Zona Secundária como solução para as tarifas dos EUA

Por Clayton Rodrigues*

Em um cenário de tarifas imprevisíveis e aumento dos custos logísticos globais, empresas americanas estão cada vez mais recorrendo a uma solução estratégica para manter sua competitividade, as Zonas de Comércio Exterior, conhecidas como Foreign Trade Zones (FTZs) e os Recintos alfandegados, conhecidos como bonded warehouse.

Segundo reportagem da CNBC existem aproximadamente 2.240 FTZs e 1.751 bonded warehouse nos EUA.

Essas zonas, criadas nos EUA ainda na década de 1930, funcionam como áreas designadas onde as mercadorias podem ser recebidas, armazenadas, manipuladas, fabricadas ou reexportadas sem a cobrança imediata de tarifas aduaneiras. O imposto só é aplicado se e quando os produtos entrarem efetivamente no mercado americano.

Os dois modelos, tanto as Foreign Trade Zones (FTZs) e os Bonded Warehouses compartilham o objetivo comum de adiar o pagamento de tarifas de importação, suas estruturas operacionais apresentam diferenças cruciais.

Embora ambas as soluções, Foreign Trade Zones (FTZs) e Bonded Warehouses (armazéns alfandegados) permitam o armazenamento de mercadorias importadas sem o pagamento imediato de tarifas, há diferenças importantes.

Nas FTZs, as mercadorias podem ser armazenadas, manipuladas, montadas ou até mesmo fabricadas por tempo indeterminado, sem o pagamento imediato de impostos, e caso sejam exportadas, nenhuma tarifa é devida.

Nas FTZs, as mercadorias podem ser armazenadas, manipuladas, montadas ou até mesmo fabricadas por tempo indeterminado.

Já nos Bonded Warehouses (armazéns alfandegados), os produtos também entram sem tributação imediata, mas o tempo de permanência é limitado a cinco anos, e não é permitida a industrialização.

Já nos Bonded Warehouses o tempo de permanência é limitado a cinco anos, e não é permitida a industrialização.

Uma vantagem recente dos Bonded Warehouses é que, se a alíquota do imposto cair enquanto a mercadoria está armazenada, o importador pode pagar a tarifa mais baixa no momento da liberação, algo que as novas regras para FTZs não permitem mais, devido ao chamado status privilegiado. Ou seja, enquanto as FTZs oferecem maior flexibilidade industrial, os armazéns alfandegados passaram a ser mais vantajosos para mitigar incertezas tarifárias em contextos de instabilidade política e econômica.

Na prática, as FTZs oferecem maior flexibilidade operacional, enquanto os bonded warehouses têm sido preferidos em contextos de alta volatilidade tarifária, por permitirem adiar o pagamento e aproveitar possíveis reduções nas alíquotas.

Um mecanismo estratégico de Defesa Comercial

O aumento das tarifas durante a administração Trump, com sobretaxas principalmente para produtos chineses, mas também recentemente aos produtos brasileiros pressionou empresas americanas. Muitas delas, buscaram as FTZs como forma legal de atenuar esse impacto.

Não se trata de “driblar” impostos, mas de utilizar um instrumento legítimo da política comercial americana, reconhecido e regulado pelo governo dos EUA.

Lições para o Brasil

O Brasil conta com estruturas semelhantes, como os CLIA’s e Portos Secos. No entanto, em algumas regiões, a adesão e o aproveitamento ainda são baixos. O principal motivo é a ausência de um Marco Regulatório que ofereça segurança jurídica e logística, permitindo a prestação de serviços além da simples armazenagem.

Hoje, muitas atividades são transferidas para Armazéns Gerais apenas para executar pequenas etapas que, se autorizadas dentro dos Recintos de Zona Secundária, poderiam ser facilmente controladas e viabilizadas.

É possível simplificar e incentivar o uso desses Recintos Alfandegados com segurança jurídica, eficiência para a cadeia logística, facilitação do comércio e simplificação dos processos aduaneiros.

A integração entre operações industriais e aduaneiras pode reduzir significativamente os custos, ampliar margens e melhorar o tempo de resposta ao mercado.

🌎 O que podemos fazer como profissionais de Comércio Exterior?

  1. Conhecer e divulgar os regimes aduaneiros especiais e modelos de Recintos Alfandegados de Zona Secundária disponíveis no Brasil.
  2. Dialogar com entidades de classe e governo para melhorar a legislação e o acesso dos importadores e exportadores a serviços mais integrados, inteligentes e que agregam valor.
  3. Inserir a estratégia aduaneira na pauta de decisões executivas, tratando o tema não como burocracia, mas como fator de inovação e competitividade.

💡 Conclusão:

Recintos Alfandegados não são apenas um recurso técnico. São uma ferramenta estratégica que pode transformar a forma como operamos globalmente.

