FecomercioSP quer aproximação com Sindicatos para ampliar o número de MPEs no mercado global

Ampliar o número de pequenas e médias empresas no mercado internacional exige mais do que a abertura de novos mercados. Capacitação, inteligência, adaptação de produtos, conhecimento do público-alvo, apoio especializado e acesso a uma infraestrutura logística eficiente estiveram no centro do seminário “Caminhos para a Globalização”, promovido pelo Conselho de Relações Internacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Estiveram reunidos Sindicatos parceiros e representantes do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em São Paulo (Sebrae/SP), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Associação Brasileira de Portos Secos e Clias (Abepra), do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp) e da Receita Federal do Brasil (RFB).

A iniciativa integra a estratégia da Federação de aproximar as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) das ferramentas disponíveis para a internacionalização, acompanhando os negócios desde os primeiros passos na cultura exportadora até a preparação e a conexão com mercados externos.

Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, apresentou dados que mostram a relevância e o avanço dos pequenos negócios nessa agenda. A base de MPEs apoiadas pela agência passou de 7.565, em 2022, para 12.084, em 2025, crescimento de 59,7%. No mesmo período, o número de MPEs apoiadas que efetivamente exportaram aumentou de 740 para 1,16 mil.

O avanço também aparece no valor comercializado no exterior. As exportações das empresas apoiadas saltaram de US$ 239,3 milhões, em 2022, para US$ 602,1 milhões, em 2025, alta superior a 150% em três anos. Os números corroboram um dos pontos discutidos no encontro: chegar a mais empresas é apenas uma parte do desafio; é necessário transformar a orientação e a preparação em presença internacional sustentável e duradoura.

Preparação para chegar ao mercado externo – A estratégia apresentada por Pesaro parte de diferentes níveis de maturidade empresarial. A jornada começa pela sensibilização para a cultura exportadora, passando pela qualificação e preparação do negócio e pelo ganho de competitividade até chegar às ações de promoção comercial e conexão com mercados. Em 2025, a qualificação empresarial foi a principal categoria de serviços utilizada pelas MPEs atendidas pela ApexBrasil, seguida por promoção comercial, inteligência de mercado e expansão internacional.

Dentre os instrumentos apresentados, destaque para o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), destinado à preparação das empresas para o processo de internacionalização. Em 2025, o programa atendeu 3.426 negócios, dos quais 2,25 mil eram MPEs, o equivalente a 65% do total.

A ApexBrasil também apresentou iniciativas para diferentes perfis e estágios de maturidade, como cursos gratuitos de educação a distância e programas como Elas Exportam, Brasil Feito à Mão, Exporta Mais e Jornadas Exportadoras.

Novos instrumentos buscam enfrentar obstáculos mais específicos encontrados durante a preparação. A Bolsa Exportação, por exemplo, contempla frentes como certificações internacionais, design de produtos e embalagens e comércio eletrônico em plataformas internacionais, além de ações de diversificação de mercados.

Outro instrumento apresentado foi o Apex+Perto, com lançamento previsto para ainda este mês. A iniciativa oferecerá atendimento individualizado e online para exportação, integralmente subsidiado pela ApexBrasil, com até três horas de orientação por consultores credenciados e com experiência em acesso a mercados.

Pesaro ressaltou que o desafio não termina quando a empresa realiza a primeira venda internacional. A continuidade é fundamental para preservar o mercado conquistado. “Começou a exportar, não pode voltar atrás. Porque a gente perde mercado”, afirmou.

Logística pode aproximar empresas do comércio exterior – A infraestrutura necessária para pôr essa estratégia em prática também entrou no debate. Elielson Almeida, presidente da Abepra, apresentou o papel dos Portos Secos e dos Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs) na cadeia de comércio exterior.

Localizadas fora da zona primária de portos e aeroportos, essas estruturas alfandegadas realizam atividades de armazenagem, movimentação e despacho aduaneiro de mercadorias sob controle da RFB e dos demais órgãos responsáveis.

A lógica é complementar à estrutura dos portos e aeroportos. Enquanto a zona primária tem como vocação principal a passagem das cargas, a zona secundária pode concentrar etapas de tratamento aduaneiro, contribuindo para evitar a saturação dos terminais e reduzir gargalos operacionais.

Outro aspecto destacado por Almeida foi a interiorização do comércio exterior. A presença dessas estruturas mais próxima dos polos produtivos permite que operações de importação e exportação sejam realizadas com menos necessidade de deslocamento até portos e fronteiras congestionadas. “A gente tem um fator muito importante do Porto Seco como uma forma de aproximar o comércio exterior dos centros produtores, dos centros consumidores”, ressaltou.

Com isso, a infraestrutura aduaneira pode contribuir para reduzir custos logísticos, ampliar a previsibilidade das operações e aproximar empresas localizadas no Interior do Estado da atividade internacional. Segundo o presidente da Abepra, a maior proximidade dessas estruturas também amplia o acesso aos regimes aduaneiros especiais, que podem trazer ganhos de competitividade aos negócios.

