Movimentação de cargas no Porto de Santos cresce 9,7% no mês de abril

No complexo santista, no primeiro quadrimestre, alta foi de 2,9%

Nos quatro primeiros meses do ano, o Porto de Santos atingiu a marca de 38,6 milhões de toneladas movimentadas. O volume é 2,9% superior ao verificado no mesmo período do ano passado, que foi de 37,5 milhões de toneladas. No acumulado do ano, as exportações registraram queda de 2,2% enquanto as importações cresceram 18,8%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a estatal que administra o cais santista. Apenas em abril, 10,7 milhões de toneladas de cargas entraram ou saíram do País pelo Porto de Santos, o que representa um incremento de 9,7% em relação ao quarto mês de 2016.

Segundo a Docas, no primeiro quadrimestre, as exportações somaram 27,5 milhões de toneladas, uma queda de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações chegaram a 11 milhões de toneladas, uma alta de 18,3%.

A queda das exportações no quadrimestre pode ser explicada pela redução nos embarques de importantes cargas desta corrente, como o milho e o café. No primeiro caso, a queda é de 78,9%.

Nos primeiros quatro meses do ano passado, 2,2 milhões de toneladas de milho foram exportadas pelo cais santista. No mesmo período deste ano, o volume caiu para apenas 466.857 toneladas.

Já o café registrou queda de 9,1%. Foram 409.386 toneladas escoadas de janeiro até o mês passado, contra 450.302 toneladas no primeiro quadrimestre de 2016.

As exportações do complexo soja, que inclui a variação em grãos e farelos do produto, registraram um crescimento modesto, o que não é comum para esta época do ano, em que ocorre o escoamento da safra agrícola. Um total de 11,2 milhões de toneladas de cargas foram escoadas, 3% a mais do que no primeiro quadrimestre de 2016, quando 10,8 milhões de toneladas da commodity foram embarcadas no cais santista.

Mas, na análise da movimentação de cargas apenas em abril, as exportações de soja registraram queda de 8,1% e somaram 3,6 milhões de toneladas, contra 3,9 milhões de toneladas do produto no quarto mês de 2016.

Na análise do mês, o destaque foi o açúcar, que registrou crescimento de 44,9% nos embarques, somando 1,2 milhão de toneladas. Em abril do ano passado, o volume escoado foi de 893.873 toneladas.

Nas importações, no quarto mês do ano, os desembarques de adubo no cais santista atingiram a marca de 341.311 toneladas, um aumento de 98,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em abril de 2016, 171.904 toneladas foram importadas, segundo dados da Autoridade Portuária. 

Operação de contêineres aumenta 17,8% – Em abril, a movimentação de contêineres no Porto de Santos somou 306.517 TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). O volume é 17,8% superior ao verificado no quarto mês do ano passado, quando 260.160 TEU foram movimentados.

Já no acumulado do ano, o crescimento foi de 6%, atingindo a marca de 1,1 milhão de TEU. No primeiro quadrimestre do ano passado, a soma foi de 1 milhão de TEU.

O fluxo de navios registrou aumento no mês e queda no resultado acumulado. Foram 381 atracações em abril de 2016 contra 400 neste ano. No acumulado, 2017 registrou, até abril, 1.563 atracações, contra 1.594 no ano passado.

De acordo com os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Porto de Santos comercializou US$ 31,7 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano. O número representa 27,6% do total de US$ 114,9 bilhões do comércio exterior do País no período.

Nas exportações, a soma das transações comerciais com origem no Porto de Santos foi de US$ 18,4 bilhões no primeiro quadrimestre. O valor corresponde a 27% do total do País, que foi US$ 68,1 bilhões.

A China continua como principal compradora dos produtos que partem do cais santista, com a participação de 20,4% no período, cerca de US$ 3,7 bilhões. Estados Unidos seguem na segunda posição com 11,4% de participação, cerca de US$ 2 bilhões.

Em seguida, a Argentina responde por 7,4% das exportações do Porto, US$ 1,3 bilhão. Holanda, México e Bélgica são responsáveis por 2,9%, 2,8% e 2,5% das trocas comerciais, respectivamente.

