Porto (Portugal), 3 a 5 de setembro de 2025 — O XVII World Customs Law Meeting levou à antiga Alfândega do Porto um debate direto sobre como compatibilizar sustentabilidade, digitalização e segurança em cadeias globais sob tensão. A organização esteve a cargo da International Customs Law Academy (ICLA), com apoio da Ordem dos Despachantes Oficiais de Portugal (ODO), da Sociedade Portuguesa de Ciências Aduaneiras (SPCA) e da Católica – Escola do Porto. Ao todo, mais de 300 participantes de 33 países passaram pelos auditórios sob o tema “Customs Control in the Era of Sustainability, Digitalisation and Security in a Trade War Landscape.”
A presença brasileira combinou instituições, profissionais do Direito e academia. Na frente institucional, marcaram presença o SINDASP (Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo), representado por Elson Isayama, e a Feaduaneiros (Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros), representada por José Carlos Raposo Barbosa. Em paralelo, circularam por painéis e reuniões técnicas Rosaldo Trevisan, Fernando Pieri, Fernanda Kotzias, Renata Sucupira, Raquel Segalla Reis, Claudio Pereira, Elisangela Oliveira, Carmen Silva, Daniela Floriano, Onofre Batista, Jeniffer Pires, Daniela Lacerda e Daniela Marques.
O ponto alto da agenda brasileira concentrou-se em 5 de setembro. Fabiano Coelho, Subsecretário de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil, proferiu a conferência do eixo de segurança — riscos à proteção do cidadão e ao comércio legítimo — e integrou a mesa de autoridades aduaneiras ao meio-dia (FOTO). Em ambos os momentos, a ênfase foi objetiva: decisão baseada em dados, seleção por risco e previsibilidade para o operador regular.
As apresentações mostraram aplicações concretas em curso. O Operador Econômico Autorizado (OEA) apareceu como instrumento de confiança regulada, com critérios públicos e verificação proporcional. O Remessa Conforme tratou do e-commerce de baixo valor com dados antecipados e triagem algorítmica. O Trânsito Aduaneiro foi detalhado com o Módulo Trânsito (TRAM), registrando eventos de origem–percurso–destino e permitindo parametrização por perfil de carga e histórico do operador. O Módulo Recintos integrou gate-in/gate-out, inventário e unitização em terminais e armazéns, com mensagens padronizadas. As Conferências Físicas Remotas demonstraram inspeção assistida por vídeo, cadeia de custódia digital e amostragem inteligente. E o Portal Único de Comércio Exterior, em evolução para o Siscomex 3.0, consolidou DUIMP/DU-E/LPCO e Catálogo de Produtos sob o princípio de “dados uma única vez”, com trilhas de auditoria e APIs para interação com órgãos anuentes.
Para o enforcement, foi citado o caso Operação Carbono Oculto, que combinou cruzamento de bases fiscais, aduaneiras e logísticas, seleção de alvos por anomalia e atuação interagências no setor de combustíveis — exemplo de reforço à concorrência leal sem penalizar quem cumpre regra.
No plano regulatório, o Brasil levou três frentes: elaboração de lei geral de comércio exterior com atualização de conceitos e alinhamento a boas práticas; desenho de regulamento aduaneiro mais enxuto, organizado por macroprocessos (importação, exportação, trânsito, recintos, fiscalização); e instrução normativa de importação preparada para consulta pública, concebida como ponte entre o regime vigente e o desenho futuro, consolidando requisitos, integrações sistêmicas e parâmetros de gerenciamento de risco. A aproximação com a academia apareceu como método: pilotos, avaliação de impacto e linguagem executável antes da escalabilidade.
Em pano de fundo, o enquadramento internacional referiu o Acordo de Facilitação do Comércio (OMC) e a Convenção de Quioto Revisada (OMA), além dos pilares do SAFE Framework — aduana-aduana, aduana-empresa e aduana-outros órgãos —, traduzidos em interoperabilidade, reconhecimento mútuo e governança de dados. A mensagem, no conjunto, manteve tom jornalístico e verificável: iniciativas em execução, metas mensuráveis e continuidade como variável determinante para ganhos de tempo, exigências e acurácia de seleção.
“É muito rico vermos nosso protagonismo integrado, público-privado, nas terras de quem já entendeu esta natureza lá em 1809, ao nomear o primeiro despachante em moldes que apenas o AFC viria a trazer como parâmetros séculos depois”, afirmou Marcelo de Castro, diretor de Marketing Institucional do SINDASP.