Gigante chinesa instalará fábrica de maquinários em Campinas

O Interior de SP segue em alta com instalação de fábricas.

Após a cidade de Indaiatuba receber a Japonesa Yanmar, a agora foi a vez de Campinas anunciar a chegada da Chinesa Sany.

A gigante chinesa anunciou a instalação de uma fábrica de maquinários na cidade, localizada no interior de São Paulo. A empresa vai ocupar área da antiga Mercedes-Benz no Distrito Industrial. O início da operação terá produção de escavadeiras e equipamentos para mineração.

A formalização do contrato ocorreu na última quarta-feira, 13 de maio, durante reunião entre o prefeito de Campinas Dário Saadi e representantes da multinacional, realizada na Sala Azul do Paço Municipal. A Sany foi representada por uma comitiva de nove pessoas, incluindo o presidente da empresa para o Brasil, Zheng Pengqi.

No encontro, o prefeito destacou o impacto econômico e estratégico da chegada da empresa ao município. “A instalação da Sany representa um movimento importante para Campinas, tanto pela reativação de uma área industrial estratégica quanto pela geração de empregos, fortalecimento da cadeia produtiva e atração de novos investimentos. Campinas reúne infraestrutura, logística e um ambiente favorável para receber grandes empresas globais”, afirmou.

A reunião contou ainda com a presença da secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi, além de outras autoridades municipais.
A fabricante global de máquinas pesadas iniciará a operação em Campinas com a produção de escavadeiras e equipamentos voltados ao setor de mineração.

Em uma segunda etapa, a previsão é ampliar a atuação com a fabricação de caminhões elétricos.

Para a secretária Adriana Flosi, a chegada da Sany reforça a capacidade de Campinas de atrair operações industriais de grande porte alinhadas à inovação e à tecnologia. “Campinas possui uma combinação estratégica de infraestrutura logística, ambiente de negócios, mão de obra qualificada e conexão com importantes centros de pesquisa e tecnologia. A chegada da Sany fortalece esse posicionamento e amplia a competitividade do município na atração de novos investimentos globais”, pontuou Flosi.

Grupo Chinês assumirá a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ)

A Omoda & Jaecoo, marca do grupo chinês Chery, assumirá a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), marcando a ocupação de instalações ociosas ou de baixo volume por montadoras chinesas no Brasil.

A unidade, inaugurada em 2016, será usada para produção nacional, expandindo sua capacidade para até 100.000 veículos ao ano.

Detalhes da Mudança e Ocupação Nova Gestão: A Omoda & Jaecoo assume a planta de Itatiaia (RJ) após a saída da JLR, focando na produção de veículos híbridos. Capacidade da Planta: A fábrica foi inaugurada em 2016 com capacidade para 24 mil unidades, mas funcionava com baixo volume.

A meta da Omoda é expandir para 100.000 veículos ao ano.Investimento Inicial: A planta foi erguida por cerca de R$ 750 milhões, valor que hoje seria próximo a R$ 1,2 bilhão. Modelos Produzidos: Omoda 5 (híbrido) deve ser um dos primeiros modelos produzidos na nova fase da planta. Estratégia Chinesa:

A movimentação faz parte de um avanço das marcas chinesas na região Sul Fluminense, incluindo o interesse da Dongfeng na fábrica da Nissan, também no RJ. A saída da Jaguar Land Rover encerra uma operação de 10 anos, com os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque sendo os últimos a serem produzidos.

Japonesa Unicharm adquire fabricante brasileira exportadora de alimentos Pet

A multinacional japonesa Unicharm Corporation anunciou a aquisição da fabricante Nutrire. Fundada em 2001, a Nutrire possui plantas industriais em Garibaldi (RS) e Poços de Caldas (MG), exportando rações para cães e gatos para mais de 50 países em quatro continentes.

O acordo de compra foi assinado na sexta-feira, 15 de maio, marcando a entrada oficial do grupo asiático no mercado de nutrição animal do Brasil. Embora o valor financeiro da transação comercial não tenha sido divulgado pelas empresas, o movimento consolida uma base industrial estratégica em um setor nacional que faturou R$ 75,4 bilhões recentemente.

O Grupo Unicharm, por sua vez, foi fundado em 1961 em Tóquio e já opera no mercado brasileiro de higiene com marcas consolidadas. Conforme o comunicado ao mercado, as operações de ambas as empresas serão mantidas de forma independente nas estruturas atuais, unindo a capacidade de distribuição global à produção nacional de larga escala.
A liderança das companhias no país passará por divisões claras de gestão para garantir a continuidade operacional.

