DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA

Artigo por Domingos de Torre e Carlos Alberto Rodrigues*

O despacho aduaneiro de mercadorias importadas ou a exportar é um procedimento fiscal regrado, o qual é processado sob o império de densa legislação que está adstrita a, praticamente, todos os ramos do Direito, destacando-se o Comercial, o Tributário, o Administrativo, o Internacional, o Constitucional, o Penal e outros.

Todos os ramos do Direito permeiam as atividades aduaneiras, conforme se observa de inúmeros dispositivos legais previstos em leis e regulamentos, o que ocorre em todos os países que compõem a comunidade aduaneira internacional.

Por isso permitimo-nos destacar a figura do desacato à autoridade aduaneira no exercício da função, que pode gerar multa e mesmo afetar o credenciamento do profissional acusado de prática dessa conduta.

No que tange a essa figura penal a doutrina ensina que o bem tutelado no desacato é o respeito à função pública, sendo que o Código Penal em seu artigo 331 dispõe que ‘Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela”, enseja pena de detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

O conceito de desacato, por ser amplo e genérico e ocorrer sob os efeitos psicológicos da emoção pessoal das partes envolvidas, impõe uma avaliação cautelosa da suposta prática desse ato delituoso, pois muitas vezes este decorre do zelo que o profissional tem em defender seu mandante contra certas atitudes da fiscalização tidas pelo profissional como excessivas e a discussão, por ser às vezes veemente, pode ser interpretada como desacato. Portanto, para que fique bem tipificada a infração é importante que se caracterize a intenção do agente em desacatar o agente fiscal.

De qualquer modo recomenda-se ao despachante aduaneiro que aja sempre com respeito e moderação, expondo à autoridade aduaneira, com independência, sua posição sobre o assunto controvertido, pois assim agindo granjeará, na mesma intensidade, o respeito do qual também é merecedor por parte da autoridade aduaneira, pois não se pode esquecer que a própria RFB – a se ver de atos normativos, reconhece o despachante aduaneiro como sendo um profissional que exerce função pública, embora não seja genuinamente um servidor público (pertence à categoria dos agentes públicos por delegação da Administração Pública).

É de se dizer, por outro lado, que a informatização dos serviços aduaneiros reduziu o contato pessoal entre os agentes do Fisco e os despachantes aduaneiros/contribuintes, diminuindo, evidentemente, os possíveis atritos suscetíveis de ocorrerem durante a relação presencial entre as partes.

*Domingos de Torre e Carlos Alberto Rodrigues são
Advogados da FEADUANEIROS – Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros. Especialistas em Comércio Exterior.

 

Governo de SP quer agenda permanente com o Ciesp para políticas de reindustrialização do estado

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Jorge Lima, participou de uma reunião nesta quinta (9), com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Paulo. A entidade, que representa 8 mil indústrias e tem 42 regionais no estado, foi convidada para uma agenda permanente de trabalho para ajudar na elaboração de políticas de reindustrialização no estado.

Participaram do evento, que foi híbrido, o presidente do Ciesp. Rafael Cervone, e representantes das 42 regionais da entidade. De acordo com o secretário, o contato mais próximo com as empresas possibilitará uma agenda de trabalho “mais focada”. Ele explicou que a geração de empregos e de renda serão dois dos principais pilares da economia do Governo Paulista nesta gestão, sob o comando do governador Tarcísio de Freitas, que assumiu o cargo em janeiro. Lima, que já havia participado de um encontro promovido pelo vice-governador, Felício Ramuth, e a regional do Ciesp de São José dos Campos esta semana, ressaltou que o governo está disposto a manter amplo diálogo.

De acordo com o secretário, São Paulo perdeu a liderança em inovação mesmo tendo universidades de renome internacional como a USP (Universidade de São Paulo) e a Unesp (Universidade Estadual Paulista). Apesar disso, ele aposta no estado para liderar a transição energética.

Outros temas que farão parte da pauta serão a “guerra fiscal” e cobrança de impostos. A cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) mais baixa acabou levando a migração de empresas paulistas para estados como Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.

Ele ainda frisou que embora São Paulo seja o estado mais rico do Brasil, a distribuição riqueza é desigual, sendo que a Grande São Paulo concentra hoje mais da metade do PIB (Produto Interno), seguida por Campinas (19%), São José dos Campos (5,8%) e Sorocaba (4,8%). Regiões do norte paulista, por exemplo, estão muito abaixo da média, como é o caso de Ribeirão Preto (2,5%) e Presidente Prudente (1%).

