Confiança no Brasil e competitividade às exportações levam Toyota a investimento de R$ 1 bi na fábrica de Indaiatuba, no interior de São Paulo

A Toyota acaba de anunciar investimento de R$ 1 bilhão em sua planta de Indaiatuba, interior de São Paulo (SP). O aporte tem missão de preparar a unidade dentro de um processo de modernização para se tornar mais flexível e competitiva no cenário brasileiro e latino-americano, com o intuito de produzir carros cada vez melhores.

O anúncio foi celebrado pela direção da companhia em cerimônia realizada no final de setembro naquela planta, em conjunto com representantes do governo federal, estadual e da cidade de Indaiatuba, além de colaboradores, do sindicato local, e de parceiros, como a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade – Investe São Paulo.

A ocasião também marcou os 20 anos de operação da unidade de Indaiatuba, reconhecida pela qualidade na fabricação do líder do segmento de sedãs médios e um dos carros de maior sucesso do Brasil, o Corolla.

Este novo ciclo de investimentos da empresa está intimamente ligado ao seu compromisso em produzir carros cada vez melhores e ao engajamento de toda a sua cadeia de valor. Além disso, trata-se do primeiro investimento da indústria automotiva após o anúncio do Programa Rota 2030 e demonstra a confiança da Toyota no futuro do País.

O montante trará aprimoramento, atualização e modernização de todos os processos na linha de montagem de Indaiatuba em um prazo de até 18 meses. Contempla, ainda, o aperfeiçoamento de mão de obra por meio de atualizações técnicas, melhoria de ergonomia e treinamentos de toda sua força de trabalho.

“O anúncio da Toyota é mais um exemplo da confiança da empresa no Brasil e nos brasileiros. Com esse investimento de R$ 1 bilhão, nossa fábrica se tornará mais flexível e competitiva com o intuito de atender às expectativas de nossos clientes e sermos mais competitivos em nossas exportações”, afirma Steve St.Angelo, CEO da Toyota para América Latina e Caribe e Chairman da Toyota do Brasil, Argentina e Venezuela.

20 anos de Indaiatuba – Para escolha do local que abrigaria o primeiro complexo a fabricar o sedã médio Corolla em solo latino-americano, a Toyota levou em consideração os aspectos logísticos e de qualificação de mão de obra ao selecionar o município de Indaiatuba, interior de São Paulo.

Com a compra de um terreno de 1,5 milhão de metros quadrados e com o posterior investimento de US$ 150 milhões, a Toyota do Brasil iniciou, em 1996, a construção das instalações de sua segunda fábrica no País. Desta forma, em setembro de 1998, com a produção do primeiro Corolla brasileiro, inaugurou-se oficialmente a unidade de Indaiatuba (SP). Dois anos mais tarde foram investidos outros US$ 300 milhões para a modernização e ampliação estrutural desta unidade.

Este novo aporte marcou o início da produção da 9ª geração do Corolla, a partir de junho de 2002. No mês de janeiro de 2003, como resultado do êxito absoluto do sedã médio, a Toyota do Brasil iniciou o segundo turno, que elevou o volume de produção em 120%. Em janeiro de 2004, a planta alcançou a produção acumulada de 100 mil unidades do Corolla.

A consolidação de mercado fez com que a Toyota do Brasil decidisse lançar um novo modelo derivado do sedã: a Fielder, veículo que redefiniu o segmento de peruas. Com a injeção de US$ 15 milhões, a fábrica de Indaiatuba começou a produzir o modelo em maio de 2004, que imediatamente assumiu a posição de liderança, conseguindo reavivar esse segmento no mercado automotivo nacional. Em 2007, a Toyota passou a fabricar em Indaiatuba, com um investimento adicional de US$ 15 milhões, a linha Corolla Flex, composta pelo sedã Corolla e pela Fielder.

A tecnologia de motores que aceitam a utilização de álcool e gasolina puros ou misturados em qualquer proporção foi um trabalho conjunto das engenharias da Toyota do Brasil e do Japão, sendo esta a primeira vez que a Toyota Motor Corporation (TMC) desenvolveu a tecnologia bicombustível e, no caso, exclusivamente voltada ao mercado brasileiro. Em 2008, a Toyota lançou ao mercado a 10ª geração do Corolla.

