CNI propõe a candidatos nova estrutura para o comércio exterior e fortalecimento do MDIC

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a gestão do comércio exterior brasileiro é fragmentada, descoordenada e alvo constante de disputas internas, o que prejudica a inserção internacional das empresas brasileiras. Na proposta “Governança do Comércio Exterior: aperfeiçoamento de instituições e competências”, a CNI defende que a estrutura do novo governo se aproxime daquela das maiores economias do mundo. O documento faz parte do conjunto de 43 propostas sobre temas estratégicos entregues aos candidatos à presidência da República pela Confederação.

O setor industrial propõe modificar a estrutura atual para alterar, aperfeiçoar e ampliar as competências do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), da Câmara de Comércio Exterior e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil).

Segundo o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, nesse esforço, o passo principal é separar, com clareza, os processos de formulação daqueles de execução da política comercial.

A formulação é uma etapa estratégica, que requer a tomada de decisão política, mesmo que amparada em recomendações técnicas. A execução é uma etapa operacional, essencialmente de caráter técnico.

“Nenhuma grande economia do mundo participa do comércio internacional sem ter uma boa coordenação entre os órgãos de governo e sem um Ministério do Comércio Exterior forte e atuante. Por isso, defendemos que a Camex seja reforçada, para desempenhar o papel de coordenação, e que o MDIC tenha mais instrumentos para liderar a política comercial do Brasil”, diz Robson Braga de Andrade.

Para reforçar o papel do MDIC, a CNI defende ampliar a atuação do ministério dentro do país, por meio do estabelecimento de escritórios regionais, e no exterior, com a criação da função do Adido de Indústria e Comércio em mercados estratégicos para a indústria. Além disso, a Confederação propõe que a Apex-Brasil volte a ser vinculada ao MDIC.

“O principal agente da política comercial é o empresário. É ele quem emprega, produz e exporta. Por isso, a Apex-Brasil precisa ser vinculada ao Ministério do Comércio Exterior, pois sua função é fomentar a atividade empresarial, em sintonia com as prioridades do setor produtivo”, afirma Robson Braga de Andrade.

O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, mas o país tem participação no comércio internacional inferior a 2% e acordos comerciais com países e blocos que representam menos de 10% do fluxo mundial de bens. Além disso, não aparece nem entre os 20 primeiros exportadores e importadores mundiais.

 

Câmara de Comércio Exterior mais forte – A Camex é o órgão formulador da política comercial. Desta forma, a CNI defende que a equipe da Camex seja ampliada, com funcionários sênior e multidisciplinares, e o secretário-executivo indicado pelo presidente da República. Também propõe a redução de nove para seis no número de ministérios que fazem parte da CAMEX. Para a entidade, só devem fazer parte da Câmara os ministérios que têm envolvimento direto com os temas de comércio exterior, como MDIC, MAPA e Itamaraty.

Além disso, é fundamental garantir a ampla e frequente participação do setor privado. Dos quatro comitês temáticos que subsidiam os ministros da Camex, o setor privado só participa do Comitê Nacional da Facilitação de Comércio e do Comitê Nacional de Promoção Comercial. Está de fora dos comitês de Financiamento e Garantia das Exportações e de Investimentos.

 

Ministério do Comércio Exterior – A proposta da CNI é consolidar o MDIC como o principal órgão executor da política comercial. A proposta prevê que a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério passe a concentrar todas as atividades relacionadas à política comercial, atualmente espalhadas pelo órgão.

Para a CNI é importante que o Ministério do Comércio Exterior receba parte dos recursos arrecadados pelo Siscomex, atualmente sob a gestão da Receita Federal, para a modernização do comércio exterior. Parte da arrecadação é usada para atividades que não têm relação com o comércio exterior, como a manutenção dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda.

 

Apex-Brasil assume toda promoção comercial – Na reorganização proposta pela CNI, as ações de promoção comercial e atração de investimentos realizadas pelo MDIC e pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE) devem ser concentradas na Apex-Brasil. Assim, será possível eliminar as duplicidades e garantir maior coordenação entre os órgãos de governo.

No momento, as ações de promoção comercial e atração de investimentos são executadas pelo MDIC, MRE, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e até pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG). A CNI entende que se há uma agência destinada à promoção comercial, não há razão para os ministérios utilizarem seus escassos recursos humanos e financeiros em ações semelhantes.