“Nós queremos saber como criar uma política de curto, médio e longo prazo para a indústria. Não conheço um país desenvolvido sem indústria forte. Nós queremos entender por que as grandes empresas não estão em São Paulo e por que nossos polos industriais estão sendo descaracterizados” afirmou o secretário. O secretário ainda sugeriu encontros trimestrais para ouvir as demandas do setor.

Na avaliação dos representantes das regionais, a reunião foi positiva. “É muito importante que haja uma agenda conjunta construída a várias mãos, com pensamento estratégico no longo prazo e que permita a retomada da economia do país por meio de uma indústria forte”, ressaltou Cervone ao final do evento. Antes de falar com o Ciesp, o secretário também havia se reunido com lideranças do Senai-SP.

FEADUANEIROS aponta reforma tributária e diminuição de burocracia como caminho para o crescimento do comércio exterior

As câmaras de comércio e serviços da CNC se reuniram em fevereiro e elegeram prioridades para o ano de 2023. São elas, Reforma tributária, Regulamentação do comércio eletrônico e a Convenção 158 da OIT

Para o Presidente da FEADUANEIROS – Federação Nacional de Despachantes Aduaneiros – José Carlos Raposo Barbosa, são três importantes temas e de grande relevância para o crescimento do Brasil, sendo que a Reforma tributária impacta diretamente o comercio exterior brasileiro. “Uma diminuição da carga tributária com unificação de vários tributos e diminuição das obrigações acessórias. Não se tem mais espaço para o aumento da elevada carga tributária, sendo importante a criação de alíquotas diferenciais para indústria, comércio e serviços”, afirmou Raposo

Em um Artigo recente publicado, o presidente da FecomercioSP, Abram Szajman, discorreu sobre os desafios para 2023 do novo governo federal, citando redução da burocracia.

Na avaliação da FEADUANEIROS, é fundamental a redução da burocracia no comércio exterior, adotada principalmente pela Receita Federal e o SECEX, porém devendo ser seguido por todos os órgãos anuentes. “Só assim os empresários terão condições melhores para concorrência internacional, lembrando que quem não importa também não exporta, ou seja, o comércio exterior é uma via de mão dupla”, ressaltou Raposo.

Ao trazer sua experiência internacional, em função da interface da Entidade com outros países, Raposo resgatou o discurso internacional conduzido por outros entes deste mercado. “A redução da burocracia é apoiada pela OMC, OMA, ASAPRA, entre outras instituições internacionais”, defendeu.

Perspectivas 2023 – Um relatório da CEPAL aponta que a expectativa para 2023 do comércio mundial é de desaceleração, com crescimento na casa de apenas 1%. Na visão da FEADUANEIROS, o Brasil pode descolar desta previsão e crescer além desses números. “Acredito que seja possível, se houver uma reforma tributária e diminuição de burocracia para o empresariado ter mais condições de competividade no comércio internacional”, finalizou Raposo.

BH Airport anuncia novo modelo do Aeroporto Industrial

Ampliando as frentes de atuação do primeiro e único Aeroporto Industrial do país, o Hub Logístico Intermodal do BH Airport dá mais um grande passo rumo à consolidação do terminal internacional mineiro como provedor de soluções logísticas, tributárias e de gestão para as empresas. A novidade passa a vigorar a partir de março, oferecendo dois modelos de negócio personalizados, otimizados e flexíveis para impulsionar a operação do Aeroporto Industrial do BH Airport: Estoque Avançado e Entreposto Industrial.

A evolução no formato de negociação favorece perfis empresariais que movimentam matérias primas importadas, enquadradas no modelo de Estoque Avançado, que utilizam processos de segurança, tecnologia e operação de uma área industrial sem anuência da Receita Federal do Brasil. Com a nova opção, a gestão de estoque passa a ser responsabilidade da própria empresa, que continua contando com a estrutura e serviços do Terminal de Cargas do BH Airport como entreposto aduaneiro comum (armazenamento de cargas e liberação parcial, de acordo com a necessidade).

O formato de Entreposto Aduaneiro Industrial segue ativo e atendendo empresas focadas em exportação, mantendo a adequação de processos de um recinto alfandegado e os benefícios de isenção tributária. Neste modelo, a gestão de estoque continua sendo operacionalizada pela equipe do BH Airport, e os processos de segurança, tecnologia e operação seguem os padrões da Receita Federal do Brasil.

