Reconhecimento mútuo do Operador Econômico Autorizado (OEA) está na pauta de acordo com o Japão

Acordo de patentes, céus abertos e isenção de vistos são prioridades da indústria na agenda de curto prazo com o Japão

O PPH facilita e agiliza os processo de patentes e é uma ferramenta de inovação, por atrair centros de pesquisa e desenvolvimento. Alvo de muita discussão ideológica nos últimos anos, o Brasil caminha para assinar um Acordo para o Compartilhamento de Exames de Patentes (PPH) com o Japão. Segundo a especialista em Diplomacia Empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a advogada Silvia Menicucci, em 2014 – dados mais recentes-, os japoneses registraram 265.959 pedidos de patentes no próprio Japão e outros 2.229 no Brasil. No mesmo ano, os brasileiros depositaram 4.659 pedidos no Brasil e 88 no Japão. Os números absolutos mostram uma desproporção muito grande. Mas, em termos relativos, os pedidos japoneses no Brasil representam 0,83% dos pedidos totais, enquanto dos pedidos brasileiros no Japão correspondem a 1,88%. “O Brasil só tem a ganhar. O PPH facilita e agiliza os processo de patentes e é uma ferramenta de inovação, por atrair centros de pesquisa e desenvolvimento”, afirmou a especialista, durante a 19ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, nesta terça-feira (4), em Tóquio.

Durante o encontro, Menicucci lembrou que na Agenda Internacional da Indústria, divulgada em julho deste ano, os empresários afirmaram que, além do PPH, também querem que o Brasil discuta acordos de parceria econômica e acordo de investimento. Além disso, ainda consta na agenda o acordo para isenção de vistos. O Japão já possui acordos de isenção de vistos com 67 países, entre eles 12 latino-americanos. O Brasil, por sua vez, tem acordos com 83 países. Mas não há nenhum entre Brasil e Japão. Atualmente, o brasileiro que precisa ir para o país asiático tira o visto na modalidade single, que só dá direito a uma entrada de 15 dias e tem validade de três meses. “É preciso que ambos os países avancem na isenção de vistos lembrando que a facilitação de viagens é um tema de facilitação de comércio, então é algo que deve ser levado em conta”, explicou Menicucci.

O Brasil também espera avanços no open skies, o acordo de céus abertos, que elimina restrições de itinerários e de frequências de voos. No momento, o Brasil tem um único acordo assinado com os Estados Unidos, que ainda não está em vigor, pois está em análise no Congresso Nacional. Segundo Menicucci, os governos brasileiros e japonês devem conversar ainda neste mês de outubro sobre o tema. A expectativa é que os dois países assinem esse tratado, que possibilitará menores tarifas, maior oferta de voos, mais emprego e novos investimentos.

Outros temas da agenda do setor industrial em relação ao Japão:

– Reconhecimento mútuo de diplomas e de certificados profissionais. É uma medida importante para empresas que buscam internacionalização e querem atrair pesquisadores;

– Revisão do acordo para evitar dupla tributação;

– Acordo de reconhecimento mútuo do Operador Econômico Autorizado. Japão já possui acordos com Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia, além da União Europeia. O Brasil já firmou o plano de trabalho com Estados Unidos e Uruguai e mantém conversas com a Argentina.

Fonte: Investe SP

Empresas do Vale do Paraíba apostam nas novas operações de carga do Aeroporto de São José dos Campos

caminhao-dall-cargoDTA Cargo e Atuali Comex participam com palestra no evento Desembaraça Vale na próxima quarta-feira, 05/10, no MAB. Empresas já buscam primeira operação na nova modalidade trânsito aduaneiro.

No Fórum “Desembaraça VALE”, programado para o dia 05/10, no MAB – Memorial Aeroespacial Brasileiro, em São José dos Campos, a Infraero convidará empresas da região que movimentaram, nos últimos 12 meses, cerca de R$ 40 bilhões em importação e exportação. As inscrições para profissionais do setor ainda estão abertas.