Nas importações, o resultado do Porto entre janeiro e abril é de US$ 13,4 bilhões, correspondente a 28,6% do total brasileiro, que é de US$ 46,8 bilhões. A participação da China é de US$ 2,9 bilhões, 21,8% no total do porto. Em segundo, estão os Estados Unidos, com US$ 2,17 bilhões e participação de 16,3%. Completam os dez maiores parceiros comerciais na importação: Alemanha, 8,7% US$ 1,1 bilhão, Coreia do Sul (4,8%), Japão (4,6%), França (3,7%), Índia (2,9%), Itália (2,9%), México (2,7%) e Argentina (2,5%).

Fonte: A Tribuna

Artigo do SETOR: Novos tempos na indústria de óleo e gás

Após um longo período de retração nos negócios, por conta da queda vertiginosa na demanda conjugada com aumento de oferta, a indústria de óleo e gás começa a apresentar sinais de otimismo. Um estudo com 723 profissionais, dentre eles 50 brasileiros, efetuado pela consultoria norueguesa DNV GL apontou que executivos da área ainda esperam um ano difícil, mas já estão mais otimistas com as oportunidades de negócios. O levantamento mostra que a confiança nas perspectivas para o segmento mais que triplicou no país, de 16% em 2016 para 50% em 2017, sendo a média global, para efeitos de comparação, de 32%. Do ponto de vista da lucratividade, o estudo mostra que os profissionais no Brasil estão mais pessimistas, quando apenas 26% deles esperam alcançar suas metas de lucro, contra 34% das expectativas globais.

A reação dos investidores no Brasil é reflexo das medidas que vêm sendo implantadas pelo governo brasileiro para atrair investimentos para o setor, que é um dos mais importantes no país. O mercado recebeu com bastante entusiasmo as notícias sobre o fim da regra do operador único no pré-sal, apesar de alguma desconfiança com o direito de preferência assegurado à Petrobras. Também repercutiu muito bem o anúncio das mudanças nas exigências de conteúdo local, que reduziu à metade a necessidade de percentual para contratação de equipamentos que deixará de ser detalhada por itens e passará a ser global.

Já para exploração em terra, o índice de conteúdo local será de 50%. Na regra anterior, os percentuais eram definidos em cada edital. A expectativa é que a nova política seja colocada em prática a partir da 14ª rodada de licitações de blocos para exploração de petróleo e gás natural, prevista para acontecer no segundo semestre deste ano, juntamente com as 2ª e 3ª rodadas de Partilha de Produção e com a 4ª rodada de Acumulações Marginais.

Ainda no tema da flexibilização do conteúdo local, um estudo da consultoria internacional IHS apontou que, com a mudança na política atual, o país poderá produzir, em 2025, um milhão de barris a mais por dia. Isso seria um nível 30% superior ao cenário previsto caso não haja alterações nesses parâmetros. Consequentemente, o número de vagas diretas e indiretas criada no setor aumentaria em 70 mil postos até 2020 e a arrecadação total de participações, em mais de US$ 300 bilhões nos próximos cinco anos. Segundo ainda a IHS, as regras atuais de conteúdo local implicam um sobrecusto dos projetos de petróleo no país, estimados entre 15% e 22,5%, por conta dos preços maiores cobrados aqui.

Além disso, atendendo a um antigo anseio dos investidores e da indústria, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou que fará a 4ª e 5ª rodadas de Partilha de Produção, no primeiro semestre de 2018 e no segundo semestre de 2019, respectivamente, conjuntamente com a 15ª e 16ª rodadas de Licitações de blocos exploratórios e com a 5ª e 6ª rodadas de Acumulações Marginais, definindo um calendário que permitirá aos investidores, operadoras e cadeia de fornecedores para o setor de óleo e gás se planejar antecipadamente.

Depois de a ANP ficar um longo período sem a realização de leilões, a expectativa do mercado é que todas as licitações previstas aconteçam efetivamente ao longo dos próximos três anos. Numa perspectiva otimista levando em conta o potencial das áreas leiloadas, de acordo com a agência, esse movimento deverá injetar na indústria um investimento direto de cerca de US$ 83 bilhões, fazendo com que a cadeia do setor se movimente.