Em março de 2014, foi a vez da 11ª geração do modelo começar a ser produzida e três anos depois, a planta celebrou a marca histórica de 1 milhão de unidades produzidas do Corolla em Indaiatuba.

Como qualidade é fator primordial para a Toyota, a empresa mantém uma pista de testes, localizada no entorno da fábrica, onde engenheiros do departamento de controle de qualidade realizam experimentos constantes para certificação da excelência do modelo produzido. O circuito possui mil metros de extensão e 4,2 metros de largura, possibilitando a verificação, inclusive, de possíveis aprimoramentos no produto.

“A planta de Indaiatuba foi a grande responsável por colocar a Toyota em uma posição de maior destaque no setor automotivo brasileiro e nos orgulhamos muito de sua trajetória. Hoje, o Corolla é referência e um dos carros de maior sucesso no Brasil e isso é resultado do exercício constante de busca pela melhoria contínua, que faz parte do DNA de todos os nossos colaboradores. Tenho certeza de que este investimento trará muitos benefícios a eles também, com importantes melhorias na ergonomia e nas condições de trabalho de todos”, reflete Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil.

Porto de Santos registra recordes históricos nos totais “mensal e acumulado”

A movimentação de cargas no Porto de Santos registrou em agosto recordes mensal e acumulado de toda a série histórica.  O resultado superou em 4,0% o acumulado e em 1,1% o até então maior movimento mensal, ambos verificados em agosto do ano passado. As operações com contêineres também apontaram recordes históricos nos totais mensal e acumulado.

 

No movimento geral de cargas, foram 88,821 milhões de toneladas operadas nos oito primeiros meses, com incremento de 8,5% nos desembarques e de 2,2% nos embarques. No mês, foram 12,483 milhões de toneladas com aumento de 8,8% das mercadorias descarregadas e ligeira redução de 1,6% das cargas embarcadas.

 

No resultado consolidado do mês, os crescimentos mais significativos em relação a agosto de 2017 foram observados na movimentação de soja em grãos a granel, com 201,7% de aumento e celulose, com 71,4%. No acumulado, os destaques ficaram com o crescimento de 46,1% nos embarques de celulose e de 20,6% das exportações de sucos cítricos. Quanto ao volume, as cargas que mais cresceram foram a soja, com aumento de 2,956 milhões de toneladas, cargas conteinerizadas, com mais 1,514 milhão de toneladas, e celulose, com mais 923 mil toneladas.

 

A movimentação de cargas conteinerizadas registrou total de 4,334 milhões de toneladas, superando em 10,3% o verificado em agosto do ano passado. Em quantidade, a movimentação atingiu 387.791 TEU, com expansão de 14,6 %. O desempenho dos contêineres também apontou novo recorde no acumulado, superando em 11,1% e 5,3%, os totais em TEU e tonelagem, respectivamente.

 

Quanto ao fluxo de navios, o movimento de agosto apontou uma queda de 7,5% no total de embarcações (393 navios) que atracaram no Porto de Santos no mês e um incremento de 0,9% nas atracações (3247 navios) no acumulado do período.  A consignação média, que representa a média de tonelagem operada por navio, aumentou 9,69% e 2,84%, nos totais mensal e acumulado, respectivamente. Os índices indicam que as embarcações vêm operando com maior volume de carga devido, dentre outros fatores, às condições de calado para navegação.

 

Balança Comercial – A participação do Porto de Santos na corrente de comércio exterior chegou a 24,3% sobre o total nacional, atingindo o valor comercial de US$ 68,2 bilhões em cargas de longo curso que transitaram pelo complexo.

 

As exportações participaram com 22,0% do total do país, representando US$ 35,0 bilhões.  A China foi o país que mais recebeu nossas mercadorias, com 28,7% de participação, avaliadas em US$10,03 bilhões.

 

As importações através de Santos chegaram a US$33,2 bilhões com 27,4% sobre o total nacional, também com a China liderando o ranking com 21,2% do total, US$ 7,03 bilhões em valor comercial das cargas procedentes do mercado externo.