 

Ações para o Brasil crescer mais e melhor – Os 43 documentos com propostas da CNI para o novo governo foram elaborados com base no Mapa estratégico da Indústria 2018-2022, que aponta os caminhos para o Brasil construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional. Os estudos sugerem ações em áreas como eficiência do estado, segurança jurídica, infraestrutura, tributação, educação, meio ambiente, inovação, financiamento e segurança pública.

As propostas foram discutidas com os presidenciáveis durante o Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, que reuniu cerca de 2 mil líderes empresariais no dia 4 de julho, em Brasília. A CNI apresenta as propostas da indústria aos presidenciáveis desde a eleição de 1994.

Fonte: Comex do Brasil e informações da CNI

Rumo Logística alcança recorde no transporte de cargas com quase 5 mi de toneladas em junho

A Rumo teve o melhor mês de junho de sua história com a quebra de recordes operacionais no transporte ferroviário de cargas. Em 30 dias, o aumento da eficiência logística da Companhia resultou no transporte de quase 5 milhões de toneladas de produtos agrícolas e industriais pelos seis estados em que atua (MT, MS, SP, RS, SC e PR). Desse total, mais de 56% (2,8 milhões de toneladas) foram produtos agrícolas como soja, trigo, farelo de soja e milho destinados à exportação.

Na Operação Norte, que reúne ferrovias em Mato Grosso e São Paulo, o volume total transportado chegou aos 2,5 milhões de toneladas, quantidade 24% maior do que em junho do ano passado.

Nos trilhos da Operação Sul, a carga total foi de 2,4 milhões de toneladas, 9% a mais do que em 2017. As cargas percorrem os trilhos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, tendo como principais destinos os portos de Paranaguá (PR), São Francisco (SC) e Rio Grande (RS).

Grãos: aumento médio de 17% – O crescimento do transporte de grãos em junho foi destaque nas duas operações da Rumo. Juntas, elas escoaram 2,8 milhões de toneladas, o que equivaleu a 56% do total transportado pela Companhia.

Na Operação Norte, o crescimento foi de 12%, com 1,7 milhões de toneladas transportadas entre Mato Grosso e o porto de Santos (SP), o principal corredor ferroviário de exportação agrícola do País.

Já nas ferrovias da Sul, a movimentação foi de 1,1 milhão de toneladas, e o aumento percentual foi maior: 25% a mais do que no mesmo mês de 2017.

Com informações “Estadão Conteúdo”

IATA: aviação mundial tem crescimento sólido em maio

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) anunciou os resultados do tráfego global de passageiros de maio, mostrando um aumento da demanda de 6,1% em comparação com o mesmo mês de 2017. Houve uma ligeira recuperação de 6% ano a ano em relação a abril deste ano. A capacidade subiu 5,9% e o taxa de ocupação aumentou 0,1%, chegando a 80,1%.

Maio foi outro mês sólido em termos de crescimento da demanda. Como era de se esperar, vimos uma certa moderação, já que os custos crescentes das companhias aéreas estão reduzindo o estímulo das tarifas aéreas mais baixas. Em particular, os preços dos combustíveis para aviões devem subir quase 26% este ano em comparação a 2017. No entanto, o fator de carga recorde para o mês significa que a procura por conectividade aérea é forte”, explica o CEO da Iata, Alexandre de Juniac.

A demanda do tráfego internacional de passageiros subiu 5,8% diante da altade 4,6% em abril. Todas as regiões registraram um aumento, liderado por aéreas da Ásia-Pacífico. A capacidade total subiu 5,4%, com a taxa de ocupação alcançando 78,7%.

A procura no mês de maio das transportadoras europeias cresceu 6,2% em relação ao período anterior. Apesar do impacto das greves na região e das incertezas quanto ao cenário econômico, o aumento do tráfego é saudável.

Já as companhias aéreas da América Latina experimentaram um aumento de 7,5% no tráfego em maio. Segundo a associação, a ruptura econômica no Brasil pode contribuir para uma leve desaceleração no crescimento da demanda nos últimos meses, mas não se espera que isso tenha um impacto de longo prazo na tendência de tráfego saudável.

Ainda de acordo com o levantamento, é possível observar que a demanda doméstica subiu 6,6% em relação a maio de 2017, liderada pelo crescimento na China e na Índia. O índice foi abaixo dos 8,6% do ano anterior em grande parte devido ao incremento moderado nos dois países.

Greve dos auditores fiscais está suspensa até 31 de julho em todo o país

Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil decidiram, na última quarta-feira (4), pela suspensão da greve na Alfândega e na Delegacia da Receita Federal até 31 de julho. A greve está suspensa em todo o país, incluindo portos e aeroportos. Com isso, os auditores voltam a trabalhar normalmente até o fim do mês.

