Japonesa Unicharm adquire fabricante brasileira exportadora de alimentos Pet

A multinacional japonesa Unicharm Corporation anunciou a aquisição da fabricante Nutrire. Fundada em 2001, a Nutrire possui plantas industriais em Garibaldi (RS) e Poços de Caldas (MG), exportando rações para cães e gatos para mais de 50 países em quatro continentes.

O acordo de compra foi assinado na sexta-feira, 15 de maio, marcando a entrada oficial do grupo asiático no mercado de nutrição animal do Brasil. Embora o valor financeiro da transação comercial não tenha sido divulgado pelas empresas, o movimento consolida uma base industrial estratégica em um setor nacional que faturou R$ 75,4 bilhões recentemente.

O Grupo Unicharm, por sua vez, foi fundado em 1961 em Tóquio e já opera no mercado brasileiro de higiene com marcas consolidadas. Conforme o comunicado ao mercado, as operações de ambas as empresas serão mantidas de forma independente nas estruturas atuais, unindo a capacidade de distribuição global à produção nacional de larga escala.
A liderança das companhias no país passará por divisões claras de gestão para garantir a continuidade operacional.

A estrutura local, no Sul, da Nutrire, seguirá sob o comando de Gerson Luiz Simonaggio, enquanto a divisão brasileira da Unicharm Pet ficará sob a responsabilidade de Ricardo Maciel.

O negócio insere a tradicional marca gaúcha em um ecossistema global com forte potencial de investimento em novas tecnologias, desenvolvimento de produtos e expansão das redes de distribuição na América Latina.

Viracopos exporta 115 ton de equipamentos da Shakira e importa 26,5 ton de flores para o “Dia das Mães”

Início de semana foi de grandes operações internacionais em Viracopos. Na segunda-feira (4), o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), realizou a operação de exportação dos equipamentos utilizados no show da cantora Shakira. A apresentação ocorreu no sábado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), e a logística de retorno pelo terminal paulista movimentou aproximadamente 115 toneladas de carga.

A estrutura de som, iluminação e cenografia chegou ao Terminal de Carga (TECA) de Viracopos entre a noite do último domingo e madrugada da segunda-feira. Após a conclusão do transporte rodoviário entre o Rio de Janeiro e Campinas, as equipes do aeroporto realizaram imediatamente o recebimento, a pesagem e a paletização de todo o material para o embarque em três voos cargueiros.

Outra frente do gigante cargueiro, foi o início, ainda na semana passada, de uma operação para o recebimento de flores importadas para o “Dia das Mães”. A previsão é que as remessas continuem chegando ao Terminal de Carga (TECA) até o meio desta semana, visando suprir o aumento da demanda para uma das datas mais importantes do comércio brasileiro.

Ao todo, o aeroporto deve movimentar cerca de 26,5 toneladas de flores, distribuídos em 1.008 volumes. A carga é composta por diversas espécies que chegam ao país para abastecer floriculturas e redes de distribuição em diferentes regiões do país.

Para garantir a preservação das flores, todo o material é armazenado nas câmaras frias do Terminal de Carga logo após o desembarque das aeronaves. O TECA de Viracopos possui infraestrutura dedicada com controle rigoroso de temperatura, o que é fundamental para a manutenção da qualidade de produtos perecíveis durante o período de trâmite aeroportuário.

Após o processamento e a liberação aduaneira, os volumes seguem para o transporte rodoviário em veículos climatizados.

“The times they are a-changin’”: a Casa Branca, as tarifas e as lacunas sérias do ecossistema aduaneiro brasileiro

Artigo por Marcelo de Castro*

A Casa Branca raramente fala à toa. Quando fala pouco, então, convém prestar ainda mais atenção.

Donald Trump afirmou, em comunicado reproduzido pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva, o “dinâmico presidente do Brasil”. A palavra não deve ser lida como afeto. Em diplomacia, adjetivo é instrumento. Serve para reduzir tensão, abrir ambiente político e sinalizar que, ao menos naquele momento, Washington preferiu a mesa ao muro.

“The times they are a-changin’”, cantou Bob Dylan. A frase serve bem ao comércio internacional de hoje. Mudam as tarifas, mudam os conflitos, mudam as cadeias produtivas, mudam os riscos e muda, sobretudo, a forma pela qual os Estados constroem confiança. A relação Brasil, Estados Unidos precisa ser observada nesse movimento. O que está em discussão não é apenas uma pauta tarifária. É a reorganização de uma agenda de segurança econômica, comércio legítimo e cooperação aduaneira.