Com tecnologia, exportação brasileira cresceria 3 pontos porcentuais por ano até 2030

Para OMC, redução de custos permitiria que emergentes representem quase 60% do comércio mundial em 15 anos

A revolução tecnológica permitirá que os países emergentes vejam uma redução nos custos de comércio e poderão, em 2030, representar 57% dos fluxos de exportações e importações no mundo. Os dados estão sendo apresentados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu informe anual publicado nesta quarta-feira, 3, em Genebra.
No caso do Brasil, a entidade estima que a introdução de novas tecnologias poderia fazer com que a expansão do comércio recebesse um impulso extra de cerca de três pontos porcentuais por ano até 2030, bem acima da média mundial. Para isso, porém, o País teria de se abrir para as inovações.

De acordo com o levantamento, os custos do comércio no mundo caíram em 15 pontos porcentuais entre 1996 e 2014. Mas, na avaliação de Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC, a nova revolução poderá fazer o comércio crescer entre 1,8 e 2 pontos porcentuais por ano, até 2030. “De forma acumulada, isso representará um aumento de 31% a 34% em 15 anos”, declarou.

Hoje, 35% dos custos de uma exportação estão ligados ao transporte, enquanto procedimentos nas fronteiras e logística também têm um peso importante. Com as novas tecnologias, a previsão é de que esses custos sejam reduzidos de forma importante.
“Em tal cenário, a participação dos países em desenvolvimento no comércio poderia aumentar de 46% para 57% em 2030”, declarou Azevedo. Segundo ele, porém, isso vai depender de como governos vão estabelecer políticas para permitir que essa tecnologia seja utilizada.

Sem uma estratégia, Azevêdo alerta que a comunidade internacional pode ver um aprofundamento das disparidades como resultado da tecnologia. “As forças de mercado não serão suficientes”, disse.

No levantamento, a OMC admite que nem todas as regiões do mundo vivem da mesma forma o desenvolvimento tecnológico. No Brasil, por exemplo, menos de 50% da população tinha acesso a computadores em sua casa em 2015. Naquele mesmo ano, a taxa era de quase 100% no Norte da Europa.

Mas, com políticas públicas que possam ir na direção correta, a OMC aposta que seriam os emergentes quem mais ganhariam com a tecnologia no comércio. No caso brasileiro, a estimativa é de que a tecnologia poderia reduzir os custos de comércio em 0,76 pontos porcentuais por ano até 2030, uma taxa superior ao que ocorreria nos EUA, com 0,43 pontos porcentuais por ano.

OMC também prevê que, no caso do Brasil, o papel do comércio de serviços aumentará de 15% para 18%. No mundo, a taxa subiria dos atuais 21% para 25% até 2030.
Na avaliação de Azevêdo, o que o comércio vive hoje é uma mudança sem precedentes por conta da tecnologia. “São mudanças estruturais”, destacou. Em apenas 20 anos, o comércio de tecnologia triplicou, passando a valer US$ 1,6 trilhão em 2016.
Segundo ele, a tecnologia de blockchain ajudará pequenas empresas e aumentar transparência e visibilidade, além de acelerar a digitalização de trocas comerciais. Sua estimativa é de que, até 2030, US$ 3 trilhões seriam adicionados no comércio apenas por conta dessa inovação.

Internet, impressoras 3D e outras tecnologias também prometem ter um impacto grande na redução do custo do comércio. A avaliação da OMC é de que, com as impressoras 3D, alguns produtos podem deixar de cruzar fronteiras, também fazendo os custos desabarem. Não se compraria mais o produto, mas o código para produzir algo.

“Estamos entrando em nova era econômica. E como responderemos é um momento definidor de nosso tempo”, disse Azevedo.

Tensão – O brasileiro ainda destacou como a tecnologia – e não o fluxo comercial – tem sido o responsável por grande parte das mudanças em mercados de trabalho, o que alimenta uma tensão sobre governos em busca de proteção para certos setores. “Estamos vivendo uma escalada de tensões que ameaça ter um impacto económico grande”, disse, numa referência à pressão do governo americano por novas relações comerciais com seus parceiros.

“É responsabilidade de todos buscarmos uma solução. Precisamos ouvir as pessoas afetadas. Não podemos ignorá-las. Empregos estão sendo perdidos na agricultura e na indústria. A ansiedade sentida pelos trabalhadores é real. Mas 80% da perda de postos de trabalho foram causaras pela automação, não pelo comércio”, alertou o brasileiro.
Em sua avaliação, a comunidade internacional precisa responder a essa mudança. Mas a resposta não será asfixiando o comércio, com medidas protecionistas. “Isso apenas vai agravar a crise e gerar mais desemprego. Precisamos de um debate informado”, alertou.