Em 26 de junho havia sido aprovada a continuação da greve até 15 de julho, mas durante uma reunião na mesma data entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e a direção do Sindifisco Nacional, sindicato que representa os Auditores Fiscais da Receita Federal, Maia se comprometeu a interceder junto ao presidente da República pelo cumprimento do acordo salarial fechado com o governo em 2016. Em troca, pediu a suspensão da greve da categoria.

A direção do Sindifisco Nacional avaliou o pedido de Maia e decidiu suspender a greve. Caso ele não cumpra o prometido, a categoria volta a paralisar os trabalhos em 1º de agosto. A Assembleia Nacional que decidiu pela suspensão da greve aconteceu em todo o país no início desta semana e, em Santos, ela aconteceu na terça (3). Os auditores fiscais da cidade também votaram pela suspensão da greve.

Greve – Os auditores reivindicam o cumprimento do acordo salarial fechado com o governo em 2016. A paralisação teve início em 1º de novembro de 2017 e a greve de forma contínua e ininterrupta da categoria começou em 14 de maio deste ano

 

“Rota 2030” finalmente entra em vigor e mercado automotivo pode ter divisor de águas

Nova política industrial tem expectativa de ampliar exportações de veículos e autopeças, além do País produzir carros mais modernos

 

Após meses de espera, o Planalto enfim confirmou a Medida Provisória que dá origem a novo regime automotivo nacional. O presidente Michel Temer finalmente promulgou a Medida Provisória que dá início ao “Rota 2030”. Rota 2030 Mobilidade e Logística mira o desenvolvimento da indústria automotiva e busca alinhar o produto nacional ao padrão dos grandes polos globais com o objetivo de ampliar as exportações de veículos e autopeças.

O Rota 2030 foi elaborado em um contexto no qual o setor automotivo mundial sinaliza profundas transformações na produção e na forma de usar os veículos. A meta do novo programa é traçar linhas para o futuro da mobilidade e da logística no Brasil, frente às mudanças tecnológicas em curso, e ampliar a inserção global da indústria automotiva brasileira através da expansão das exportações de veículos e autopeças.

“A proposta é que este movimento de inserção global seja progressivo, permitindo que, ao final da vigência do programa, a indústria nacional integre a produção mundial de veículos automotores”, explica o ministro Marcos Jorge de Lima. “Entendemos que as medidas a serem adotadas agora vão refletir os rumos que a indústria automobilística brasileira tomará e, principalmente, qual será o papel do Brasil em um cenário de decisões globais”, sintetiza.

Um dos diferenciais do Rota 2030 é o fato de ter sido pensado para ser uma política de médio prazo, executada durante três ciclos de investimentos, ou seja, por 15 anos, trazendo mais previsibilidade para o setor, o que é necessário para que as empresas possam se adaptar e programar os seus investimentos no Brasil. Indústria e governo poderão se preparar para cumprir as metas em segurança veicular, eficiência energética e aumento de tecnologia embarcada nos carros, entre outros avanços, definidos no programa. Para cada ciclo será realizada uma revisão da política e uma reorientação das metas e instrumentos.

Com a nova política, o Poder Executivo estabelece requisitos obrigatórios para a comercialização de veículos novos importados ou produzidos no país. Ela define metas obrigatórias, objetivas e mensuráveis de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, eficiência energética e de segurança veicular. Também prevê a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para os veículos que superarem essas metas.

O Rota inclui ainda políticas de estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento (P&D) e projetos estruturantes que visam dotar as empresas de instrumentos para que possam alcançar as metas estabelecidas, além de lhes conferir condições de competitividade para que tais atividades possam ocorrer no Brasil.

Serão concedidos créditos tributários de 10,2% que poderão ser usados no abatimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

“Não se trata de ampliar a competitividade somente via redução de custos, mas também através da diferenciação tecnológica. A importância dos incentivos justifica-se pelo fato de que o desenvolvimento da indústria automotiva brasileira está atrelado às grandes montadoras globais, cujos centros de decisões estão em suas matrizes, fora do Brasil”, ressalta Marcos Jorge. “O investimento em desenvolvimento tecnológico e inovação é chave para a sobrevivência das companhias no mercado mundial, além de conferir vantagem competitiva às empresas aqui estabelecidas”, enumera.

 

SETOR AUTOMOTIVO – O setor automotivo no Brasil gera cerca de 1,3 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos, e é responsável por 22% do PIB industrial e 4% do PIB total do País. A indústria automotiva é um dos principais empregadores e possui grande capacidade de dinamizar a economia nacional.