O que interessa na declaração de Trump vem depois da cordialidade inicial. O presidente norte-americano informou que foram discutidos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. Não há, nessa frase, acordo anunciado, cronograma público, redução tarifária publicada ou medida operacional imediata. Há representantes prontos para conversar, pontos-chave a discutir e reuniões adicionais nos próximos meses. Na linguagem diplomática, isso significa que a porta foi aberta, mas a chave ainda não foi entregue.

O setor privado deve evitar dois erros. O primeiro é comemorar como se uma nova ordem comercial tivesse nascido no Salão Oval. Não nasceu. O segundo é tratar a nota como simples postagem de embaixada. Também não é. Quando a representação diplomática norte-americana decide reproduzir em português uma declaração presidencial que menciona comércio e tarifas, ela organiza uma mensagem para o público brasileiro: há canal político, há pauta econômica e há interesse em manter a conversa.

“O tempo não para”, escreveu Cazuza. Também não para na Aduana. A aproximação recente entre Brasil e Estados Unidos vem acompanhada de uma agenda de segurança aduaneira, combate a ilícitos transnacionais, rastreamento de armas, drogas, cargas sensíveis, troca de informações, inteligência de risco e cooperação entre autoridades de fronteira. A tarifa está na superfície. A Aduana está na estrutura.

Esse ponto já havia sido tratado por Marcelo de Castro Ferreira, Lúria Fassini e Augusto Fauvel de Moraes no artigo “Segurança aduaneira entre Brasil e EUA e a próxima etapa da confiança regulatória”, publicado no Consultor Jurídico. A tese merece ser aprofundada: a cooperação aduaneira entre os dois países não é apenas instrumento repressivo. É parte de uma arquitetura mais ampla de confiança regulatória, na qual segurança, facilitação comercial, conformidade privada, rastreabilidade e capacidade institucional deixam de ser agendas separadas.

O comércio exterior contemporâneo não se organiza mais apenas em torno de alíquotas, preferências tarifárias e acesso a mercado. Esses elementos continuam importantes, mas já não bastam. A disputa central está na confiança. Quem é o operador? Qual é a origem da mercadoria? A descrição corresponde ao produto? O valor é defensável? A cadeia logística é íntegra? A rota faz sentido? O documento conversa com a realidade física da carga? Há histórico de conformidade? Há governança sobre terceiros? Há capacidade de responder tecnicamente ao Estado?

“You can’t always get what you want”, lembraram os Rolling Stones. Em comércio exterior, a frase ganha tradução própria: não basta querer facilitação, é preciso demonstrar confiabilidade. A fluidez não nasce do desejo do operador. Nasce da capacidade de provar, antes da fronteira, que a operação é consistente, rastreável e compatível com a norma.

A Aduana moderna faz essas perguntas todos os dias. Ela deixou de ser caricatura de repartição documental. Tornou-se central nervosa do comércio internacional. Lê dados, cruza informações, identifica padrões, seleciona riscos e decide, em segundos, se uma operação merece fluidez ou escrutínio. A fronteira, hoje, é menos uma cancela e mais um sistema de inteligência.

Por isso, a conversa entre Brasil e Estados Unidos deve ser lida em duas camadas. Na superfície, há tarifas. No fundo, há segurança econômica. A eventual redução de barreiras, se vier, dificilmente caminhará divorciada da repressão ao ilícito. Ao contrário: quanto maior a capacidade de separar o comércio legítimo do fluxo criminoso, maior tende a ser o espaço político para facilitar o comércio regular.

É aqui que surgem lacunas sérias no ecossistema aduaneiro brasileiro.

A primeira é institucional. O Brasil avança corretamente na cooperação Aduana, Aduana com os Estados Unidos, sobretudo na relação entre Receita Federal do Brasil e U.S. Customs and Border Protection. Esse movimento fortalece inteligência, rastreamento, análise de risco e combate a ilícitos transnacionais. É necessário e compatível com o Marco SAFE da Organização Mundial das Aduanas. Mas o SAFE não se limita ao pilar Aduana, Aduana. Ele também exige o amadurecimento do pilar Aduana, Empresa.

A segunda lacuna está no reconhecimento funcional dos atores privados que sustentam a conformidade no cotidiano da fronteira. Nos Estados Unidos, o customs broker é percebido como parte relevante do ecossistema de segurança, conformidade e facilitação. No Brasil, o despachante aduaneiro exerce função comparável na interface entre empresa, Estado, sistema, documento e mercadoria, mas ainda não ocupa posição equivalente na arquitetura institucional de confiança.