Paralelamente, o valor arrecadado com os royalties do petróleo – compensação financeira paga pelas empresas que fazem a exploração por eventuais danos ambientais que podem ser causados durante o processo de extração – também deverá ajudar na retomada da economia do país e, principalmente, do Estado do Rio, um dos principais produtores de petróleo do país e que vem passando por uma grave crise financeira.

Somam-se a essas medidas, de forma positiva, a possibilidade de manutenção das políticas do Repetro, tratamento especial de importações e exportações para fins de incidência do ICMS, e o plano de parcerias e desinvestimento da Petrobras estabelecido no Plano Estratégico que deve alcançar algo em torno de US$ 21 bilhões para o biênio 2017/2018.

Já no setor de estaleiros, o caminho passa por buscar oportunidades em reparos e manutenção. Dos investimentos anunciados pela Petrobras, principal player do mercado, a previsão é que, até 2021, entrem em operação 19 novas embarcações do tipo FPSO (sigla em inglês para Unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência), sendo que 12 já foram contratadas. Nossa análise é que para atingir o volume de produção prevista, próximo a 3 Mboe (milhões de barris de óleo equivalente)/dia, seriam necessários 16 FPSO, o que provocaria novas demandas de construção apenas por volta de 2024.

Diante do momento conturbado que o setor está vivendo, as empresas vêm buscando alternativas para encarar os desafios atuais. Surge daí um movimento que passa por uma reestruturação operacional (custos e despesas) e rolagem de dívidas e descomissionamento de áreas e ativos, com as empresas concentrando esforços e investimentos nos projetos mais rentáveis. Na busca pela eficiência, escala e rentabilidade, destacam-se a consolidação e a busca de um modelo de operações em conjunto. Como exemplos, podemos citar a Shell que adquiriu a BG, a recente joint venture entre Schlumberger e Weatherford, a fusão da FMC Technologies com Technip e a compra da Baker Hughes pela GE.

Vale ressaltar que, apesar das adversidades que a indústria está enfrentando, o mercado de óleo e gás brasileiro continua atraente para os investidores, tanto nacionais como estrangeiros, que mantêm alto interesse no Brasil por conta do preço e da atratividade dos ativos. Todos de olho no potencial das reservas naturais brasileiras, na retomada das atividades petrolíferas no estado e no crescimento da indústria e do setor nos próximos anos.

Manuel Fernandes é sócio líder do centro de excelência em Óleo e Gás da
KPMG no Brasil para o VALOR ECONÔMICO

Procuradores suspeitam de ação de Temer e Loures em favor da Rodrimar, no Porto de Santos

rodrimar 20Decreto sobre concessão de áreas portuária interessaria à empresa do setor portuário. Assessoria de Temer negou irregularidades. Empresa negou ter sido procurada para pagar propina.

Uma conversa gravada entre presidente Michel Temer e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) levantou suspeitas sobre um decreto para o setor de portos.

Os procuradores acreditam que a empresa Rodrimar, alvo de busca e apreensão na operação Patmos, pode ter sido beneficiada.

A assessoria de Temer e a empresa negam irregularidades (leia mais ao final destta reportagem).

O nome da Rodrimar surgiu no meio das investigações feitas a partir da delação da JBS na Operação Lava Jato. A empresa é especializada em comércio exterior, atua no setor de portos, com base em Santos.

Um dos executivos, Ricardo Mesquita, apareceu no café onde o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures se reunia com o executivo da J&F, Ricardo Saud.

  • Ricardo Saud: Oi, cara! Uai… Rapaz, você tá parecendo um boyzinho, veio. Tudo bom?
  • Ricardo Mesquita: Tudo bom, cara?

Em depoimento, Ricardo Saud falou sobre o encontro, como mostrou uma reportagem publicada nesta quinta-feira (25) pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pelo Jornal Nacional.

“O Rodrigo pegou e falou: ‘Ó, esse é o seu xará, você sabe, tô cansado de saber. Nós fomos lá quantas vezes quando nós estávamos fazendo negócio, o Temer sempre ajudou a gente. Tá bom, depois quero te falar sobre ele, tudo bem? Tudo bem, falei, tchau, tchau fui embora a operação acabou aí”, disse Saud na delação premiada.