 Fonte: O Estado de S. Paulo

Polo em Campinas aproxima mão de obra qualificada e indústria

“Aqui é um lugar que respira tecnologia”. É assim que o empresário Bruno Abreu define o Polo Tecnológico de Campinas, no interior paulista. Há 10 anos, junto com o sócio, ele fundou na região – que é conhecida com o Vale do Silício brasileiro – a Sofist, empresa especializada em redução e prevenção de problemas em produtos digitais. O negócio cresceu quase 60% em faturamento no último ano e para 2018 a estimativa é nova alta de pelo menos 55%.

Polos tecnológicos reúnem fatores – como disponibilização de logística, universidades de ponta, mão de obra qualificada e incentivos fiscais – que contribuem para um cenário diferente do restante do país: sobram vagas de emprego.

 

No início de agosto, o empresário ainda tinha pelo menos dez vagas para preencher. A Sofist emprega atualmente 40 funcionários.

 

Estudo desenvolvido pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) em 2015, a partir de dados de órgãos federais, mostra que as empresas do setor em Campinas tiveram faturamento médio de R$ 9,1 milhões, empregando cerca de 18 mil pessoas. De acordo com a prefeitura, a cidade de 1,1 milhão de habitantes tem cerca de 50 mil empresas, sendo o terceiro parque industrial do país.

 

Segundo o levantamento da Acate, a região é líder em volume de recursos em relação aos demais polos, ficando a frente do Rio de Janeiro (R$ 6,4 milhões), Florianópolis (R$ 5,2 milhões) e São Paulo (R$ 4,9 milhões). Considerando as vagas geradas no polo tecnológico, por densidade populacional (a cada cem mil habitantes), Campinas (1.678 por 100 mil) fica atrás dos polos de Florianópolis (2.891), Manaus (2.041) e Blumenau (1.816).

 

O cenário de ofertas de vagas e de crescimento é similar ao da Sensedia, empresa de tecnologia também instalada na região. São mais de 30 oportunidades de trabalho disponíveis na empresa. “Estamos com muitas vagas abertas não só porque a competição [de recrutamento] aumentou, mas porque a gente cresceu muito este ano. Começamos o ano com 120 pessoas, a gente está com 170 e vai fechar o ano com 200”, explicou Luiz Piovesana gerente de marketing da Sensedia. No final de 2013, a empresa, que tem 10 anos de mercado, faturava cerca de R$ 4 milhões, hoje são R$ 40 milhões.

 

Oportunidades em tecnologia fizeram com que a desenvolvedora Ana Paula Simiqueli, 24 anos, do Espírito Santo, não ficasse um mês sequer aguardando uma vaga depois de formada. “Um professor de lá me indicou, passei pelo processo seletivo e vim para cá [Sensedia]. A gente ouvia sobre Campinas desde a faculdade: a metrópole da roça”, relatou. Ela aponta que, além do bom salário, estar na cidade permite outros aprendizados. “Você tem várias comunidades, não só as empresas, então tem um networking muito bom”, destacou. Ana Paula aponta que o assédio de recrutamento de outras empresas é comum no setor, mas que ela não deixaria a cidade por enquanto.

 

INTEGRAÇÃO – Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que experiências como esta de Campinas têm possibilitado a integração entre indústria e as inovações da pesquisa acadêmica, assim como a aproximação entre mão de obra qualificada e oportunidades no mercado de trabalho.

 

Newton Frateschi, professor do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor da Inova, agência de inovação da universidade, acredita que a semente dessa aproximação entre setor produtivo e academia foi plantada na década de 1970 com as empresas estatais. “Houve uma parceria muito forte com estatais, Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], com a antiga Telebras”, exemplificou. Desde esta época, instalaram-se na região empresas de fabricação de componentes de telecomunicações, equipamentos e fibra ótica.

 

Mas ele destaca que foi no início dos anos 2000, com o aumento dos aportes financeiros à universidade, que essas iniciativas cresceram. A Inova Unicamp, por exemplo, foi criada em 2003. “Você consegue colocar juntos, professores, alunos, pesquisador, funcionário, com empresas grandes, empresas incubadas, com empresas pequenas iniciantes. Essa é uma
sopa perfeita para fomentar o empreendedorismo”, avaliou.