A estrutura local, no Sul, da Nutrire, seguirá sob o comando de Gerson Luiz Simonaggio, enquanto a divisão brasileira da Unicharm Pet ficará sob a responsabilidade de Ricardo Maciel.

O negócio insere a tradicional marca gaúcha em um ecossistema global com forte potencial de investimento em novas tecnologias, desenvolvimento de produtos e expansão das redes de distribuição na América Latina.

Viracopos exporta 115 ton de equipamentos da Shakira e importa 26,5 ton de flores para o “Dia das Mães”

Início de semana foi de grandes operações internacionais em Viracopos. Na segunda-feira (4), o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), realizou a operação de exportação dos equipamentos utilizados no show da cantora Shakira. A apresentação ocorreu no sábado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), e a logística de retorno pelo terminal paulista movimentou aproximadamente 115 toneladas de carga.

A estrutura de som, iluminação e cenografia chegou ao Terminal de Carga (TECA) de Viracopos entre a noite do último domingo e madrugada da segunda-feira. Após a conclusão do transporte rodoviário entre o Rio de Janeiro e Campinas, as equipes do aeroporto realizaram imediatamente o recebimento, a pesagem e a paletização de todo o material para o embarque em três voos cargueiros.

Outra frente do gigante cargueiro, foi o início, ainda na semana passada, de uma operação para o recebimento de flores importadas para o “Dia das Mães”. A previsão é que as remessas continuem chegando ao Terminal de Carga (TECA) até o meio desta semana, visando suprir o aumento da demanda para uma das datas mais importantes do comércio brasileiro.

Ao todo, o aeroporto deve movimentar cerca de 26,5 toneladas de flores, distribuídos em 1.008 volumes. A carga é composta por diversas espécies que chegam ao país para abastecer floriculturas e redes de distribuição em diferentes regiões do país.

Para garantir a preservação das flores, todo o material é armazenado nas câmaras frias do Terminal de Carga logo após o desembarque das aeronaves. O TECA de Viracopos possui infraestrutura dedicada com controle rigoroso de temperatura, o que é fundamental para a manutenção da qualidade de produtos perecíveis durante o período de trâmite aeroportuário.

Após o processamento e a liberação aduaneira, os volumes seguem para o transporte rodoviário em veículos climatizados.

“The times they are a-changin’”: a Casa Branca, as tarifas e as lacunas sérias do ecossistema aduaneiro brasileiro

Artigo por Marcelo de Castro*

A Casa Branca raramente fala à toa. Quando fala pouco, então, convém prestar ainda mais atenção.

Donald Trump afirmou, em comunicado reproduzido pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva, o “dinâmico presidente do Brasil”. A palavra não deve ser lida como afeto. Em diplomacia, adjetivo é instrumento. Serve para reduzir tensão, abrir ambiente político e sinalizar que, ao menos naquele momento, Washington preferiu a mesa ao muro.

“The times they are a-changin’”, cantou Bob Dylan. A frase serve bem ao comércio internacional de hoje. Mudam as tarifas, mudam os conflitos, mudam as cadeias produtivas, mudam os riscos e muda, sobretudo, a forma pela qual os Estados constroem confiança. A relação Brasil, Estados Unidos precisa ser observada nesse movimento. O que está em discussão não é apenas uma pauta tarifária. É a reorganização de uma agenda de segurança econômica, comércio legítimo e cooperação aduaneira.

O que interessa na declaração de Trump vem depois da cordialidade inicial. O presidente norte-americano informou que foram discutidos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. Não há, nessa frase, acordo anunciado, cronograma público, redução tarifária publicada ou medida operacional imediata. Há representantes prontos para conversar, pontos-chave a discutir e reuniões adicionais nos próximos meses. Na linguagem diplomática, isso significa que a porta foi aberta, mas a chave ainda não foi entregue.

O setor privado deve evitar dois erros. O primeiro é comemorar como se uma nova ordem comercial tivesse nascido no Salão Oval. Não nasceu. O segundo é tratar a nota como simples postagem de embaixada. Também não é. Quando a representação diplomática norte-americana decide reproduzir em português uma declaração presidencial que menciona comércio e tarifas, ela organiza uma mensagem para o público brasileiro: há canal político, há pauta econômica e há interesse em manter a conversa.