Se os EUA estão se reinventando para enfrentar tarifas, por que não podemos fazer o mesmo, adaptando e fortalecendo os nossos Recintos para resolver os nossos problemas logísticos? Ou não temos problemas logísticos? Não sofremos com janelas de agendamentos nos Portos e Aeroportos? Não passamos por colapsos? Por sinistros? Por tratamentos pouco amigáveis como se não fossemos, no final da conta cliente?

📣 Se você é empresário, executivo ou profissional da área de Comércio Exterior e quer entender melhor sobre como o Recinto de Zona Secundária pode ajudar sua operação, vamos conversar. https://bit.ly/4o4fKRI

 

Fonte: How U.S. Companies Are Mitigating Trump Tariffs With Foreign Trade Zones – YouTube

*Clayton Rodrigues é Gerente de Governança e Relações Institucionais da Libraport Campinas

“Trânsito Aduaneiro do Futuro”, TRAM é apresentado em evento online do SINDASP

O TRAM – Trânsito Aduaneiro Monitorado – foi o tema do evento online realizado pelo SINDASP nesta terça-feira, 22/07, no Canal Youtube da Entidade que representa os Despachantes Aduaneiros em São Paulo. A apresentação ficou sob a responsabilidade do Auditor-Fiscal, Marco Aurelio Mucci Mattos, Coordenador do Projeto, que ele mesmo faz referência, como o “Trânsito Aduaneiro do Futuro”.

Na abertura, Elson Isayama, Presidente do SINDASP, enalteceu a parceria público-privada manifestada de forma prática no “Projeto TRAM”, destacando a sua criação após anos de um trabalho conjunto entre a autoridade aduaneira e usuários do sistema.

Na sua intervenção, o subsecretário de administração aduaneira, da Receita Federal do Brasil, Fabiano Coelho (FOTO), lembrou o histórico do Estado de SP como fonte de inovação, sublinhando que o TRAM é mais uma dessas ações que certamente chegará em todos os pontos do Brasil. “Muito estudo e reuniões, além de dezenas de protótipos, incluindo validações normativas, portanto, é uma solução que já chega madura para o mercado”, comemorou Coelho.

Ainda na abertura, André Martins, Superintendente Adjunto da 8ª Região Fiscal SP, informou que o estado paulista, exatamente por possuir a maior demanda através dos seus Portos e Aeroportos, carrega também a responsabilidade em oferecer soluções para essas operações.

Na apresentação do TRAM, o AFRFB Marco Mucci, destacou que este é um Projeto “fora da caixinha” que trará benefícios para todos os usuários e também para o controle da RFB, ponderando que o maior desafio no momento é o desenvolvimento da tecnologia. “Até o momento ainda não validamos nenhum software, ou seja, aguardamos empresas de gerenciamento de riscos do transporte rodoviário ou empresas de tecnologia de rastreamento para ofertar ao mercado essa ferramenta e o desenvolvimento do aplicativo”, afirmou Mucci.

A legislação já em vigor e prevista na Portaria 498 Receita Federal do Brasil. “Estamos à disposição para dúvidas para implantarmos o que chamamos de “Trânsito Aduaneiro do Futuro”, cravou Mucci durante suas considerações finais.

Assista à íntegra do evento no Canal YouTube do SINDASP: https://www.youtube.com/watch?v=_tBEDIJahXE  Aeroportos brasileiros batem recorde no primeiro semestre

Com informações: Informativo Última Hora SINDASP

INTERMODAL é apoiadora do 30º Gourmet Comex

Organizadores da Intermodal Soth America e do 30º Gourmet Comex assinaram uma carta acordo de apoio mútuo em contrapartidas de divulgação. A 30ª edição do Almoço de Conteúdo e Networking será em Campinas, cidade que abriga o Aeroporto Internacional de Viracopos é a “capital da Região” reconhecida pela sua força na indústria importadora e exportadora.

Marcas de Valor – Além da INTERMODAL, as confirmações seguem em alta. As marcas de valor que assinam esta edição seguem crescendo. A INTERMODAL se junta agora a West Cargo, Hellmann Logistics, Lothus Cargo, Rodo Import, Grupo V. Santos, Alpha Cargo, Asa Express e J. Moraes. O apoio institucional de parceiros, responsáveis pelo sucesso, seguem: CIESP Campinas e SINDASP.

Anote em sua Agenda: Em 12 de setembro acontece o evento no interior de SP. “Hoje em dia vemos algumas iniciativas semelhantes nascendo pelo Brasil. Por isso mesmo, o momento é de agradecer a todos que apoiam este projeto pioneiro, que chega a incrível marca de 30 edições”, comemora Nilo Peralta, da GPA+ Comunicação, organizadora e proprietária do evento.

O encontro atrai, regularmente e semestralmente, cerca de 150 empresários e executivos que trabalham com o comércio exterior e a logística.

Participe: evento@gpamais.com.br ou (19) 99299-1987.