A partir do encontro, a estratégia deve avançar para uma atuação mais próxima dos Sindicatos. O presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, afirmou que a Federação pretende levar essa agenda diretamente às entidades. “Pretendemos dar continuidade a esse processo de orientação e disseminação da política de incentivo ao comércio exterior”, afirmou. A proposta é utilizar a capilaridade da base de representação da Entidade para fazer com que orientação e conhecimento cheguem às empresas da capital e do interior.

Ao reforçar o compromisso da Federação com essa agenda, o presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua, destacou que o objetivo é ampliar a visão das empresas e entidades diante das transformações da economia mundial. “Queremos ampliar esse repertório sobre comércio exterior, conscientizar sobre as transformações globais, disseminando esse conhecimento entre as empresas representadas. É um trabalho de abertura de visão, mostrar que internacionalização não é uma agenda exclusiva das grandes companhias”, afirmou.

Fonte: Com informações FecomercioSP

Novo porto em Aracruz pode abrir rotas de exportação para o agro capixaba

O agronegócio capixaba poderá ganhar novas alternativas para escoar a produção ao mercado internacional com o complexo portuário da Imetame Logística, em desenvolvimento no município de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. O empreendimento terá capacidade para movimentar diferentes tipos de cargas e busca atrair linhas marítimas de longo curso, ampliando as possibilidades de transporte para produtores e empresas que atuam no comércio exterior.

O projeto contempla operações de contêineres, carga geral, granéis sólidos, incluindo produtos do agronegócio, além de granéis líquidos, óleo e gás e um terminal de abastecimento. A proposta é atender diferentes setores da economia e fortalecer a infraestrutura logística do estado.

De acordo com o coordenador comercial da Imetame Logística Porto, Cláudio Melim, o empreendimento terá características que poderão contribuir para ampliar a participação do Espírito Santo nas operações marítimas internacionais.

Para o agronegócio, a ampliação das alternativas logísticas poderá representar novas possibilidades de comercialização da produção. O acesso a rotas marítimas internacionais é um dos fatores que influenciam os custos e a eficiência das exportações, especialmente para empresas que precisam movimentar grandes volumes de mercadorias.

Teoria do Nobel de Economia inspira estudo “Aduana das Expectativas: o custo invisível de uma fronteira imprevisível”

Inspirado nas teorias dos vencedores do Nobel de Economia de 2026, estudo de Marcelo de Castro Ferreira propõe olhar além do tempo médio de liberação e examina o valor da informação na intermediação aduaneira.

Uma aduana pode ser rápida e, ainda assim, cara. Imagine duas fronteiras que liberam mercadorias em cinco dias, em média. Na primeira, quase todas as cargas saem nesse intervalo. Na segunda, algumas passam em horas e outras ficam retidas por duas semanas. A média é a mesma; a conta, não. A diferença reaparece em estoques, capital de giro, contratos e investimentos que talvez nunca sejam realizados.

É essa a provocação do working paper Aduanas das Expectativas, do economista e despachante aduaneiro Marcelo de Castro Ferreira. O trabalho parte de uma inspiração pouco usual para o setor: as contribuições de Robert E. Hall e Michael Woodford, laureados com o Nobel de Economia de 2026. Os dois não formularam teorias aduaneiras. Sua relevância para o argumento está no comportamento prospectivo dos agentes: decisões tomadas hoje dependem daquilo que se espera do amanhã.

Uma importação começa economicamente antes da chegada do navio. O fornecedor foi escolhido, o preço acertado e o financiamento contratado quando o importador ainda não sabe quanto tempo a carga permanecerá na fronteira. O custo da aduana, portanto, não nasce apenas no desembaraço. Parte dele já estava embutida na decisão de comerciar.

 

O preço da incerteza – A economia do comércio exterior conhece o custo do tempo. David Hummels e Georg Schaur estudaram o tempo como barreira comercial; Kyle Handley e Nuno Limão examinaram como a incerteza da política comercial altera investimentos e a entrada de empresas em mercados externos. A contribuição proposta por Ferreira não é descobrir que atrasos custam dinheiro, mas combinar prazo esperado, dispersão dos resultados e qualidade da informação num modelo aplicado à fronteira.

No Modelo da Aduana das Expectativas (MAE), a firma avessa ao risco decide quanto comerciar levando em conta tanto o tempo médio de liberação quanto sua variância. Sob as hipóteses do modelo, mesmo sem aumento da média, maior dispersão pode reduzir a quantidade ótima comercializada. Para uma pequena empresa, o efeito pode ser mais severo: o estoque de segurança e o financiamento adicional podem tornar uma operação inviável.

Daí uma conclusão desconfortável para quem mede eficiência apenas com médias: reduzir um prazo de seis para cinco dias nem sempre vale mais do que tornar confiável um prazo de cinco. Mediana, desvio padrão e percentil 90, que indica o prazo em que 90% das operações foram concluídas, ajudariam a revelar a cauda dos atrasos. A metodologia Time Release Study da Organização Mundial das Aduanas oferece um ponto de partida para essa análise.