“O tempo não para”, escreveu Cazuza. Também não para na Aduana. A aproximação recente entre Brasil e Estados Unidos vem acompanhada de uma agenda de segurança aduaneira, combate a ilícitos transnacionais, rastreamento de armas, drogas, cargas sensíveis, troca de informações, inteligência de risco e cooperação entre autoridades de fronteira. A tarifa está na superfície. A Aduana está na estrutura.

Esse ponto já havia sido tratado por Marcelo de Castro Ferreira, Lúria Fassini e Augusto Fauvel de Moraes no artigo “Segurança aduaneira entre Brasil e EUA e a próxima etapa da confiança regulatória”, publicado no Consultor Jurídico. A tese merece ser aprofundada: a cooperação aduaneira entre os dois países não é apenas instrumento repressivo. É parte de uma arquitetura mais ampla de confiança regulatória, na qual segurança, facilitação comercial, conformidade privada, rastreabilidade e capacidade institucional deixam de ser agendas separadas.

O comércio exterior contemporâneo não se organiza mais apenas em torno de alíquotas, preferências tarifárias e acesso a mercado. Esses elementos continuam importantes, mas já não bastam. A disputa central está na confiança. Quem é o operador? Qual é a origem da mercadoria? A descrição corresponde ao produto? O valor é defensável? A cadeia logística é íntegra? A rota faz sentido? O documento conversa com a realidade física da carga? Há histórico de conformidade? Há governança sobre terceiros? Há capacidade de responder tecnicamente ao Estado?

“You can’t always get what you want”, lembraram os Rolling Stones. Em comércio exterior, a frase ganha tradução própria: não basta querer facilitação, é preciso demonstrar confiabilidade. A fluidez não nasce do desejo do operador. Nasce da capacidade de provar, antes da fronteira, que a operação é consistente, rastreável e compatível com a norma.

A Aduana moderna faz essas perguntas todos os dias. Ela deixou de ser caricatura de repartição documental. Tornou-se central nervosa do comércio internacional. Lê dados, cruza informações, identifica padrões, seleciona riscos e decide, em segundos, se uma operação merece fluidez ou escrutínio. A fronteira, hoje, é menos uma cancela e mais um sistema de inteligência.

Por isso, a conversa entre Brasil e Estados Unidos deve ser lida em duas camadas. Na superfície, há tarifas. No fundo, há segurança econômica. A eventual redução de barreiras, se vier, dificilmente caminhará divorciada da repressão ao ilícito. Ao contrário: quanto maior a capacidade de separar o comércio legítimo do fluxo criminoso, maior tende a ser o espaço político para facilitar o comércio regular.

É aqui que surgem lacunas sérias no ecossistema aduaneiro brasileiro.

A primeira é institucional. O Brasil avança corretamente na cooperação Aduana, Aduana com os Estados Unidos, sobretudo na relação entre Receita Federal do Brasil e U.S. Customs and Border Protection. Esse movimento fortalece inteligência, rastreamento, análise de risco e combate a ilícitos transnacionais. É necessário e compatível com o Marco SAFE da Organização Mundial das Aduanas. Mas o SAFE não se limita ao pilar Aduana, Aduana. Ele também exige o amadurecimento do pilar Aduana, Empresa.

A segunda lacuna está no reconhecimento funcional dos atores privados que sustentam a conformidade no cotidiano da fronteira. Nos Estados Unidos, o customs broker é percebido como parte relevante do ecossistema de segurança, conformidade e facilitação. No Brasil, o despachante aduaneiro exerce função comparável na interface entre empresa, Estado, sistema, documento e mercadoria, mas ainda não ocupa posição equivalente na arquitetura institucional de confiança.

Essa diferença não é detalhe corporativo. É problema estratégico.

Se a cooperação internacional pretende separar melhor o lícito do ilícito, não basta ampliar a troca de dados entre Estados. É preciso reconhecer quem, no setor privado, produz dados confiáveis, organiza a informação aduaneira, conhece a operação concreta, estrutura a declaração, identifica inconsistências documentais, orienta o enquadramento normativo e pode funcionar como elo auditável entre a cadeia logística e a autoridade pública.

“É preciso estar atento e forte”, advertiram Caetano Veloso e Gilberto Gil. A advertência vale para o Brasil. O país não pode tratar a aproximação com os Estados Unidos apenas como agenda de oportunidade comercial. Ela é também um teste de maturidade institucional. Se a cooperação avança entre autoridades, mas não alcança de forma estruturada os operadores privados que produzem a informação aduaneira, o ecossistema fica incompleto.

