Após briga de 5 anos, terminal em Manaus deverá ter ampliação

Após quase cinco anos de disputa no porto de Manaus, a empresa Super Terminais está perto de destravar um investimento de R$ 150 milhões na ampliação de seu terminal privado, que movimenta boa parte da carga de contêineres da Zona Franca de Manaus.

Nas últimas semanas, a diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) deu aval ao projeto de expansão, e o acórdão com a permissão foi publicado no Diário Oficial da União no dia 19 de agosto. Agora, o processo será encaminhado ao Ministério de Infraestrutura para a autorização final.

O maior temor da Super Terminais, porém, não vem do governo federal e sim de uma companhia concorrente no porto de Manaus, a Chibatão. O grupo, que é o principal operador de contêineres da região, tem impedido a expansão por meio de diversas decisões liminares obtidas na Justiça nos últimos anos.

“Considerando o tipo de conduta que o grupo tem adotado, ainda estamos aguardando alguma medida da parte deles [para barrar as obras]”, diz o advogado da companhia, Bruno Morais.

A Chibatão ocupa dois terminais em Manaus, sendo um deles vizinho ao da Super Terminais, às margens do Rio Negro. O grupo também vem pleiteando uma ampliação de sua operação em direção ao rio, mas o processo ainda não foi apreciado pela Antaq. A queixa é que seus planos seriam prejudicados pela expansão da concorrente.

O embate começou no fim de 2014, quando a Super Terminais, empresa da família Di Gregorio, entrou com o pedido na Antaq para construir um píer flutuante e ampliar seu pátio de armazenamento. A expansão ficaria pronta dentro de um ano e permitiria um aumento de 20% na movimentação de contêineres, estima o diretor Marcello di Gregorio.

Em 2015, a diretoria da agência reguladora chegou a dar a autorização ao projeto e encaminhou o acórdão para aval do governo federal. A decisão, porém, foi suspensa diante dos questionamentos do grupo Chibatão, também uma empresa familiar, que conseguiu na Justiça o direito de reabrir o processo na Antaq para que pudesse se manifestar contrariamente.

Desde então, diversas liminares travaram o avanço do empreendimento. Para Morais, advogado da empresa, o grupo concorrente tem adotado uma estratégia de criar obstáculos para postergar o projeto.

Procurado, o grupo Chibatão não quis se manifestar.

A Antaq afirmou que a aprovação do projeto da Super Terminais, a despeito do pedido de ampliação da Chibatão, se justifica por conta do grau de maturidade dos dois processos. “Enquanto o da Super Terminais se encontra formalmente concluso no âmbito desta agência desde dezembro de 2015, os autos de interesse de Chibatão ainda não se encontravam aptos para deliberação plena em abril de 2019”, disse o órgão, em nota.

Além disso, a Antaq afirma que a ampliação da Super Terminais “trabalha em prol de uma concorrência mais efetiva, eis que permitirá que ambos os ‘players’ recebam embarcações de maior porte em suas instalações” e disse que a demora na solução do assunto provoca incerteza.

O Ministério da Infraestrutura disse, em nota, que ambos os projetos são importantes, “já que ampliarão a oferta de serviços portuários para a região Norte do país”. A pasta também destacou que “prima pela segurança jurídica dos contratos, motivo pelo qual busca concretizar os pleitos oriundos do mercado com a devida celeridade, pois eventuais demoras resultam em incertezas que podem comprometer investimentos”.

O grupo Chibatão e a Super Terminais dominam a movimentação de contêineres no porto de Manaus. Neste ano, porém, a Super Terminais viu sua operação despencar, principalmente devido à perda de clientes de cabotagem. Em 2018, a Super Terminais respondeu por cerca de 40% da movimentação total no porto, e a Chibatão, pelos demais 60% – outros terminais tiveram participação muito pequena.

No entanto, no primeiro semestre deste ano, a fatia da Super Terminais diminuiu para 19,5%. A movimentação caiu pela metade – de 130 mil TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés), na primeira metade de 2018, para 62,8 mil TEUs, neste ano. Enquanto isso, o grupo Chibatão viu sua operação crescer 71% em 2019.

Ainda assim, o diretor da Super Terminais se diz otimista com a retomada da demanda e espera que o plano de incentivo à cabotagem, do governo federal, possa estimular o mercado na região – o programa busca impulsionar a criação de rotas domésticas e a incorporação de navios na frota, entre outras medidas para reduzir o custo do transporte.

“Hoje são poucas as empresas que atuam no segmento. O plano deverá aumentar a competitividade”, afirmou di Gregorio.