 

Frateschi aponta que as chamadas empresas “filhas da Unicamp”, que ou foram incubadas na universidade ou que estão ligadas a ex-alunos, são cerca de 500 e tiveram faturamento em torno de R$ 3 bilhões em 2017. É o caso da Sensedia e da Sofist. A Unicamp lidera o ranking da revista britânica Times Higher Education (The) como a melhor da América Latina.

 

A Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), órgão municipal, destaca ainda a presença de outras universidades, como a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, Mackenzie, Faculdades de Campinas (Facamp) e Universidade Paulista (Unip), que tornam a região um polo de produção científica do Brasil e da América Latina. A prefeitura de Campinas mantém incentivos fiscais para empresas de base tecnológica, como redução na alíquota do Imposto Sobre Serviço (ISS) para até 2%.

 

Guto Ferreira, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), avalia que ainda é um desafio integrar produção acadêmica e indústria, mas que os polos representam um avanço. “Não é uma discussão nova, mas se intensificou bastante. A possibilidade de sucesso dos polos tecnológicos está atrelado ao fato de que isso [produção científica] tem que virar produto”, apontou.

 

O gerente de marketing da Sensendia considera que a aproximação com a universidade, a integração de empresas do setor, a localização de Campinas entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que concentram muitas empresas, foram uma “panela de pressão” que promove desenvolvimento. A Sensedia, por exemplo, surgiu como um desdobramento da empresa CI&T, além disso está localizada em um condomínio, o Pólis de Tecnologia, que agrega outras empresas do setor. “Apesar de competir, tem várias ações que uma das empresas encabeça, mas acaba trazendo oportunidades para as outras também”, apontou, valorizando a troca de experiências.

 

GERAÇÃO DE EMPREGOS – O cenário de geração de empregos nos polos tecnológicos contrasta com a realidade nacional. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12,1% de junho a agosto deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de desempregados, isto é, pessoas que procuram emprego e não conseguem, chegou a 12,7 milhões.

 

De janeiro a agosto, houve acréscimo de aproximadamente 568 mil vagas com carteira assinada no país, segundo o Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, divulgado em setembro.

 

Claudio Dedecca, professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp, destaca que as iniciativas dos polos tecnológicos são importantes do ponto de vista regional, mas a geração de empregos depende estreitamente da reativação da economia. “Se nós pegarmos os dados do Ministério do Trabalho, nós vamos perceber que a queda da geração de emprego foi generalizada em todo o país, em todas as regiões e que não houve região que conseguiu se defender, defender seus empregos durante a recessão”, apontou.

 

Para o economista, municípios devem estar atentos às “brechas” de crescimento econômico e estimular a geração de empregos em setores que tenham potencialmente localmente. “É o caso por exemplo da região metropolitana de Campinas, que tem setores de logística, setores da própria Ciência e Tecnologia que têm potencial muito substantivo em termos de geração de emprego para a região, então é fundamental que o Poder Público, por exemplo, promova cursos de capacitação, interligação de mão de obra, entre outras iniciativas”, apontou.

 

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, também avalia que a principal estratégia para a criação de empregos é a retomada do crescimento econômico. “Essa política precisa estar fortemente assentada numa capacidade do Estado conduzir esse processo, principalmente por meio de investimentos”, apontou. Para tanto, ele avalia que é preciso criar capacidade fiscal e que é papel do Estado “mobilizar a iniciativa privada para, combinada com o recurso público, produzir uma estratégia de retomada de investimentos”.

 

Sobre a criação de polos tecnológicos, ele aposta em investimentos educacionais como forma de desenvolver em cada território competência que agreguem tecnologia e inovação em contextos específicos. “Combinada com aporte de recursos, com crédito, com institucionalidade que favorece a relação entre os centros de pesquisa e as empresas que estão associados a vocações locais”, enumerou o diretor do Dieese. “Muitas vezes, tudo isso fortalece a capacidade de se desenvolver o sistema produtivo local e muitas vezes na região, ou mesmo em um território muito mais amplo, isso tem consequências positivas sobre o mercado de trabalho, sem dúvida”, apontou.

 

Fonte: Istoé Dinheiro

 

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