O controle não precisa ser uma surpresa – Decisões antecipadas, processamento antes da chegada, gerenciamento de risco e janela única são normalmente apresentados como instrumentos de simplificação. Também podem funcionar como mecanismos de redução da incerteza. Conhecer previamente o tratamento regulatório de uma mercadoria pode influenciar o preço negociado antes que ela seja embarcada.

Isso não transforma previsibilidade em virtude suficiente. Uma aduana que demora invariavelmente vinte dias é previsível, mas continua onerosa. O objetivo econômico é combinar prazos menores com resultados mais consistentes, sem enfraquecer a fiscalização.

 

O intermediário e a informação – O aspecto mais instigante do estudo talvez esteja no despachante aduaneiro. Em vez de tratá-lo apenas como executor de formalidades, o modelo examina sua função como intermediário de informação, conformidade e coordenação.

Há dois canais distintos. No primeiro, o profissional melhora a previsão. Se uma empresa espera liberação em três dias e uma análise especializada indica oito, a notícia é ruim, mas pode evitar uma decisão pior. Uma expectativa precisa vale mais do que uma expectativa otimista. No segundo, o intermediário pode reduzir atrasos evitáveis, por exemplo, ao prevenir inconsistências documentais ou coordenar melhor os participantes da operação.

O modelo não supõe que o despachante controle decisões da autoridade. Há valor econômico líquido quando os benefícios de informação e conformidade superam o preço do serviço. Essa condição afasta a discussão da defesa da burocracia e a aproxima da economia dos custos de transação. Num ambiente cada vez mais automatizado, transmitir dados tende a valer menos; interpretá-los corretamente pode continuar valendo muito.

 

A fronteira antes da fronteira – Ferreira resume sua leitura da Facilitação do Comércio em três dimensões: velocidade, confiabilidade e acessibilidade. A última importa porque a incerteza não afeta somente o volume das operações existentes; pode determinar quais empresas conseguem participar do comércio internacional.

O working paper apresenta cinco simulações gráficas e hipóteses. Ferreira é economista e despachante aduaneiro, CEO da EBIMEX Comércio Exterior, Diretor Secretário Adjunto do SINDASP e atuou na assessoria de Marketing Institucional da ASAPRA entre 2023 e 2025.

A provocação final é econômica, não burocrática: uma fronteira pode impor custos muito antes de receber uma carga, assim como pode produzir valor antes de liberá-la. Se empresas conseguem antecipar com confiança o ambiente que encontrarão, deixam de imobilizar parte do capital destinado a se proteger do desconhecido. A aduana mais eficiente talvez não seja apenas aquela que libera depressa, mas aquela que permite decidir melhor.

 

Leia o estudo: https://drive.google.com/file/d/10u_pkmJb_frELV-xfFn9H6Ow6tAqlRyN/view?usp=drivesdk

GRU receberá primeira edição do Almoço Gourmet Comex

Com o objetivo de impulsionar conexões estratégicas e debater as tendências do setor, o Almoço Gourmet Comex fará sua primeira edição com o público de interface com o mercado de carga do Aeroporto de Guarulhos.

Após o sucesso de Campinas, agora será a vez do premiado Restaurante Base, do Hotel Pullman no Aeroporto receber o Encontro de Conteúdo e Networking.

O evento, que reunirá as principais lideranças do mercado no dia 23 de outubro, segue com a mesma proposta de ser um ponto de encontro indispensável para os tomadores de decisão da área.

A proposta é proporcionar um ambiente ideal para o networking de alto nível, geração de negócios e troca de experiências entre quem de fato movimenta a cadeia do comércio internacional.

Overview de Conteúdo – Além das conexões de negócios, o evento oferece uma experiência sensorial e informativa diferenciada. A Apresentação de um overview dinâmico será anunciada na próxima semana pelos organizadores e contará com a participação da Alfândega da Receita Federal do Aeroporto de Guarulhos.

Marcas de Valor – Grandes Empresas assinam o evento e estarão presentes. As apoiadoras nesta edição são: Sindasp, AGESBEC; Rodo Import, West Cargo, Asa Express, V. Santos, Bwin Tech, Alpha Cargo e ELO Logística.

Experiência Gastronômica – A edição será no premiado Restaurante “BASE”, proporcionando um ambiente sofisticado e acolhedor para os convidados.

O serviço de buffet será harmonizado durante todo o evento com o aclamado vinho argentino D.V. Catena, elevando o padrão da experiência gastronômica.

 

Aeroporto de Guarulhos é o primeiro aeroporto do Brasil com regras sobre Drones

O Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) será o primeiro do país a receber diretrizes específicas para a implantação de um sistema de detecção, monitoramento, mitigação e neutralização de drones.

A diretriz estabelece que a aquisição, implantação e operação do sistema fiquem a cargo da concessionária do aeroporto, seguindo requisitos técnicos e de segurança definidos pelos órgãos competentes. A presença de drones em áreas próximas aos aeroportos, além de oferecer risco para pouso e decolagem de aeronaves, acaba interferindo nas operações e reduzindo a eficiência do aeroporto. Além do risco para pousos e decolagens, essas ocorrências podem interferir na regularidade das operações.

A implantação será feita de forma articulada entre Anac, Polícia Federal, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Receita Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), respeitando as atribuições de cada órgão.