“A evolução do modelo do Aeroporto Industrial tem como objetivo trazer maior densidade industrial para o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, alavancando seu crescimento em mais uma iniciativa pioneira e evidenciando o BH Airport na dianteira do ecossistema do comércio exterior do Estado de Minas Gerais, que ainda conecta a indústria a soluções eficientes por céu, terra e mar”, avalia o gestor do Hub Logístico Multimodal do BH Airport, Marcelo Farias.

“Aliando a eficiência operacional de nosso Hub Logístico Multimodal, com a performance da equipe, a indústria 4.0 e a inovação tecnológica, o BH Airport investe em parcerias logísticas e soluções eficientes para os clientes, movimentando a economia com perfil sustentável e viés inovador, diferenciando-se na esfera do desenvolvimento aeroportuário nacional”, acrescenta.

 

Investimentos – Mais de R$ 30 milhões já foram investidos na infraestrutura do Hub Logístico Multimodal, com foco no fortalecimento e na consolidação da indústria dentro do sítio aeroportuário. A abertura de novas rotas internacionais, com voos de passageiros e cargueiros, além da consolidação das soluções para o modal marítimo, também são iniciativas relevantes para fortalecer o papel do aeroporto como centro de recebimento, armazenagem e distribuição de cargas usando soluções multimodais.

“Somos muito eficientes e competitivos nas modalidades de container fechado (full container) e de carga fracionada marítima (Less Container Load)”, declara Marcelo Farias. “Seguimos desenvolvendo soluções e alternativas customizadas para nossos clientes, oferecendo as melhores conexões estaduais e interestaduais para o transporte de cargas aéreas, terrestres e marítimas, que ligam diretamente os aeroportos de Guarulhos e Viracopos e, também, os Portos de Santos (SP) — a partir de Terminais como Ecoportos e Santos Brasil – Rio de Janeiro e Sepetiba ao BH Airport”, esclarece.

O Hub Logístico Multimodal e as novidades do Aeroporto Industrial foram destaques da participação do BH Airport no Intermodal South America 2023, o mais conceituado fórum de Logística, Transporte de Carga e Comércio Exterior da América Latina, que aconteceu entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março, em São Paulo. O evento reuniu representantes de portos brasileiros e internacionais (Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Portugal e Uruguai), aeroportos, empresas de transporte marítimo, aéreo, rodoviário e ferroviário, de movimentação de carga e equipamentos, além dos segmentos de software e tecnologia.

O evento encerrou na última quinta-feira, 02/03, com mais de 40 mil visitantes.

Primeira relicitação de aeroporto no Brasil ocorrerá em maio. Leilão servirá de parâmetro para Viracopos e RIOgaleão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou a relicitação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (ASGA), localizado no Rio Grande do Norte. O leilão será realizado em 19 de maio. O processo representa a primeira relicitação de um aeroporto concedido e deverá servir de parâmetro para as relicitações dos aeroportos de Viracopos e de Tom Jobim – RIOgaleão. A unidade aeroportuária de São Gonçalo do Amarante foi devolvida à União pela concessionária Inframérica em 2020.

O aeroporto do Rio Grande do Norte foi o primeiro concedido à iniciativa privada. O leilão ocorreu na BMF&Bovespa, em 22 de agosto de 2011, com início da concessão em 24 de janeiro de 2012, pelo prazo de 28 anos. Ele está situado no município de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal e foi inaugurado em 31 de maio de 2014.

Os processos de relicitação dos aeroportos internacionais de Viracopos (SP) e Tom Jobim – RIOgaleão (RJ) seguem tramitando normalmente, de acordo com informação fornecida à Agência Brasil pela Anac.

Em relação a Viracopos, os documentos relacionados à relicitação do aeroporto continuam sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). “Tão logo ocorra a aprovação pelo tribunal, será dada continuidade ao processo, com publicação do edital e agendamento do leilão”, disse a Anac. A agência vai encaminhar ao TCU o cálculo dos investimentos realizados no aeroporto e ainda não amortizados para indenização à concessionária atual.

Localizado no município paulista de Campinas, o Aeroporto Internacional de Viracopos foi concedido à iniciativa privada em leilão realizado na BMF&Bovespa em 6 de fevereiro de 2012. A vencedora do leilão foi a concessionária Aeroportos BRASIL – Viracopos S.A. com início da concessão no dia 11 de julho de 2012, pelo prazo de 30 anos.