Ficha Técnica:

Data: 12/09/2025

Horário: 11h às 16h

Aeroportos brasileiros batem recorde no semestre

A aviação comercial brasileira bateu recorde no primeiro semestre de 2025. Nos primeiros seis meses deste ano, 61,8 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos e internacionais.

A movimentação nos aeroportos cresceu 10% na comparação com o mesmo período do último ano.

De janeiro a junho deste ano, foram 13,8 milhões de turistas em voos internacionais, alta de 15,3%. Em voos nacionais, o crescimento foi de 8,6%, com movimentação superior a 40 milhões de pessoas.

“Estamos vivendo o melhor período da nossa aviação civil e os números comprovam isso. Se mantivermos esse ritmo no segundo semestre deste ano, vamos fechar 2025 com o melhor resultado da história. Isso significa um ganho expressivo não apenas para o nosso setor, mas para todos. Quando a aviação vai bem, o turismo vai bem, assim como a parte hoteleira e, principalmente, a nossa economia”, afirmou, em nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Demanda – De acordo com levantamento do ministério, com base no Relatório de Demanda e Oferta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), entre os 10 maiores aeroportos do país com maior movimentação, o melhor desempenho foi observado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, que passou de 6,5 milhões de passageiros para 8,2 milhões de viajantes em 2025, crescimento superior a 26%.

Com 6,2 milhões de passageiros transportados, o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, também teve destaque no semestre, com alta de quase 15%. O maior terminal do país, o de Guarulhos, em São Paulo, cresceu 8% nos seis primeiros meses do ano, com quase 22 milhões de viajantes.

Embora tenha perdido uma posição no ranking dos mais movimentados, o Aeroporto de Brasília apresentou alta de 7,6% período, com movimentação superior a 7,5 milhões de pessoas, melhor resultado desde 2019.

Segundo o secretário Nacional de Aviação Civil, Tomé Franca, a perspectiva é positiva para os próximos meses diante dos investimentos públicos na infraestrutura de aeroportos e apoio institucional a companhias aéreas.

Fonte: Agencia Brasil

Porto de Santos tem recorde na movimentação de contêineres

O 1º semestre de 2025 no Porto de Santos foi marcado pela manutenção do recorde de movimentação de contêineres. O aumento em relação a 2024 é de 7,8% com a passagem de 2,8 milhões de TEU (twenty foot equivalent unit, medida padrão internacional), contra 2,6 milhões na primeira metade de 2024.

“O resultado aponta para a capacidade do Porto de Santos de atender às demandas de seus clientes; no médio e longo prazo, com as iniciativas já em andamento, como a expansão da Poligonal, o aprofundamento do canal de navegação para 16 metros e o leilão do terminal Tecon 10, Santos irá se manter como o principal equipamento logístico do País”, afirma Anderson Pomini, presidente de Autoridade Portuária de Santos.

Outro destaque no semestre foi o movimento de desembarque (importação e cabotagem), com aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. Foram 22,84 milhões de toneladas este ano contra 22,57 milhões em 2024. Já as operações de embarque registraram queda de 1,7%, reflexo do recuo nas cargas de granel vegetal sólido. Foram 65,49 milhões em 2025 ante 66,60 milhões no ano anterior. No total, o resultado se mostra estável, com queda inferior a 1% (88,30 milhões de toneladas contra 89,18 milhões em 2024). É o segundo melhor resultado histórico para o Porto.

Movimento mensal – Assim como no semestre, o mês de junho de 2025 também obteve recorde na movimentação de contêineres e recuo no resultado geral. Foram 511,2 mil TEU contra 439,6 mil no primeiro semestre de 2024, um aumento expressivo de 16,3%.

Como no total do semestre, o mês também marcou aumento na corrente de desembarque e queda nos embarques. No fluxo de entrada, foram 4,19 milhões de toneladas contra 4,07 milhões em junho de 2024, aumento de 3%. As saídas, por sua vez, registraram 11,84 milhões, enquanto em junho de 2024 foram 12,26 milhões (recuo de 3,45). No total, 16,04 milhões de toneladas, o segundo melhor resultado para o mês, apesar da queda de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em junho, o Porto de Santos aumentou para 29,9% sua participação na corrente comercial brasileira, o maior percentual dos últimos quatro anos. O segundo colocado é o Porto de Paranaguá, com 7,7%, e o terceiro o Porto de Itaguai, com 5%, além do Aeroporto de Guarulhos, com participação semelhante.

Outros destaques – A soja (grãos e farelo) continua como a carga de maior volume no total do Porto de Santos, com 29,61 milhões de toneladas no semestre (aumento de 2,6% em relação a 2024). Em segundo o açúcar (8,83 milhões, queda de 26,8%), e em terceiro a celulose – carga que vem ganhando espaço no Porto -, com 4,71 milhões (aumento de 21,4%).