A terceira lacuna é de integração. O Brasil possui operadores, sistemas, despachantes, importadores, exportadores, transportadores, depositários, agentes de carga, terminais, órgãos anuentes e autoridades fiscais. Mas nem sempre esse conjunto funciona como ecossistema. Muitas vezes, funciona como soma de ilhas operacionais, conectadas por urgência, contingência e improviso. Em um comércio exterior cada vez mais digital, essa fragmentação custa caro. Reduz previsibilidade, amplia ruído, multiplica retrabalho e fragiliza a confiança.

A quarta lacuna é de linguagem regulatória. O comércio exterior brasileiro ainda convive com uma distância excessiva entre a norma, o sistema e a operação real. A empresa vende, o fornecedor embarca, o agente transporta, o terminal recebe, o despachante instrui, o anuente exige, a Receita controla. Quando esses movimentos não são coordenados por uma linguagem comum de conformidade, a carga chega à fronteira como problema, não como operação madura.

É nesse ponto que o despachante aduaneiro ocupa papel mais relevante do que muitos gostam de admitir. Ele não é mero transmissor de declaração. É o profissional que traduz a operação econômica para a linguagem jurídica, fiscal e operacional do Estado. Quando a mercadoria chega à fronteira, ela precisa ser mais do que vendida, embalada e embarcada. Precisa ser compreendida, classificada, descrita, valorada, licenciada e documentada. Sem isso, não há comércio exterior; há apenas carga com risco.

A quinta lacuna é cultural. Ainda se confunde facilitação com afrouxamento de controle. É o contrário. A facilitação séria nasce do controle inteligente. Quanto melhor o Estado conhece o operador confiável, mais pode concentrar energia sobre o risco real. Quanto melhor o setor privado organiza sua informação, mais reduz a fricção legítima da fiscalização. O combate ao ilícito e a fluidez do lícito não são objetivos opostos. São duas faces da mesma política aduaneira.

“A change is gonna come”, cantou Sam Cooke. A mudança virá, mas não necessariamente como concessão. Pode vir como exigência. Exigência de governança, rastreabilidade, certificação, interoperabilidade, qualificação documental e responsabilidade sobre dados. O novo comércio exterior será menos tolerante com improvisos e mais dependente de confiança verificável.

A declaração da Casa Branca, portanto, deve ser decodificada sem euforia e sem ingenuidade. Trump não anunciou uma solução. Anunciou um ambiente. Não removeu tarifas. Colocou tarifas sobre a mesa. Não redesenhou a relação bilateral. Sinalizou disposição para conversar. E, ao fazê-lo em momento de cooperação contra ilícitos, indicou que a próxima etapa da relação Brasil, Estados Unidos pode ser mais aduaneira do que parece.

Para o Brasil, a oportunidade está em não desperdiçar o sinal. A relação com os Estados Unidos não deve ser tratada apenas como negociação episódica de tarifas. Deve ser vista como frente estratégica de comércio, segurança, rastreabilidade, inteligência de risco, conformidade privada e fortalecimento institucional da Receita Federal como autoridade aduaneira de padrão internacional.

Mas esse fortalecimento ficará incompleto se o país avançar apenas na cooperação entre governos e não amadurecer o ecossistema aduaneiro como um todo. A equivalência funcional entre atores privados dos dois países precisa entrar na conversa. O customs broker norte-americano e o despachante aduaneiro brasileiro não são figuras idênticas em seus regimes jurídicos, mas ocupam posições comparáveis na engrenagem prática da conformidade aduaneira.

Reconhecer isso não significa importar modelos de maneira automática. Significa compreender que uma política moderna de segurança e facilitação exige operadores privados qualificados, auditáveis, integrados e institucionalmente considerados. Exige também sistemas capazes de conversar, normas capazes de orientar, autoridades capazes de cooperar e empresas capazes de provar confiabilidade antes de pedir fluidez.

A Casa Branca falou pouco. Foi o suficiente.

No comércio internacional, confiança não é ornamento. É infraestrutura. E, nesse tabuleiro, o Brasil só converterá sinal diplomático em vantagem econômica se tratar suas lacunas aduaneiras com a seriedade que elas exigem.

*Marcelo de Castro é despachante aduaneiro, economista e articulista internacional. É diretor secretário adjunto do Sindasp e CEO da Ebimex Comércio Exterior.