interessada no híbrido flex, desenvolvido pela equipe de engenheiros da empresa no Brasil em parceria com a matriz, no Japão. A tecnologia – inédita no mundo – será utilizada pela primeira vez no novo Corolla, cuja produção inicia em setembro na fábrica de Indaiatuba (SP) com lançamento confirmado para outubro no mercado brasileiro.

“Chamou a atenção essa combinação que parece ser muito simples, do flex com o híbrido, juntar isso pela primeira vez chamou a atenção do mundo: ‘pode-se ter um carro ainda eficiente e menos poluidor, com uma matriz ainda mais limpa dentro de uma tecnologia que já se conhece”, disse na segunda-feira, 17, o diretor de relações governamentais da Toyota no Brasil, Ricardo Bastos, durante sua participação do seminário Ethanol Summit, realizado em São Paulo.

Para o executivo, a solução é adequada para colocar o Brasil no hall global de desenvolvimento das novas tecnologias para a mobilidade. “Rompemos uma barreira: o etanol fala, conversa e se une à eletricidade então pensamos, juntamente com a Única [União da Indústria de Cana-de-Açúcar] ‘por que não o Brasil influenciar os outros?’”, disse referindo-se ao ineditismo da união entre a tecnologia híbrida e flex no mesmo veículo.

“A Toyota Europa nos consultou para entender o que é isso; eles têm etanol na região em porcentuais muito pequenos em alguns países, chega a 5%. Então chamamos a Unica e pensamos em fazer um world show, mostrar isso para o mundo. Cada país está buscando seu caminho”, completou Bastos citando Europa, Índia, Tailândia e Indonésia como possíveis interessados.

O executivo comentou ainda sobre a assinatura de uma portaria que amplia os chamados debêntures incentivados: com isso, o setor terá aportes de R$ 9 bilhões para tratar e cultivar cana-de-açúcar. A assinatura foi feita na cerimônia de abertura do evento pelos respectivos ministros das pastas de Minas e Energia, da Agricultura, do Meio Ambiente e da Casa Civil na presença de outras autoridades e representantes do setor.

“Parte desses recursos hoje colocados aqui são para melhorar a qualidade e a produtividade do etanol. Ainda há muito o que fazer na produção do etanol ela pode ser mais eficiente. O setor [sucroalcooleiro] já foi muito afetado pelas políticas de combustível, mas agora está retomando, os investimentos estão voltando”, disse Bastos a respeito da nova portaria.

Com Informações: Automotive Business