RIOgaleão – Sobre o Aeroporto Internacional Tom Jobim – RIOgaleão, a Anac informou que está aguardando a elaboração dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) do aeroporto, com vistas a dar prosseguimento à elaboração das minutas de edital e contrato de concessão para submissão à consulta pública e envio do processo ao TCU. “Todos os envolvidos no processo de relicitação do Galeão estão conversando para discutir as melhores soluções possíveis para o Rio de Janeiro. O foco sempre vai ser como melhor atender à população e aos passageiros do Rio, que precisam tanto do Aeroporto do Galeão quanto do Aeroporto Santos Dumont”, disse a Anac.

O Aeroporto Internacional Tom Jobim foi concedido à iniciativa privada na 3ª Rodada, em leilão realizado na BMF&Bovespa em 22 de novembro de 2013. A vencedora da licitação foi a Concessionária Aeroporto Rio de Janeiro S.A. O início da concessão ocorreu em 7 de maio de 2014, com prazo previsto de 25 anos.

O futuro do Aeroporto Internacional Tom Jobim, bem como do Aeroporto Santos Dumont, este localizado na região central da capital fluminense e administrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), foi debatido no dia 21 de janeiro, durante encontro entre o prefeito carioca, Eduardo Paes, e os ministros de Portos e Aeroportos, Márcio França, e do Turismo, Daniela Carneiro. Ao final do encontro, foi informado que tanto o governo federal quanto a concessionária RIOgaleão iam procurar uma forma para chegar a um acordo que fosse favorável a todos.

O processo de devolução do Aeroporto Internacional Tom Jobim – RIOgaleão foi iniciado no dia 10 de fevereiro de 2022.

Objetivo – De acordo com a Anac, a concessão de aeroportos tem como objetivo atrair investimentos para ampliar, aperfeiçoar a infraestrutura aeroportuária brasileira e, consequentemente, promover melhorias no atendimento aos usuários do transporte aéreo no Brasil. Os níveis de qualidade dos serviços determinados para esses aeroportos, baseados em padrões internacionais, estão previstos nos contratos de concessão, que são geridos e fiscalizados pela Anac.

A partir de 2017, na 4ª Rodada de concessão, os aeroportos foram ofertados sem a participação da Infraero. O primeiro leilão desse tipo ocorreu em 16 de março de 2017, envolvendo os aeroportos internacionais de Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

Em blocos – A partir da 5ª Rodada, as unidades passaram a ser oferecidas à iniciativa privada em blocos. Em 15 de março de 2019, ocorreram os leilões dos Blocos Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

Na 7ª rodada, foi atualizado o projeto de concessão com remodelagem dos blocos e exclusão do Aeroporto Santos Dumont (RJ), cuja concessão foi reprogramada para o ano de 2023, na 8ª rodada, passando a licitação a ser estudada em conjunto com o Aeroporto do Galeão, também na capital fluminense, tendo em vista a solicitação de devolução do ativo à União da unidade internacional do Rio de Janeiro pela atual concessionária.

Em 18 de agosto de 2022, foi realizado na B3 o leilão de três blocos de aeroportos, somando 15 unidades. Juntos, os 15 aeroportos da 7ª rodada respondem por 15,8% dos passageiros no mercado brasileiro de transporte aéreo.

Relicitação do Aeroporto de Viracopos continuam sob análise do Tribunal de Contas da União – Elio Sales/Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República

Balanço – Falando à Agência Brasil, o coordenador do Comitê de Regulação de Infraestrutura Aeroportuária da Fundação Getulio Vargas Direito (FGV Direito), do Rio de Janeiro, Fernando Villela, disse que a modelagem das concessões dos aeroportos no Brasil sofreu alterações ao longo do tempo, ou aprimoramentos. Ele destacou que todas as concessões que estão sendo devolvidas para fins de relicitação foram parte das primeiras rodadas de concessão no Brasil. Villela considera isso positivo, porque, a partir de 2017, nenhuma das concessões mais recentes foi devolvida.

Na avaliação do coordenador do comitê da FGV Direito Rio, nas primeiras concessões, houve um superdimensionamento de fluxo de passageiros e de transporte de carga. “Essas concessões vieram em um contexto de muito otimismo no Brasil. Foi antes da Copa do Mundo, das Olimpíadas. Havia expectativa de que o Brasil teria um incremento considerável no fluxo de passageiros, de turismo e de carga. Com esse otimismo e o superdimensionamento do transporte de passageiros e de carga, consequentemente as concessionárias da época apresentaram lances muito agressivos nos leilões, o que elevou o custo da concessão”.