O objetivo do encontro é o incremento das operações no terminal de carga do Aeroporto Professor Urbano Ernesto Stumpf, na cidade. Na programação, a estatal apresentará um programa de incentivos às empresas que atuam no segmento de comércio exterior e que venham a realizar o desembaraço aduaneiro de suas cargas de importação no local.

Porém, a iniciativa já mobilizou duas empresas do Vale do Paraíba. “Saímos na frente e já estamos trabalhando para realizar a primeira operação de um cliente importador nesta nova retomada do aeroporto”, destaca Paulo Vitor, diretor da Atuali Comex, empresa com origem no desembaraço aduaneiro e com Sede em Taubaté. A Atuali estará ao lado da Transportadora DTA Cargo no dia 05 de outubro, apresentando uma palestra sore o tema. “Fomos convidados e decidimos apoiar e levar a ideia adiante como fator de incremento ao comércio exterior regional”, comemora Alexandre Oliveira, diretor da Grupo Dall Cargo, que avalia a possibilidade de realizar a apresentação no evento com um provável case, já na nova modalidade de trânsito aduaneiro.

O evento tem o apoio de entidades ligadas ao setor como o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da Região, da Associação Brasileira de Logística (Abralog) e do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp).

Ficha técnica:

As inscrições são gratuitas limitadas à capacidade do local e podem ser feiras através do e-mail: contato@gpamais.com.br. Informações complementares poderão ser obtidas neste mesmo e-mail ou pelo telefone (12) 3946-3051.

 

Serra anuncia medidas para destravar comércio exterior e investimentos

Entre as mudanças anunciadas pelo Ministro está a elevação da alíquota do Reintegra

O governo brasileiro resolveu aceitar pleito do empresariado brasileiro e anunciou, nesta quarta-feira, a elevação da alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) do patamar mínimo de 0,1% para 2% em janeiro e, posteriormente, para 3%.

O programa foi criado para reembolsar as empresas de parte dos impostos da cadeia de exportação. O pedido foi apresentado na manhã desta quarta-feira pelo ministro Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) ao colega Henrique Meirelles (Fazenda). Os empresários queriam, porém, até 5%.

Em entrevista coletiva após a primeira reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) no governo Temer, o ministro José Serra (Relações Exteriores) disse que, além da elevação da alíquota do Reintegra, a Camex aprovou a criação da figura de um ombudsman para atender demandas de potenciais investidores internacionais no mercado brasileiro.

Segundo Serra, as medidas principais visam a reduzir o Custo Brasil, aumentando a inserção do país no comércio internacional e a atração de investimentos ao país. Mais cedo, na abertura da reunião da Camex, agora liderada pelo Presidente da República, Michel Temer, criticou o “isolamento” comercial do Brasil.

País vai questionar ação dos EUA – A Camex decidiu também que o Brasil vai questionar as barreiras criadas pelos EUA sobre supostos subsídios à exportação de produtos siderúrgicos do país. Segundo Serra, a exportação brasileira fica inviabilizada, por isso a decisão do Brasil de abrir uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). As barreiras americanas afetam as exportações de CSN e Usiminas

“Vamos dar início a um processo dentro da OMC. Inicialmente não é na OMC, tem uma preliminar, mas desemborcará nisso” disse Serra.

Na entrevista coletiva, Serra destacou a iniciativa de reduzir as cerca de 80 barreiras internas para expansão dos negócios entre países do Mercosul, como a do setor de automóveis entre Brasil e Argentina que limita as exportações entre os países.

“Quem vê de fora acha que está tudo livre em termos de comércio interno. No entanto, ainda há muitas barreiras internas”, acrescentou o ministro.

Na próxima segunda-feira, Serra vai com Temer à Argentina e ao Paraguai para tratar das questões do Mercosul, além da criação da hidrovia que passa pelos países da região.

Outra medida com crivo da Camex foi a intenção de terminar o acordo de transporte marítimo entre Brasil e Chile, em vigor desde 1974, em razão da baixa concorrência e alto custo do trecho.