O procurador quis saber mais detalhes. E Saud citou o nome de um sócio da empresa que, segundo ele, seria muito amigo de Michel Temer, Antônio Celso Grecco.

  • Procurador: Só pra deixar claro, não foi um encontro fortuito, ele estava ali para fazer uma reunião com o deputado Loures?
  • Saud:Eles são muito amigos. E o Celso, da Rodrimar, é muito amigo do Temer, há muitos anos.

Saud contou também que, num segundo encontro, Rocha Loures ofereceu Ricardo, da Rodrimar, para ser o intermediário da propina que a JBS estava oferecendo.

Loures: Eu até pensei… Lembra aquele dia que nos encontramos, tomamos um café, que a gente encontrou com seu xará?

  • Saud: O Ricardo.
  • Loures: Essa, esse era um horário… (inaudível)
  • Saud:Com o Ricardo?
  • Loures: Isso, aí ele poderia fazer… (inaudível)
  • Saud: Tranquilo. Aí eu não queria… Ver se fazia com ele lá na JBS, talvez na escola, não.
  • Saud:Eu gosto muito dele.
  • Loures: (inaudível) Vocês trabalham juntos? …vocês se encontrarem… Uma coisa natural.

Segundo investigadores, por causa dessa suspeita de que a empresa poderia ser usada para receber dinheiro de propina, a Rodrimar e Rodrigo Rocha Loures podem ser alvo de um novo inquérito.

As suspeitas aumentaram porque em um telefonema com Rocha Loures, no dia 4 de maio, gravado com autorização judicial, Michel Temer fala sobre um decreto que altera regras para a concessão da exploração de portos, decreto assinado dias depois. E que, em tese, poderia beneficiar a Rodrimar.

  • Loures: Tá bom, presidente?
  • Temer: Tudo bem e você, bem?
  • Loures: Tudo. Tudo bem. Não, só para lhe fazer uma consulta. Agora, coisa de umas horas atrás chegou uma informação, através do senador Wellington, que já teria sido assinado o decreto dos portos, não sei se é verdade ou não.
  • Temer: Não
  • Loures: Pediu para eu verificar, é
  • Temer: Não, não foi.

Mais à frente, na conversa, Temer e Rocha Loures falam do artigo que poderia beneficiar a Rodrimar:

  • Temer: Aquela coisa dos setenta anos, lá pra todo mundo, parece que está acertado aquilo lá….
  • Loures: Não. Isso equacionou, isso equacionou. Aí tinha uma interpretação dos “pré-93” que ainda havia dúvida…
  • Temer: Ah, bom. Essa daí que eu não sei. Eu não sei como é que ficou viu?
  • Loures: É…Mas eu vou…
  • Temer: Dá uma olhada com o Gustavo, com o pessoal lá.

Depois de falar com o presidente, Rocha Loures ligou para Ricardo, da Rodrimar, e o informou sobre o andamento da proposta.

  • Loures: Foi o que, foi o que…falei com o presidente e o presidente me deu essa notícia de que ele não assinou nada.
  • Ricardo: Tá.
  • Loures: É que a ideia é fazer um ato na quarta-feira da semana que vem.

Ricardo, da Rodrimar, ainda elogiou a atuação de Rocha Loures no assunto.

  • Ricardo: É isso aí, você é o pai da criança, entendeu?
  • Loures: É… A ideia é que se o governo for tomar uma decisão, nessa ou naquela direção…
  • Ricardo:Tenha que ser valorizado, valorizado, né?
  • Loures: Acho que a última oportunidade, viu Ricardo, de transmitir qual é a realidade da economia e tem que ver.. Mas, enfim, falar a verdade sempre.

O texto do decreto 8.049 permite que as concessões para exploração de portos sejam prorrogadas por mais 35 anos, até o limite de 70 anos, sem licitação.

A Rodrimar tem duas concessões em Santos. Uma delas foi conseguida depois de 1993 e, portanto, poderia ser beneficiada parcialmente pelo novo decreto, de acordo com especialistas da área.

A Rodrimar já foi citada em um outro inquérito sobre Temer que correu no Supremo Tribunal Federal há alguns anos. Nele, Temer foi investigado por suspeita de participar de um esquema de corrupção que envolvia concessionárias do porto de Santos.

Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, uma planilha entregue à PF registrava o pagamento de R$ 1,2 milhão em propinas. Metade seria para uma pessoa identificada como “mt”.

Em maio de 2011, no entanto, quando Temer já era vice-presidente, o ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, determinou que ele fosse excluído do inquérito, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal, que disse não ter encontrado provas contra ele.

A assessoria do presidente Michel Temer declarou que o decreto dos portos passou por um debate amplo, antes de ser publicado, como é comum e legítimo numa democracia. Afirmou ainda que os dados referentes ao decreto são públicos e que, por isso, na conversa do presidente com o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, não há o repasse de nenhum conteúdo privilegiado.

A defesa do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, do PMDB, disse que vai se manifestar num momento oportuno.

A Rodrimar afirmou que não há qualquer relação de amizade do dono da empresa, Antônio Celso Grecco, com o presidente Temer. A empresa não comentou o encontro do diretor Ricardo Mesquita com Rodrigo Rocha Loures, mas negou que tenha sido procurada para uma negociação sobre pagamento de propina.

Com informações: G1

“O Brasil não parou e não vai parar”, diz Temer após manifestações

Um dia após manifestações que deixaram 48 feridos e oito presos em Brasílias (DF),  o presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (25), que o Brasil “não parou e não vai parar”.

“Meus amigos, o Brasil não parou e não vai parar. Continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional. As manifestações ocorreram com exageros, mas deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil”, disse. O protesto de ontem pedia a saída de Temer do governo e se opunha às reformas em tramitação no Congresso.

A declaração foi dada em vídeo gravado na tarde desta quinta. Foi a primeira declaração pública de Temer sobre o assunto.

“Aprovaram número expressivo de medidas provisórias. Sete em uma semana. E a reforma trabalhista avançou no Senado. Expressão portanto do compromisso em superar a crise”, diz, em uma tentativa de ressaltar a permanência da fidelidade da base aliada.

Entre as medidas “vitais” que Temer cita no vídeo estão a regularização fundiária, o pente-fino no auxílio-doença do INSS e a liberação de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). As três medidas já haviam sido postas em prática antes da crise política e foram aprovadas pelo Parlamento nesta quarta. Quando o presidente edita uma medida provisória, a iniciativa entra em vigor imediatamente, mas precisa da confirmação do Congresso para se tornar definitiva.

Por fim, Temer ressalta que o governo “tem muito ainda a fazer” e este é o “único caminho” que pretende seguir. “Colocar o Brasil nos trilhos. Portanto, vamos ao trabalho.”

Ele ainda agradece aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Nesta quarta, houve rusgas entre Maia e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, quando este afirmou que a presença das Forças Armadas em Brasília, já revogada, teria sido uma solicitação do deputado.

Nesta quinta, foi protocolado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) o 13º pedido de impeachment de Temer na Câmara dos Deputados desde 17 de maio, quando foram reveladas acusações contra o presidente na delação premiada de executivos da JBS.

No entanto, no vídeo, Temer não cita os pedidos de impeachment nem sua suposta participação em esquemas de corrupção.

Com informações: G1

Brasil atinge recordes de exportação de petróleo

As exportações brasileiras de petróleo superaram, no início deste ano, a barreira de 1 milhão de barris diários num mês, pela primeira vez desde dezembro de 2010, quando haviam alcançado 1,27 milhão de barris/dia. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as vendas para o exterior atingiram, entre janeiro e março, a maior média trimestral da história: 1,23 milhão de barris/dia, o que representa uma alta de 56% ante igual período do ano passado.

Em fevereiro, foram exportados 1,55 milhão de barris diários de petróleo cru, a maior média mensal da série histórica da ANP, que começa em 2000.

Segundo o ex-diretor da ANP e pesquisador da UFRJ, Helder Queiroz, dois fatos podem explicar o salto das exportações brasileiras. O primeiro deles é a recessão, que faz com que a Petrobras esteja processando menos óleo nas refinarias brasileiras, como reflexo da queda da demanda interna. De acordo com a ANP, o mercado de combustíveis do país caiu 4,5% em 2016. O segundo é que parte da demanda interna tem sido coberta pelas importações de derivados, o que aumenta a disponibilidade de óleo nacional para exportações.