Ao longo do período da concessão, a empresa concessionária precisa recuperar o investimento inicial, que é a outorga. Só no Aeroporto Internacional Tom Jobim, do Rio de Janeiro, a outorga, isto é, o dinheiro a ser pago à União, ficou em cerca de R$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões, disse Villela.

O coordenador ressaltou que esse otimismo acabou não se concretizando na prática. O que aconteceu foi que as concessionárias viram que, até o final do contrato, não seria possível reaver o investimento feito durante o leilão (outorga) e também os investimentos com obras.

“A conta entre o quanto foi pago e o que precisa em termos de passageiros e de carga ao longo do período da concessão para recuperar esse investimento não fechou. Essas concessionárias decidiram pela devolução do ativo, que é a relicitação”.

Modelagem – Além do fator econômico e do superdimensionamento de transporte de passageiros e de carga, houve um terceiro componente que influenciou que foi a modelagem do contrato de concessão, disse o advogado. A principal diferença entre a modelagem das concessões das primeiras três rodadas com a modelagem da quarta rodada em diante é que, até a terceira rodada, diversos investimentos deveriam ser feitos pelas concessionárias, independente do fluxo de passageiros.

A partir da 4ª rodada, o governo federal e a Anac alteraram os contratos, estabelecendo que alguns investimentos seriam obrigatórios, enquanto outros só teriam obrigatoriedade a partir do momento em que o aeroporto alcançasse, anualmente, um número determinado de passageiros transportados. Isso significa que determinados investimentos teriam um gatilho de demanda, para evitar que houvesse investimento desnecessário, que não vai se conseguir pagar ao longo da concessão.

Essa mudança de modelagem, que “é um racional econômico, ou só vou investir se precisar, se o aeroporto demandar, se houver fluxo de demanda necessário”, veio a partir da 4ª rodada, de 2017 em diante.

Segundo Fernando Villela, o Brasil é um dos poucos países no mundo que foi capaz de atrair diversos operadores internacionais de renome, entre os quais citou a Fraport e a Vinci Airports, da França, a Zurich Airport Brasil e a Aena Brasil, da Espanha, esta última a maior operadora de aeroportos do mundo. “E todos eles da 4ª Rodada em diante”, frisou.

Serviço públicos – Villela considera a relicitação um mecanismo positivo para o governo atrair esses operadores internacionais e também nacionais com interesse em ter os três aeroportos que voltarão a ser leiloados e operar essas unidades. Ele comentou que, rotineiramente, os aeroportos brasileiros sob concessões vencem premiações internacionais, seja em razão de pontualidade, qualidade da infraestrutura ou sustentabilidade.”A gente consegue ver como isso impacta positivamente a sociedade: qualidade de infraestrutura, qualidade de operação, tudo isso melhora o serviço público para a sociedade”.

Fernando Villela definiu que “a relicitação veio para não apontar culpado”. Ele explicou que a relicitação é um acordo entre o governo e a concessionária de que aquele contrato de concessão não está muito bom, seja por culpa do governo ou da concessionária. “O que importa é eu quero devolver. O governo aceita a devolução, sem grandes penalidades ou restrições para a concessionária que está saindo e, em troca disso, há uma nova licitação mais rápida para que uma nova empresa possa operar aquele aeroporto, com base em novo contrato”.

Como as concessões feitas a partir de 2017 têm sido um sucesso, a expectativa é que as novas concessões também serão bem-sucedidas. “A relicitação é boa para o Brasil”, concluiu Fernando Villela.

Crise – O professor Elton Fernandes, do Departamento de Produção e Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), avaliou que não foi a pandemia do novo coronavírus que influenciou a devolução dos aeroportos. “Antes, a situação já estava muito ruim. Foram criadas expectativas não realistas, porque o transporte aéreo já vinha, desde o início do ano 2000 até 2015, em processo de esvaziamento”.

Em relação ao Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Fernandes disse que foi uma concessão política e que a ideia de transformar o Rio Grande do Norte no hub ( locais estratégicos para a redistribuição) do Nordeste fracassou. Em relação ao Aeroporto de Viracopos, a devolução foi motivada pela movimentação precária de carga, enquanto Guarulhos melhorou muito o manuseio da parte cargueira, retomando a administração mais eficiente na questão da carga, disse o professor.

Com a recessão a partir de 2015, todos os negócios que não eram sustentáveis em outros estados migraram para São Paulo, o que levou Guarulhos a crescer e ter mais conexões. “Até os voos internacionais começaram a surgir, porque a partir de São Paulo você vai para qualquer lugar”.

FOTO, Fonte e Informações: Agência Brasil