Fonte: Valor

Comércio global de contêineres cresceu 2% no segundo trimestre

O comércio global de contêineres cresceu cerca de 2% no segundo trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período do ano passado. A previsão da Maersk é que o ano feche com aumento entre 1% e 3%. O relatório da companhia referente ao segundo trimestre aponta que o crescimento moderado da demanda mundial de contêineres em relação a 2018 reflete a desaceleração contínua nas manufaturas e pedidos de exportação globais. A publicação, divulgada na última semana, destaca ainda que o abrandamento recente do entusiasmo global, sobretudo no setor manufatureiro, reduz a probabilidade de uma retomada do crescimento no segundo semestre de 2019.

De acordo com o relatório, a frota global de contêineres alcançou 22,7 milhões de TEUs ao final do segundo trimestre de 2019, 3,7% acima do registrado no segundo trimestre do ano passado. As entregas totalizaram 260 mil TEUs (34 embarcações) durante o segundo trimestre e foram seguem lideradas por embarcações com mais de 10 mil TEUs. A publicação informa que 44 mil TEUs (30 navios) foram sucateados no segundo trimestre — bem abaixo do primeiro trimestre, quando 93 mil TEUs foram sucateados.

Segundo a Alphaliner, que apura os dados do relatório, a frota nominal global de contêineres crescerá 3,1% em 2019 e 3,5% em 2020. A Maersk avalia que, além da desaceleração cíclica da economia global, os principais riscos para a demanda mundial de contêineres estão relacionados às negociações comerciais entre Estados Unidos e China. A companhia interpreta que, caso esses contratempos se concretizem, a previsão para o crescimento de comércio global de contêineres deve ficar mais próximo do piso da previsão de 1% a 3%.

Em abril de 2019, os EUA aumentaram as tarifas sobre as importações chinesas de 10% para 25% em bens com valor equivalente de 2% a 3% dos bens comercializados globalmente. No início de agosto, os EUA anunciaram as tarifas de 10% em US$ 300 bilhões adicionais de mercadorias, com entrada em vigor em 1º de setembro de 2019. As restrições comerciais anteriores, impostas durante 2018 e lideradas principalmente pelos dois países, reduziram o comércio bilateral entre os dois países, e também levaram a mudanças nas estruturas comerciais.

Outro destaque do relatório é que, mesmo a China tendo retaliado as ações dos EUA, a Índia também decidiu impor tarifas sobre as importações norte-americanas, ainda que em pequena escala. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), a liberalização comercial está aumentando em outros lugares, superando parcialmente o impacto comercial negativo das tensões comerciais EUA-China. A publicação cita o Acordo de Facilitação do Comércio de 2017 e o Acordo de Comércio do Pacífico, que estão agora amplamente ratificados, aumentando a quantidade de fluxos comerciais cobertos por medidas liberalizadas.

Para a Maersk, o resultado das negociações do Brexit também representa um risco para o comércio de contêineres no Reino Unido e na Europa. O relatório lembra que o Fundo Monetário internacional (FMI) prevê que a economia global cresça 3,2% em 2019, contra as expectativas de 3,7% no final do ano passado, citando o aumento das tensões comerciais como um dos principais fatores para a desaceleração.

Brasil e Paraguai anunciam negociação de acordo automotivo

O Brasil e o Paraguai anunciaram hoje (9), em Brasília, o início das negociações de um acordo bilateral automotivo. A informação foi dada pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, após reunião com o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas Palacios, que chegou ao Brasil acompanhado de uma delegação de funcionários do governo do país vizinho.

Para Ernesto Araújo, os dois países “vivem momento de grande convergência de políticas e de visão do mundo”. “Estamos em momento ideal para colocar em prática uma política estratégica para Brasil e Paraguai”, afirmou o chanceler paraguaio.

Os ministros ressaltaram que um dos marcos do bom relacionamento entre os dois países é a construção de três pontes entre Brasil e Paraguai. As obras, de acordo com Ernesto Araújo, vão “aumentar dramaticamente a conectividade a competitividade das regiões beneficiadas” pelos projetos.

Para Antonio Palacios, a construção das pontes é importante porque significa que os dois países saíram do discurso para a prática. Ele citou especificamente o caso da ponte a ser construída pelo lado paraguaio da Itaipu Binacional. Essa ponte, a ser construída entre o município sul-mato-grossense de Porto Murtinho e a cidade paraguaia de Carmelo Peralta, vai servir de base para o corredor rodoviário bioceânico que irá unir o litoral brasileiro à costa chilena. A via passará pelo Centro-Oeste do Brasil e posteriormente pelo Chaco paraguaio; daí, o corredor segue pelo noroeste argentino antes de chegar ao Chile.

Os dois ministros mostraram preocupação com a situação da Venezuela. Para Antonio Palacios, a América do Sul vive um momento delicado devido ao êxodo de venezuelanos em direção a outros países. “Mais de 4 milhões de pessoas saíram do país em direção ao Brasil, Colômbia, Equador e Peru. Temos de solucionar isso com a democracia”, disse.

Segundo  Ernesto Araújo, “Brasil e Paraguai estão empenhados em tudo fazer para ajudar a Venezuela a recuperar a sua democracia”.