Essa diferença não é detalhe corporativo. É problema estratégico.

Se a cooperação internacional pretende separar melhor o lícito do ilícito, não basta ampliar a troca de dados entre Estados. É preciso reconhecer quem, no setor privado, produz dados confiáveis, organiza a informação aduaneira, conhece a operação concreta, estrutura a declaração, identifica inconsistências documentais, orienta o enquadramento normativo e pode funcionar como elo auditável entre a cadeia logística e a autoridade pública.

“É preciso estar atento e forte”, advertiram Caetano Veloso e Gilberto Gil. A advertência vale para o Brasil. O país não pode tratar a aproximação com os Estados Unidos apenas como agenda de oportunidade comercial. Ela é também um teste de maturidade institucional. Se a cooperação avança entre autoridades, mas não alcança de forma estruturada os operadores privados que produzem a informação aduaneira, o ecossistema fica incompleto.

A terceira lacuna é de integração. O Brasil possui operadores, sistemas, despachantes, importadores, exportadores, transportadores, depositários, agentes de carga, terminais, órgãos anuentes e autoridades fiscais. Mas nem sempre esse conjunto funciona como ecossistema. Muitas vezes, funciona como soma de ilhas operacionais, conectadas por urgência, contingência e improviso. Em um comércio exterior cada vez mais digital, essa fragmentação custa caro. Reduz previsibilidade, amplia ruído, multiplica retrabalho e fragiliza a confiança.

A quarta lacuna é de linguagem regulatória. O comércio exterior brasileiro ainda convive com uma distância excessiva entre a norma, o sistema e a operação real. A empresa vende, o fornecedor embarca, o agente transporta, o terminal recebe, o despachante instrui, o anuente exige, a Receita controla. Quando esses movimentos não são coordenados por uma linguagem comum de conformidade, a carga chega à fronteira como problema, não como operação madura.

É nesse ponto que o despachante aduaneiro ocupa papel mais relevante do que muitos gostam de admitir. Ele não é mero transmissor de declaração. É o profissional que traduz a operação econômica para a linguagem jurídica, fiscal e operacional do Estado. Quando a mercadoria chega à fronteira, ela precisa ser mais do que vendida, embalada e embarcada. Precisa ser compreendida, classificada, descrita, valorada, licenciada e documentada. Sem isso, não há comércio exterior; há apenas carga com risco.

A quinta lacuna é cultural. Ainda se confunde facilitação com afrouxamento de controle. É o contrário. A facilitação séria nasce do controle inteligente. Quanto melhor o Estado conhece o operador confiável, mais pode concentrar energia sobre o risco real. Quanto melhor o setor privado organiza sua informação, mais reduz a fricção legítima da fiscalização. O combate ao ilícito e a fluidez do lícito não são objetivos opostos. São duas faces da mesma política aduaneira.

“A change is gonna come”, cantou Sam Cooke. A mudança virá, mas não necessariamente como concessão. Pode vir como exigência. Exigência de governança, rastreabilidade, certificação, interoperabilidade, qualificação documental e responsabilidade sobre dados. O novo comércio exterior será menos tolerante com improvisos e mais dependente de confiança verificável.

A declaração da Casa Branca, portanto, deve ser decodificada sem euforia e sem ingenuidade. Trump não anunciou uma solução. Anunciou um ambiente. Não removeu tarifas. Colocou tarifas sobre a mesa. Não redesenhou a relação bilateral. Sinalizou disposição para conversar. E, ao fazê-lo em momento de cooperação contra ilícitos, indicou que a próxima etapa da relação Brasil, Estados Unidos pode ser mais aduaneira do que parece.

Para o Brasil, a oportunidade está em não desperdiçar o sinal. A relação com os Estados Unidos não deve ser tratada apenas como negociação episódica de tarifas. Deve ser vista como frente estratégica de comércio, segurança, rastreabilidade, inteligência de risco, conformidade privada e fortalecimento institucional da Receita Federal como autoridade aduaneira de padrão internacional.

Mas esse fortalecimento ficará incompleto se o país avançar apenas na cooperação entre governos e não amadurecer o ecossistema aduaneiro como um todo. A equivalência funcional entre atores privados dos dois países precisa entrar na conversa. O customs broker norte-americano e o despachante aduaneiro brasileiro não são figuras idênticas em seus regimes jurídicos, mas ocupam posições comparáveis na engrenagem prática da conformidade aduaneira.