Temer critica ‘isolamento’ comercial do Brasil no mercado internacional

Na primeira reunião comandando a Câmara de Comércio Exterior (Camex), o presidente Michel Temer criticou o “isolamento” do comércio internacional dos governos passados, sem citar nomes, e afirmou que o Mercosul está “voltando à normalidade”. Em fala na abertura do encontro, transmitida pela TV estatal NBR, Temer pediu esforços de ministros para aumentar a competitividade do Brasil.

“Precisamos romper o relativo isolamento externo dos últimos anos. Negociamos poucos acordos, insuficientes em número e impacto efetivo sobre nosso intercâmbio com o resto do mundo”, declarou Temer, sem mencionar ex-presidentes.

Nos últimos 15 anos, o país foi presidido pelos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

No primeiro mês como interino, Michel Temer assinou decreto alterando a composição da Camex. O colegiado passou a ser liderado pela Presidência da República, em vez do Ministério da Indústria, Serviços e Comércio Exterior. Outra mudança do peemedebista foi aumentar a participação do Itamaraty na Camex. Também fazem parte do órgão: Casa Civil, Fazenda, Planejamento, Agricultura e Programa de Parcerias de Investimentos.

Na primeira reunião da Camex com Temer, nesta quarta-feira no Planalto, deve ser debatido o fim do acordo de transporte marítimo entre Brasil e Chile, em vigor desde 1974. Michel Temer pediu urgência para reverter a redução de exportações brasileiras para países da América Latina, e para acelerar negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Temer comemorou que o Mercosul esteja “retomando o caminho da normalidade”. Ele pediu revisão em tarifas, mais acordos, eliminação de barreiras ao comércio entre países do bloco e modernização de procedimentos.

“No Mercosul, estamos retomando o caminho da normalidade. Precisamos de um Mercosul ágil e moderno, que sirva de plataforma para que atuemos fortalecidos no cenário internacional. Isso exige um enfrentamento de muitas questões”.

Fonte: O Globo

Galeão vai pedir à Anac reequilíbrio de contrato

Governo avalia relicitar o aeroporto do Rio, que deve R$ 1 bi em outorga

A RIOgaleão, concessionária responsável pelo aeroporto internacional do Rio, vai entrar com pedido de reequilíbrio econômico-financeiro de contrato junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nas próximas semanas. No pedido, a concessionária alegará que assumiu obras inacabadas da Infraero e teve de arcar com custos que não estavam previstos no contrato. Em paralelo, o governo considera relicitar o aeroporto carioca, segundo Tarcísio de Freitas, secretário de coordenação de projetos da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

A RIOgaleão está concluindo a contabilidade das obras não previstas, como a das esteiras que conectam os terminais 1 e 2. Hoje, há cerca de R$ 2 bilhões em pedidos de reequilíbrios em análise na Anac por terminais privados, diz uma fonte do setor, a maioria por obras não concluídas da Infraero. A falta de uma decisão da Anac sobre os processos será o principal argumento das concessionárias num eventual embate com o governo sobre a relicitação de aeroportos.

— Se o governo alega que as concessionárias estão devendo, o governo também está devendo a elas — disse uma fonte próxima aos consórcios.

O governo avalia relicitar terminais sob a alegação de que as empresas descumprem o contrato, ao não pagarem as outorgas de 2016 e pleitearem mudanças no pagamento futuro. O assunto foi discutido entre executivos de concessionários ontem. O Galeão tinha de ter pago R$ 933 milhões em maio e não pagou.

‘Situação crítica’ – Freitas explicou que o governo estuda a melhor forma de encaminhar os projetos considerados críticos na área de concessões, que pode acontecer pela revisão de contratos ou por nova licitação. A modelagem final deve ser apresentada em um mês.

“A situação dos aeroportos do Galeão e de Confins é crítica. O dilema é que há questões macroeconômicas que atingiram frontalmente as concessões e, ao mesmo tempo, em alguns casos, há bids (propostas) irresponsáveis”, explica ele, que participou do Fórum Nacional, no Rio.”Tem casos que têm que ser relicitados. Na minha opinião pessoal, o Galeão é um deles. O aeroporto não está gerando receita para pagar a outorga”.

Fonte: O Globo