Gourmet Comex reunirá indústria e empresas de comércio exterior em Campinas

Almoço com networking acontece no próximo dia 20 de setembro, no forte interior de São Paulo

Prosseguem as confirmações para o próximo Almoço do Clube de Networking: Gourmet Comex.

Os profissionais do setor estão com a agenda reservada para 20 de setembro na cidade de Campinas, no forte interior de São Paulo. Cidade que abriga o Aeroporto Internacional de Viracopos é reconhecida pela sua força na indústria importadora e exportadora.

O evento chega ao seu 10º ano e atrai, regularmente, todo semestre, cerca de 100 empresários e executivos que trabalham com o comercio exterior e a logística.

O evento tem a participação do CIESP Campinas e a organização da GPA+ Comunicação. Os apoiadores/patrocinadores desta edição são: SINDASP, Aurora EADI, LibraPort Campinas, TCEX e AGESBEC.

 

Mais informações: mkt@gpamais.com.br

Skaf em Campinas: “Tivemos um crescimento modesto no trimestre, no caminho certo e iniciando a recuperação, com trajetória positiva”

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, esteve na quarta-feira (4/9) no Ciesp Campinas em conversa com lideranças empresariais da região, em mais uma etapa do Diálogo pelo Brasil, que percorre diversos municípios do Estado de São Paulo.

Skaf ressaltou a importância das reformas estruturais, pilares para a retomada do crescimento. “A Reforma Trabalhista tirou o Brasil do século passado, a da Previdência está no Senado para a aprovação e deverá passar, o que irá se refletir no ajuste das contas públicas. A Reforma Tributária é essencial para quem trabalha e produz. A simplificação na cobrança de impostos aumentará a eficiência e baixará o custo para quem paga e para quem recebe. Isso é o que todos esperamos”, avaliou o presidente.

Ao falar especificamente sobre a Reforma Tributária, lembrou que é necessário ouvir as propostas, avaliar cuidadosamente quais tributos devem ser reunidos e qual a alíquota definida a fim de se evitar perdas e construir a melhor solução possível para todos: “Falar de imposto único é um sonho, mas quem fala ou é desinformado ou está fazendo marketing. Reforma Tributária com Estados quebrados e governo sem dinheiro é perigoso, pois dependendo da reforma aprovada poderá existir aumento de carga tributária”, alertou.

No diálogo com os empresários, a questão da guerra fiscal, cobranças na origem e no destino, além da desoneração da folha também foram abordadas pelo presidente. Em relação ao crédito, o spread bancário foi duramente criticado. Skaf reiterou a necessidade de aumentar a concorrência e forçar a queda dos juros, o que beneficiaria diretamente a atividade produtiva industrial.

 

O presidente da Fiesp/Ciesp considera essencial focar nas pautas importantes. “O Brasil está avançando. Não podemos ficar só com um foco. O país precisa crescer, se reconstruir, pois temos 40 milhões de desempregados e desalentados. A economia já está retomando o rumo, dando sinais de recuperação”, pontuou.

Recuperação da economia – Ao referir-se aos resultados do segundo trimestre, o líder empresarial vê com otimismo a mudança de tendência. Para Skaf, “muita gente pregou o desastre, dizendo que teríamos um PIB negativo, o que representaria um quadro de recessão. Mas isso não ocorreu. Pelo contrário, tivemos um crescimento modesto, no caminho certo e iniciando a recuperação, com trajetória positiva”.

O aumento do emprego também foi tema do debate e a solução apontada passa pelo crescimento econômico. “Não há emprego sem isso, não dá para obrigar nenhuma empresa a contratar se ela não tiver demanda, se ela não tiver negócios. Se dependesse de nós, não teríamos nem entrado em crise. Mas o que está aí é o resultado da irresponsabilidade de governos que gastaram mais do arrecadaram e acumularam dívidas enormes”.

Amazônia – Ao final do encontro com os empresários da região de Campinas, a Amazônia ganhou destaque em função da repercussão das queimadas e do desmatamento na mídia. “Na Fiesp, esta semana, reunimos 40 grandes grupos europeus e fizemos a apresentação de dados que mostram a realidade sobre a situação da Amazônia. Não se pode confundir queimada com desmatamento até porque os gráficos da queimada oscilam para cima e para baixo todos os anos. Os riscos de queimada se encontram no cerrado, não na floresta, onde a mata é úmida e não há tendência de incêndio”, contextualizou.

 

“A mata nativa na região amazônica representa atualmente cerca de 84% do que era em 1500, na época do descobrimento do Brasil. Isso representa cerca de metade do território brasileiro. Cumprimos 73% da meta de Copenhague e respeitamos o Acordo de Paris.

O Brasil não merece ser desrespeitado e os assuntos não devem ser misturados, como no caso do acordo Mercosul-União Europeia”, finalizou, frisando que essa campanha contra o Brasil prejudica a imagem do país”.