Reconhecer isso não significa importar modelos de maneira automática. Significa compreender que uma política moderna de segurança e facilitação exige operadores privados qualificados, auditáveis, integrados e institucionalmente considerados. Exige também sistemas capazes de conversar, normas capazes de orientar, autoridades capazes de cooperar e empresas capazes de provar confiabilidade antes de pedir fluidez.

A Casa Branca falou pouco. Foi o suficiente.

No comércio internacional, confiança não é ornamento. É infraestrutura. E, nesse tabuleiro, o Brasil só converterá sinal diplomático em vantagem econômica se tratar suas lacunas aduaneiras com a seriedade que elas exigem.

*Marcelo de Castro é despachante aduaneiro, economista e articulista internacional. É diretor secretário adjunto do Sindasp e CEO da Ebimex Comércio Exterior.

Quadro-Resumo do SINDASP traz visão do despacho aduaneiro para importações e exportações entre os blocos e desmistifica benefício automático no comércio bilateral

A entrada em aplicação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia inaugura uma nova etapa para o comércio exterior brasileiro, marcada por oportunidades relevantes de redução tarifária e ampliação de mercados — mas também por maior exigência técnica e rigor operacional.

Impactos na Economia – A estimativa, divulgada pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), aponta para um crescimento de até US$ 1 bilhão na receita das vendas externas para o bloco europeu nos primeiros 12 meses de vigência. Dados do Governo Federal apontam impacto positivo potencial de 0,34% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com crescimento das importações de 2,46% (R$ 42,1 bilhões) e das exportações de 2,65% (R$ 52,1 bilhões).

Na prática, todavia, o acesso aos benefícios do acordo não é automático: depende de uma sequência estruturada de verificações que envolvem classificação fiscal, regras de origem, cronogramas de desgravação, eventuais cotas tarifárias e correta instrução documental. Nesse cenário, o despacho aduaneiro assume papel estratégico ao traduzir o texto do acordo em operações seguras, eficientes e em conformidade.

Quadro-Resumo do SINDASP – Com esse objetivo, o SINDASP – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo, maior entidade regional representativa e com Associados em 17 estados da Federação – lançou neste início de semana com o apoio do Educomex, um Quadro-Resumo Visual com os principais pontos de atenção.

Para o presidente do SINDASP, Elson Isayama, a escala do acordo exige uma resposta operacional à altura. “Estamos falando de um acordo que conecta mais de 700 milhões de pessoas e uma área econômica com PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Esses números mostram a dimensão da oportunidade, mas também deixam claro que não basta celebrar a entrada em aplicação. O despachante aduaneiro tem papel fundamental nesse processo, porque ajuda a transformar a oportunidade tarifária em operação segura, documentada e aderente às regras do acordo”, afirma Isayama.

Do ponto de vista operacional, a aplicação do acordo começa pela validação da NCM do produto, base para todo o enquadramento tributário e regulatório. Em seguida, é essencial estabelecer a correspondência com a versão NCM/SH 2012, utilizada como referência em listas e cronogramas do tratado. A partir daí, empresas e operadores devem identificar a linha tarifária específica, compreender a categoria de desgravação aplicável — como redução imediata, gradual ou sujeita a cotas — e verificar a alíquota vigente conforme o ano da operação. Essa sequência inicial define as bases do tratamento tarifário e evita inconsistências desde a origem da ação.

Nesse contexto, o despacho aduaneiro se consolida como elo técnico entre estratégia comercial e execução operacional. Cabe ao profissional não apenas revisar classificações e documentos, mas também interpretar o acordo, antecipar riscos e orientar decisões que impactam diretamente custos, prazos e competitividade. A utilização de checklists estruturados — como validação de NCM, correspondência SH, cronograma e alíquota, origem e documentação, além do registro correto no sistema — torna-se ferramenta essencial para garantir segurança jurídica e eficiência.

Para Marcelo de Castro, diretor secretário adjunto do SINDASP e despachante aduaneiro, os números reforçam a necessidade de orientação técnica, especialmente para empresas que não contam com estruturas internas robustas de comércio exterior. “Quando se fala em mais de 5 mil produtos com tarifa zero, em mais de 90% do comércio bilateral com potencial de liberalização e em um mercado europeu de aproximadamente 450 milhões de consumidores, é natural que o empresário enxergue oportunidade. Mas oportunidade tarifária não é automática. Não basta comprar da Europa, nem basta vender para a Europa. A empresa precisa saber se o produto está corretamente classificado na NCM/SH, se existe preferência aplicável, se a origem preferencial está comprovada e se a documentação está apta a sustentar o benefício”, destaca Marcelo de Castro.