Este mês, o diretor de Refino e Gás da companhia, Jorge Celestino, já havia afirmado que o crescimento das exportações é um movimento estrutural. “A Petrobras tem se tornado cada vez mais exportadora líquida de petróleo”, afirmou o diretor.

A estatal responde por 46% das exportações brasileiras de petróleo. A maior parte dos embarques é feita principalmente pelas multinacionais – Shell, Statoil, Petrogal e Chevron são algumas das empresas que detém registro na ANP com autorização para exportar.

No primeiro trimestre deste ano, a Petrobras exportou 609 mil barris diários de óleo, quase o dobro do apurado em igual período de 2016, de 307 mil barris diários. Na mesma comparação, a exportação líquida da estatal cresceu de 108 mil barris diários para 516 mil barris diários, uma alta de 378%.

Ontem, o gerente-executivo de Comercialização e Marketing da Petrobras, Guilherme França, afirmou que a petroleira brasileira espera aumentar em 30% a média de exportações este ano, para 503 mil barris diários. Para 2021, a meta da companhia é atingir 742 mil barris diários de embarques para o exterior.

Segundo o gerente-executivo, a China é o principal destino das exportações da Petrobras, respondendo por mais da metade dos embarques da companhia, cerca de 56%. “A China tem aumentado suas importações e vai intensificar a importação do petróleo da Bacia do Atlântico”, afirmou França, na Argus Crude Conference, evento do setor petrolífero, no Rio.

Ele comentou, ainda, que o aumento das vendas para a China é uma tendência que independe das condições do contrato de financiamento assinado pela estatal com o China Development Bank, no valor de US$ 5 bilhões. Na ocasião, a brasileira fechou também um acordo comercial com três companhias chinesas – ChinaOil, China Zhenhua Oil e Chemchina Petrochemical – com previsão de fornecimento preferencial de um volume de 100 mil barris/dia, “atendidas as condições de mercado”.

Presente ao evento da Argus, o vice-presidente de Comercialização e Suprimento de Óleo Bruto da anglo-holandesa Shell, Mike Muller, também avalia que o Brasil está em uma trajetória “expressiva” de crescimento nas exportações de petróleo e vem se tornando uma peça-chave para o mercado global, fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“O Brasil está numa trajetória de crescimento, o pré-sal está bem competitivo, porque a Bacia de Santos foi abençoada pela natureza. A geologia não é tudo, mas é um ponto de partida quando considerado o custo de produção”, afirmou o executivo.

Segundo o diretor de óleo e gás da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Mauro Coelho, a produção brasileira deve atingir os 5 milhões de barris/dia em 2026, o que abre espaço para que o país exporte entre 1,5 milhão e 2 milhões de barris diários.

Queiroz, da UFRJ, atenta para a participação maior do Brasil no mercado mundial de petróleo e que esse movimento, de certa forma, poderá influenciar decisões futuras da Opep sobre o nível de produção de óleo de seus membros. Hoje, o cartel se reunirá, em Viena, na Áustria, para decidir se mantém os cortes de produção.

Apenas para efeito de comparação, considerando a média da exportação bruta de petróleo do Brasil no primeiro trimestre de 2017 e o total das vendas externas dos principais exportadores em 2015 (último dado disponível), o Brasil ocuparia o 12º lugar no ranking, atrás da Noruega.

Em artigo publicado no blog “Infopetro”, Queiroz afirma que “o Brasil continua a ser um importador de petróleo bruto, dadas as características do seu parque de refino e a consequente necessidade de processar um mix de óleos leves e pesados. Porém, como a carga processada tem diminuído, as exportações líquidas (exportação menos importação) tem registrado igualmente valores muito expressivos e uma posição exportadora que se consolida, pouco a pouco, no mercado internacional”.

O ex-diretor da ANP lembrou que a posição brasileira frente aos integrantes da Opep é “peculiar”, já que o cartel responde por 90% das importações de óleo do Brasil. “Por outro lado, o aumento da produção e exportações brasileiras torna o Brasil um novo competidor dos países da Opep no cenário internacional do petróleo”, ressaltou Queiroz, no seu artigo.

Fonte: Valor