Outro ponto crítico é a comprovação da origem preferencial. Importar de um país europeu não garante, por si só, o benefício tarifário: é necessário cumprir integralmente as regras de origem previstas no acordo e obter a documentação adequada antes do embarque. A emissão correta da prova de origem, alinhada às normas da Secex e às orientações do MDIC, é determinante para evitar autuações e perda do benefício. Por fim, com todos os elementos validados, o registro da operação no Portal Único Siscomex deve refletir fielmente as condições do enquadramento, assegurando rastreabilidade e conformidade.

A ApexBrasil identificou 543 oportunidades de exportação com desgravação imediata na entrada em vigor do acordo. Esses produtos somam, em média, US$ 43,9 bilhões em importações anuais na União Europeia, mas as vendas brasileiras para esse conjunto corresponderam a US$ 1,1 bilhão, com participação de cerca de 2,6% nas compras europeias, sinalizando espaço relevante para expansão.

Segundo Rogério Grecchi, vice-presidente do SINDASP, esses dados mostram que o acordo deve ser tratado como uma agenda concreta de inclusão de novos operadores no comércio internacional. “Quando a ApexBrasil identifica 543 oportunidades de exportação imediata, em produtos que representam US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia, e o Brasil participa com apenas 2,6% dessas compras, fica evidente que há espaço para crescer. Mas, esse crescimento não virá sozinho. O pequeno exportador e o pequeno importador precisam enxergar o acordo como algo acessível, mas não simplificado de forma irresponsável. Há oportunidade, mas há regra, alerta Grecchi.

A implementação do acordo Mercosul–União Europeia, portanto, exige mais do que intenção de operar: requer preparo, método e conhecimento especializado. Ao colocar o comércio exterior “na prática”, a atuação qualificada do despacho aduaneiro se revela decisiva para transformar potencial em resultado concreto, conectando empresas brasileiras a um novo ciclo de integração internacional com previsibilidade e conformidade.

CONFIRA AQUI O QUADRO-RESUMO LANÇADO PELO SINDASP

De olho no Agronegócio, Indústria Japonesa investe R$ 280 mi em nova fábrica no interior de SP

A Yanmar, fabricante de máquinas e soluções para setores como o agronegócio, começa em maio as obras de sua nova fábrica em Indaiatuba (SP), município vizinho ao Aeroporto de Viracopos.

O investimento total será de R$ 280 milhões, dos quais R$ 180 milhões serão aplicados já na primeira fase do projeto.

Construção de nova fábrica da Yanmar acontecerá em etapas

A nova unidade ocupará um terreno de aproximadamente 140 mil metros quadrados, três vezes maior que a área atual das fábricas em Indaiatuba.

A expectativa é de gerar cerca de 100 novos empregos diretos e indiretos até 2029.

Segundo a Yanmar, a decisão de construir uma nova fábrica se deu pela forte demanda por tratores agrícolas e produtos como miniescavadeiras, colheitadeiras, motores e peças de reposição.

A construção acontecerá em etapas até 2030 com os intuitos de aumentar a capacidade produtiva, unificar operações e melhorar processos. A primeira fase terá aproximadamente 36 mil m² e operação prevista para 2027.

A nova fábrica permitirá ampliar a produção de tratores de cinco mil para sete mil unidades por ano em turno único.

Já a fabricação de modelos com maior índice de nacionalização subirá de 10 para 15 tratores por dia na primeira etapa. A ideia é chegar a 20 unidades diárias em 2029.

Meta é ampliar participação de mercado – A Yanmar também implementará processos automatizados como uma linha de montagem tracionada e com controles automáticos de torques e inspeções e melhorias em logística, segurança e ergonomia.

Wagner Santaniello, gerente de inovação e marketing da Yanmar South America, afirmou que a nova fábrica será essencial para ampliar a participação de mercado da empresa.

“Hoje, temos 10% de market share no segmento de tratores e buscamos consolidar esse índice em 12% nos próximos anos”, afirmou.

“Esta nova fábrica será fundamental para superarmos esses obstáculos e atendermos à demanda do mercado”, concluiu Wagner.

Fonte: https://www.automotivebusiness.com.br